Ed.Nº 160 – Sleeping Dogs Definitive Edition [2014]

Analise

Produzido pelo estúdio canadense United Front Games em parceria com Square Enix London, Sleeping Dogs é um Action-Adventure lançado originalmente em 2012 para PS3, Xbox 360 e PC. Posteriormente a Square Enix resolveu dar uma polida no visual, consertar alguns erros de programação e assim ocorreu o relançamento do jogo.

Quando tive a oportunidade de conhecer Sleeping Dogs no Xbox 360 a mídia havia dado pau, mal tinha passado da primeira cena do jogo e simplesmente o Console não conseguia mais ler o DVD e a oportunidade tinha ido para o espaço. Naquele mesmo ano que isso aconteceu em 2014, a versão Definitive Edition já batia na porta.

Este novo disponível para PC, PS4 e Xbox One é um pacote completo que junto com os melhoramentos técnicos traz diversos conteúdos adicionais que apareceram desde o lançamento original.

Após uma fila de espera, Sleeping Dogs Definitive Edition chega na edição 160 do Blog MarvoxBrasil.

Sleeping Dogs Definitive Edition (PC [Análise], PS4, Xbox One)
Desenvolvedor: United Front Games / Square Enix London
Publicado por: Square Enix
Lançamento original: 14/08/2012
Definitive Edition: 10/10/2014

[Tempo de leitura: 12 minutos]

 

Existem várias formas de enxergar Sleeping Dogs, desde um Third-Person Shooter com movimentos livres para o Parkour ser aplicado a qualquer momento. História sobre Tríades reais com alguns trocadilhos de nomes para tornar fictício. Carta pessoal de um policial com linhas de crime, drama. Carrega de forma pesada o gênero beat’em up pelo fato do jogador utilizar mais os punhos do que armas. Um open-world que se passa em Hong Kong e dá a oportunidade para o jogador absorver um pouco da cultura oriental, e como estamos em uma cidade podemos utilizar motos, carros e lanchas.

Nosso protagonista é Wei Shen, um rapaz oriental que beira os 40 anos e trabalha para a Polícia de San Francisco. Devido sua alta reputação na corporação americana, Shen foi transferido para a ilha de Hong Kong onde designará um trabalho cooperativo para desmembrar o grupo criminoso chamado 18K. Para fazer isso sem chamar atenção como policial precisará atuar disfarçado e se envolver com Sun On Yee, uma Tríade vizinha. A chave de acesso para Shen começar a se relacionar com integrantes do Sun On Yee é Jackie Ma, um amigo de longa data.

No momento que Shen começa a atuar como “membro da Tríade”, começa a perceber também que poderá vir a buscar vingança com algo relacionado a sua família, no passado. E agora, isso é um serviço para a polícia ou algo pessoal? Um dueto de perguntas e respostas onde o jogador buscará soluções na base da pancadaria no melhor estilo dos filmes de ação a base de Bruce Lee/Jet Li.

A primeira coisa que precisamos saber é que o jogo se passa no momento presente, na Hong Kong de 2012 para ser mais exato. O personagem utiliza um smartphone para entrar em contato com as pessoas conhecidas ao longo do caminho, e Shen sendo um policial, o jogo não faz a regra de pegar tudo o que quiser e tomar posse automática daquilo, como acontece em jogos concorrentes. O jogador precisará comprar carros ou motos para que estes fiquem sempre disponíveis na garagem. Inicialmente Wei Shen é dono de uma moto. Esse é um ponto bastante interessante que faz o jogador realmente participar das ações e missões para conseguir dinheiro para comprar seus próprios bens, e não faltam atividades para o jogador.

A ilha de Hong Kong é dividida em quatro áreas: North Point, Central, Kennedy Town e Aberdeen, durante o dia e a noite suas ruas e avenidas estão sempre movimentadas pelos comércios locais, feirinhas, shoppings e construções que esbanjam detalhes de todos os tamanhos para o jogador passear e explorar. Atravessar a cidade com carro ou moto é muito prazeroso, é possível ouvir no rádio várias trilhas sonoras embaladas por vozes populares como Rihanna até músicas orientais com ritmos alternados.

Ouça uma das músicas ao clicar no player abaixo enquanto lê o texto, vai valer a pena.

Explorar a cidade a pé também possui suas vantagens, é possível encontrar Feirinhas em áreas próprias como se fosse uma 25 de Março, com barracas de comida, roupas e acessórios. A pé fica chato porque não tem música? Não seja por isso, vá curtir a noite Hong Konguiana nas danceterias para ouvir outras músicas, essas mais voltadas para clássicos dos anos 80 com A-ha, Cindy Lauper e Pat Benatar estão lá em músicas para serem cantadas no Karaokê, uma das atividades para o jogador participar. Dentro da danceteria, o jogador perceberá que Shen começará a mexer as pernas discretamente, balança um pouco a cabeça, como qualquer pessoa real costuma fazer quando entra num ambiente com música e gosta do que está ouvindo.

O visual do jogo é agradável em um tom que não dá cansaço, é como se o Estúdio responsável tivesse encontrado uma proporção entre Cel-Shading e Unreal Engine que faz o jogo ficar bonito e nada cansativo, mesmo se tratando de um open-world com dezenas de missões.

