Ed.Nº 157 – Freedom Fighters [2003]

AnaliseOs jogos da série Hitman sempre foram conduzidos como trabalho principal da IO Interactive que começou de forma independente quando lançou Codename 47 para PC no ano 2000 e logo veio a parceria com a Eidos Interactive  que durou 7 anos até chegar a Square Enix que atualmente procura um novo investidor para a IO Interactive.

E aqui no Blog, em março tivemos as edições 150 e 151 com os jogos da marca Kane & Lynch que eu conhecia por nome e fama e decidí jogar e trazer as análises de Dead Men e Dog Days que foram trabalhos do estúdio que pegaram o quase fim da relação com a Eidos e o início da parceria com a Square Enix, esse meio tempo entre 2007-2010.

Agora na edição 157 vamos relembrar de um trabalho bem diferente da IO que se deu por uma parceria que aconteceu apenas uma vez com a Electronic Arts com Freedom Fighters. Third-person shooter com um produção muito marcante que apareceu em 2003 para PC, e que também se fez presente nos consoles GameCube, PlayStation 2 e o primeiro Xbox.


Freedom Fighters (PC [Análise], GameCube, PS2, Xbox)
Desenvolvedor: IO Interactive
Publicado por: EA (Electronic Arts)
Lançado em: 1º de outubro, 2003

[Tempo de leitura: 10 minutos]

Café com sabor de vodka

Este foi o terceiro trabalho da IO Interactive logo depois de Hitman 2: Silent Assassin. Nessa época existia uma corrida entre diversos estúdios para trazer a cidade tridimensional mais imersiva possível e ainda existia resquícios da comoção gerada por Shenmue no Dreamcast, o primeiro Driver, Max Payne, GTA 3, ou seja, era muita coisa sendo apresentada que traziam novas liberdades de movimentos, interações de ambiente e a curiosidade para ver onde isso chegaria.

Freedom Fighters é um third-person shooter de 2003 com investimento em parceria com a Electronic Arts, o jogo faz uma projeção da cidade de Nova York em meio a uma guerra civil, e se pegarmos a produção e o lançamento em que o jogo apareceu, a tragédia do 11 de Setembro tinha completado apenas 2 anos, mesmo assim o desenvolvimento não foi prejudicado.

No jogo a União Soviética (atual Rússia) resolve invadir os Estados Unidos, a oportunidade veio por meio de um contato interno do governo americano que removeu todas barreiras das fronteiras deixando o país aberto para receber o ataque que não veio pelo ar ou por terra, a coisa foi pelo mar em um submarino repleto de soldados e o desembarque aconteceu em Manhattan.

A tropa comandada pelo General Tatarin pegou a população de Nova York de surpresa ainda no café da manhã, e rapidamente, Prefeitura, Departamento de Polícia, Escolas e até Emissoras de TV eram tomadas pela bandeira vermelha.

Na mesma manhã da invasão de Nova Iorque quem vinha de fora da cidade nem imaginava que isso estava acontecendo, e aqui entram os irmãos Chris e Troy que chegam na cidade pela ponte de Manhattan para atender um chamado em um prédio, eles trabalham como encanadores e manutenção predial.

Durante o atendimento, os soldados invadem o mesmo local em que os irmãos trabalhavam, Tatarin aparece pela primeira vez, pega Troy pelo colarinho, o interroga e logo é levado pelos soldados que deixam o apartamento.

Chris se mantém escondido em um quarto onde conseguiu ouvir tudo, e vai atrás dos soldados para resgatar o irmão. Quando consegue sair para a rua percebe que foi parar no meio de uma guerra civil.

A jogabilidade de FF se desenvolve no sentido que você é Chris que está numa cidade onde ninguém o conhece, ao mesmo tempo que começam a se formar pela cidade vários grupos de resistência com planos mirabolantes para impedir o avanço dos soldados soviéticos em Manhattan.

Só que os grupos estão desorganizados e muitos acabam morrendo por falta de um líder. No começo do jogo Chris é guiado por Mr. Jones que o apresenta para a inteligência dessa resistência, Phil Bagzton e Isabella Angelina.