Pela cidade, em vários momentos do dia caía uma forte chuva que deixava as roupas de Shen toda ensopada. Além de todo esse turismo arquitetônico e ambiental, temos o principal de Sleeping Dogs que é a pancadaria, o elemento Third-Person que o jogador dominará durante todo o percurso.

 

Beat’em Up do Gafanhoto

Shen possui algum conhecimento de artes marciais e com o passar do tempo o desafio ficará mais pesado e pedirá maior resistência para abater os inimigos. A cidade pode aparentar bem calma e pelo caminho é possível se deparar com vários grupos que na menor desatenção podem vir para cima do jogador caso esses grupos sintam que o jogador está invadindo território, e não é um ou dois não, são combates com diversas proporções, de duplas a grupos de 10, problemas que pode ser resolvido com dedo no gatilho, mas nem sempre Shen estará com arma e isso faz com que o jogador aprenda a se virar nas ruas e entre em um jogo totalmente diferente do que já viu.

O sistema de combate é muito livre para o jogador socar e chutar os inimigos, a câmera ajuda muito para termos uma visão aberta do ambiente. Os inimigos cercam o personagem, alguns estarão na frente, outros atrás e esses são os mais perigosos porque poderão chutar as costas de Shen para desequilibrar o personagem no meio da roda.

Rapidamente aparece um sinal na tela para indicar de onde o ataque está chegando para o jogador tomar o controle da situação ao fazer Shen agarrar a perna do inimigo para impedir o ataque sorrateiro. Shen consegue agarrar os inimigos pelo colarinho para utilizar objetos do cenário para causar knockouts, e isso vai desde cabines telefônicas, latas de lixo, bordas de pias até outros objetos mais letais possíveis.

Para conseguir ganhar mais resistência para enfrentar os diversos grupos, Tríades ou demais criminosos pelo caminho, o personagem conta com três árvores de habilidades: Police Meter, Triad Meter e Face Meter.

Police Meter dará maiores habilidades para o Shen-policial sendo possível, com o progresso, ser dono de uma viatura com direito a shotgun no porta-malas. Triad Meter faz o papel do ganho de respeito dentro das Tríades, tornando o personagem cada vez mais perigoso ou um ímã de confrontos com os rivais. O Face Meter faz o papel da evolução social do personagem perante o ambiente, sendo possível até ganhar grandes descontos para comprar seu próximo carro ou conseguir uma namorada, e aqui as namoradas ou ficantes participam da história, tem momentos que será preciso lembrar que elas existem para fazer aquela ligação no celular e marcar um encontro para dar uma volta pela cidade, sem ser apenas NPCs ao estilo “hoje vou lhe usar”.

Existe a preparação do corpo, mente e espírito do personagem, e espalhados pela cidade temos incensários orientais chamado Health Shrines, ao chegar perto de algum, Shei poderá fazer uma reza para Buda, quanto mais incensários Shei encontrar, sua barra vital vermelha por padrão, receberá uma nova cor em azul para o jogador contar com duas barras de energia.

E por último, o aprendizado de novos golpes. No começo do jogo alguns socos e pontapés resolverão o problema durante o combate, mas assim como Shen ganha novas experiências, a cidade também colocará no caminho do jogador os inimigos mais maliciosos que poderão vir com voadoras, rasteiras, e não vão cair no chão com tanta facilidade. Para resolver isso, nada melhor que uma escola de artes marciais.

Shen poderá visitar a escola para aprender novas técnicas que vão funcionar muito bem para o jogador ficar cada vez mais malicioso também. As aulas acontecem quando o jogador entrega ao Mestre uma Estatueta de Jade, que foram roubadas e espalhadas pela cidade, e fica como regra, uma estatueta em troca de um novo aprendizado.

Fique tranquilo, as estatuetas estão em locais onde as missões principais acontecem, o importante é estar atento para não perdê-las de vista durante as missões, capture e depois entregue para o seu Mestre.

Para quem jogou Bully/Bully: Scholarship Edition, talvez possa lembrar que o garoto Jimmy Hopkins precisava encontrar rádios para entregar ao zelador e assim aprendíamos novos golpes para enfrentar os valentões do colégio, a situação em Sleeping Dogs nesse ponto é semelhante.

Até o fim do jogo você conseguirá fazer muito do que o jogo pede para preencher os três medidores de habilidades, aprenderá todos os golpes na Escola de Artes Marciais, poderá preencher sua barra de energia com a cor azul, vai se envolver com os arquivos do Shen-Polícia que inclui missões com arma em punho, também irá brigar muito com Tríades pelas ruas de Hong Kong, poderá espionar negociações e tráfico de drogas com a ajuda de câmeras de segurança da cidade, e tudo isso em quase 20 horas de jogo da campanha principal que deixa o jogador livre para aproveitar a cidade enquanto recebe dezenas de benefícios sem perder o foco no objetivo final.