Chris precisará se unir aos ativistas para conseguir abrir caminho por Manhattan receber ajuda dos grupos que fazem parte da resistência e assim garantir recursos para resgatar seu irmão Troy, que está refém dos Soviéticos, além da população da cidade.

 

Noções de liderança e solidariedade

FF possui 16 fases que são jogadas todas em third-person, e pelas ruas de Manhattan o personagem pode correr, pular, agachar, andar em pé ou agachado de fininho, e ainda pode agarrar-se e subir em carros, muros, caçamba de caminhões, mesas, telhados, trazendo uma liberdade bem legal para facilitar a estratégia em diversos pontos do jogo.

A primeira arma de Chris é uma chave inglesa e o jogo mostra que podemos realizar o melee para abater os inimigos. No arsenal é possível carregar duas armas de fogo, sempre uma pequena e uma maior, ou seja, revólver+metralhadora e quiser pegar uma shotgun terá que trocar com a metralhadora, e para arremessar temos granadas e coquetéis molotov.

Outro item muito importante que Chris pode carregar é o estojo de primeiros socorros, que acaba sendo tão importante quanto as próprias armas do jogo. É possível atirar normalmente ou realizar uma mira mais técnica com zoom para realizar headshots nos soldados.

Os marcadores ficam localizados na parte superior da tela, canto esquerdo e direito, a parte inferior da tela é completamente limpa, sem minimapa, mesmo assim toda fase possui um mapa que pode ser acessado por meio de um comando.

No mapa, o jogador vai identificar a estrela como objetivo principal, sempre marcado com um círculo e uma estrela, que é remover a bandeira da União Soviética, e hastear a bandeira dos Estados Unidos de volta no lugar, ao fazer isso a missão estará completa.

As outras legendas são missões secundárias, como salvar reféns ou destruir postos de gasolina ou qualquer outro recurso que abasteça as tropas inimigas, como por exemplo, explodir uma parte da ferrovia para impedir a chegada de novos suprimentos para os soldados. O lance é deixar o inimigo sem recursos.

Na tela o jogador vai perceber que o personagem possui uma barra de energia que muda de cor dependendo da saúde do Chris, verde é 100%, amarelo é mediana e vermelho quando a coisa estiver feia. Se a barra estiver vazia o personagem morre e retomará do último checkpoint.

Assim que a fase começa é dado um checkpoint, mas o jogador ao olhar no mapa perceberá várias escadas, é preciso encontrar essas escadas que são as tampas de bueiro por onde Chris sempre aparece nas fases. Encontre as tampas e abra para realizar o save do seu progresso.

Logo abaixo da barra de energia está uma barra de cor laranja, essa é a barra de Carisma que começará encher quando Chris realizar salvamentos, ao encontrar pessoas feridas pelas ruas, sejam civis ou outros membros da resistência, você poderá doar seu estojo de primeiros socorros para curar essas pessoas.

Isso lhe dará moral e todos vão reconhecer sua atitude altruísta. Logo você poderá chegar nos grupos espalhados por Manhattan e pedir ajuda. Chris pode recrutar até 12 personagens de uma só vez para ajudá-lo a combater os soldados pelo caminho.

Os NPCs que seguem o seu personagem podem receber três tipos de ordens: Atacar, Defender e Seguir. Com a mira em zoom, Chris pode demarcar pontos pelo caminho e deixar os NPCs parados naquele ponto para ficarem prontos para atacar quando sua estratégia permitir.

Se algum NPC cair, um sinal da cruz vermelha vai aparecer próximo ao corpo no chão, aí vai de cada jogador deixá-lo morrer ou utilizar um estojo para ressuscitar. Chris pode carregar no máximo 8 estojos.

A ação do jogo se apresenta o tempo todo direta e estratégica, existem pequenas ideias furtivas já que a empresa que fez é a mesma que criou Hitman, mas nada apelativo no sentido de se fizer algo errado o alarme vai soar e precisará fazer tudo de novo, relaxe quanto a isso. Em primeiro plano a diversão é um shooter com movimentação livre, ao mesmo tempo que ele pega um lado meio Tactical Shooter já que temos tropas para guiar e dar ordens.

Você pode ir sozinho durante as fases sem guiar NPCs, em alguns momentos indoor que acontecem dentro de prédios e ambiente fechado, preferí chegar sozinho para resolver mais depressa e deixava para montar as tropas quando a briga era na rua, algo mais aberto e nos momentos finais de algumas fases que aparecem tanques de guerra e helicópteros, sendo necessário usar os NPCs para distrair a atenção dos tiros inimigos enquanto abria caminho para alcançar a bandeira da fase.

 

Do mesmo compositor da série Borderlands

Uma das partes mais brilhantes é sem dúvida a trilha sonora que foi composta pelo Jesper Kyd, que por muitos anos no início da carreira trabalhou diretamente com a Shiny Entertainment, criadora de Earthworm Jim e MDK. Jesper fez a trilha de Freedom Fighters quando tinha 31 anos em parceria com um grupo musical da Hungria que colaborou com trechos em russo das faixas com tons de ópera.

As músicas tocam na medida em que a ação acontece, momentos mais dramáticos, momentos mais tensos, outros com mais heroísmo, e fica mais forte cada vez que Chris chega mais perto da bandeira soviética para arrancá-la do mapa. Não existe música certa para cada fase porque elas alternam-se na medida da ação e algumas vezes fica até difícil decidir entre jogar e ouvir a trilha. Os personagens possuem vozes com dublagens e todas as conversas possuem legendas.

Uma das músicas mais marcantes e gosto muito quando começa a tocar é esta – The Battle for Freedom. Não é difícil ganhar território ouvindo um som deste.

 

Produção madura com assunto contemporâneo

A IO Interactive ainda era muito nova quando este jogo apareceu, no PC existe apenas a campanha single player, mas nos consoles GameCube, PlayStation 2 e Xbox houve uma facilidade de colocar multiplayer cooperativo para jogar com dois controles ou se quiser no máximo 4 pessoas com tela dividida. No PC ainda existia muita dificuldade com isso e o estúdio preferiu não colocar essa opção. Por pouco houve a vontade de criar uma continuação, mas outros projetos se fizeram mais importantes quando a IO iniciou a produção de Kane & Lynch: Dead Men,  e com o tempo Freedom Fighters 2 foi deixado em sono profundo.

Mesmo com seus 14 anos de vida, Freedom Fighters mantém uma qualidade muito atemporal com jogabilidade até bem a frente do tempo, controle muito fáceis de se acostumar, movimentações livres e a parte dos NPCs que seguem o jogador por meio de ordens, tática que pode ser vista também em Half-Life 2 ou na série Left 4 Dead que vieram depois. Quem for se aventurar a jogar no PC saiba que o jogo funciona tranquilamente no Windows 10. Talvez muitos estranhem a resolução máxima de 1024×768, coisa da época que não afeta em nada na diversão.

No momento em que o jogo apareceu foi muito bem recebido por meio da imprensa internacional que elogiou a IO Interactive pelo ambiente realista que conseguiram montar no jogo, a única reclamação é pela duração de 8 horas da Campanha, acharam pouco para um jogo desse estilo, mas aí vale como sugestão jogar a partir da dificuldade “Freedom Fighters” para o desafio ficar mais interessante.

Infelizmente este é mais um dos jogos que costumo chamar de “jogo perdido”, por não estar à venda nas lojas digitais assim como acontece com XIII: Thirteen da Ubisoft, e Infernal feito por uma empresa que foi adquirida pela CD Projekt Red, não tem no Steam, Gog.com, Uplay, e o jeito é recorrer ao uso da mídia física ou se aventurar por sites de download.

Acompanhem mais imagens de Freedom Fighters que pude resgatar do meu estojo de CDs/DVDs empoeirados para revisitar e trazer para vocês. A edição 157 fica por aqui, até a próxima!

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo. Fundador/Autor do MarvoxBrasil. Cofundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 26 de maio de 2017, em Análises, Atualizações do Site, Consoles Retrôs, PC Retrô e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Ouvi falar desse jogo atraves de um podcast se me engano foi no finado Nowloading vou dar uma conferida nele depois.

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