 

Campeão do tatame e histórias de terror

Após concluir a história, o jogador estará bastante acostumado com a cidade para aproveitar conteúdos adicionais que também possuem seus próprios enredos, mesmo que sejam paralelos. Alguns desses conteúdos estão incorporados na trama principal, mesmo assim é importante fazer a partir do momento que aparece aquela tradicional mensagem “agora você pode explorar por aí”.

O primeiro conteúdo é o Zodiac Tournament, que faz a imagem do jogo parecer filme dos anos 70, com abertura e tudo. Este conteúdo leva o jogador para uma ilha próxima para um combate de força e sobrevivência, com vários competidores, um mais habilidoso que outro, no melhor estilo da primeira temporada de Dragon Ball ou aquele mega torneio de Yu Yu Hakusho. A sugestão é fazer este conteúdo após receber todos os treinamentos do Mestre. A duração é de apenas 1 hora, ótimo para gerar aquela saideira do jogo.

As DLCs, Nightmare in North Point e Year of the Snake são conteúdos que o jogador verá na tela de menu do jogo, importante ressaltar que esses dois conteúdos salvam em slots totalmente separados do jogo principal, então se por acaso o jogador entrar sem querer afim de ver como é para dar uma volta, fique tranquilo porque nada afetará a sua campanha principal. Essas duas histórias mexem com personagens que o jogador pode não entender quem são ao jogar antes de concluir a história principal e possuem duração de duas horas cada uma.

 

Sucessor Espiritual de True Crime

Houve uma época logo após a Rockstar ter lançado Grand Theft Auto III onde outros estúdios começaram a investir nessa modalidade sandbox com cidades tridimensionais. Activision quis fazer parte disso com a ajuda do estúdio Luxoflux que um dia nos trouxe Vigilante 8 no PSX e N64. Luxoflux então apresentou em 2003 a marca True Crime que possui duas histórias, Streets of L.A e  New York City que veio em 2005.

Na época tinha sido a primeira vez que um estúdio conseguiu recriar uma cidade real em um jogo nesse estilo voltado para a concorrência da marca GTA. Até este momento de Streets of L.A, o máximo que tínhamos era GTA III, Vice City, e o primeiro Mafia. Quando True Crime chegou, trouxe uma cidade com localidades reais para o jogador explorar, além de finais alternativos que entrou como outra novidade dentro do gênero.

O terceiro jogo estava em produção e levava o nome de True Crime: Hong Kong, problemas no desenvolvimento fizeram seu lançamento ser adiado inúmeras vezes até chegar ao ponto da Activision descartar a produção, veio então a Square Enix para comprar todos os direitos de criação da antiga investidora, e assim o nome mudou.

Sleeping Dogs estava seguro, e com o tempo seu desenvolvimento ganhou maturidade para se tornar uma marca própria e que no elenco das dublagens contou com Emma Stone e Lucy Liu. O protagonista Wei Shen foi dublado por Will Yun Lee, atual voz de Kung Lao em Mortal Kombat X.

 

Conteúdo carregado de diversão

Sleeping Dogs é uma produção majestosa que faz o jogador participar da cultura oriental de forma ativa, seja experimentando pratos típicos, postura no trânsito ou aprendendo artes marciais e ainda abre espaço para o convívio social do jogador com outros personagens. Conhecerá o trabalho da polícia de Hong Kong e andará lado a lado com membros perigosos das Tríades. Um conteúdo carregado de diversão e que renderam 52 horas para completar o jogo com 100% de aproveitamento.

A edição 160 fica por aqui, aproveite para conferir outras imagens de Sleeping Dogs Definitive Edition, lembrando que esta versão, além do PC, está disponível no PS4 e Xbox One. Até a próxima!

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, pela Universidade Paulista de São Paulo. Fundador do MarvoxBrasil. Cofundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 17 de julho de 2017, em Análises, Atualizações do Site, PC, PS4, Xbox One e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Caramba gostei muito desse post Marvox me interessou bastante esse jogo vou com certeza joga lo um dia desses .

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  2. O que me assusta nesse jogo é isso: Shooter humano (!) com Parkour (!!) e Open World (!!!)… são três coisas que eu normalmente deixo passar (intensidade representada pela quantidade de “!” ao lado… rs).
    Mas aí vc fala de beat’em up e eu me animo… e logo em seguida carros e etc. E eu desanimo de novo! huauhahuahu
    Isso meio que explica o meu comentário lá no Overgrind do mês.
    Aí vc me pergunta pq eu nunca fui muito atrás de conhecer Shenmue… rs
    Aliás… Shenmue… Shen… será que rolou uma homenagem aí? Ainda mais com todo clima oriental e tudo mais.
    Enifm, deixa eu parar de parecer um velho chato resmungão (ou seja, refletir a realidade).
    Lance de combate mais livre pareceu interessante, parece ter um desafio legal nesse quesito, esse tipo de coisa já chamou mais a minha atenção. Ah, a música também! Achei bacana a que vc compartilhou!
    A versão que tenho é a de PS3, que ficou gratuita pra assinantes da Plus num passado remoto. Quem sabe não baixo pra dar uma olhadinha de leve? hehe
    Muito bom o post, Marvox!

    Curtido por 1 pessoa

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