Ed.Nº 151 – Kane & Lynch 2: Dog Days [2010]

Analise

Fala, gamers do Brasil! Chegamos a mais uma edição em que continuaremos a conversar sobre Kane & Lynch, jogo produzido pelos mesmos criadores de Hitman através do estúdio IO Interactive. São dois jogos, Dead Men de 2007 e Dog Days de 2010, ambos foram lançados para PC, PlayStation 3 e Xbox 360. Eu havia comentado que joguei os dois na versão para PC e por isso resolvi escrever sobre os dois.

Dead Men foi produzido pela IO Interactive com a ajuda da Eidos, no entanto, a continuação que saiu em 2010 foi lançada um ano depois da Square Enix ter adquirido o estúdio da série Hitman, de algum modo isso ajudou bastante porque deu a entender que o investimento colaborou para que Dog Days recebesse um trabalho mais refinado, além de uma segunda chance para trazer algum sucesso para a marca Kane & Lynch.

Vamos acompanhar a edição 151 com a análise de Kane & Lynch 2: Dog Days, a última aventura da dupla sangue nos olhos.


Kane & Lynch 2: Dog Days (PC [Análise], PS3, Xbox 360)
Desenvolvedor: IO Interactive
Publicado por: Square Enix
Lançado em: 17 de agosto, 2010

[Tempo de leitura: 11 minutos]

 

IO Interactive

Fundado em 1998 na Dinamarca, de forma independente o estúdio estreou seu primeiro trabalho voltado exclusivamente para o mercado de PCs quando lançou Hitman: Codename 47 junto com a Eidos que cuidou da distribuição do título. Com a boa recepção do primeiro trabalho, a Eidos ajudou a IO Interactive a fazer parte parte da linha PlayStation 2, GameCube e Xbox a partir de Hitman 2.

Antes de jogar Kane & Lynch, do portfólio do estúdio eu havia tido contato com o primeiro Hitman e uma outra produção que ela havia feito em parceria com a EA, o jogo Freedom Fighters, os dois jogos ainda eram novos quando conheci.

Freedom Fighters (foto abaixo) foi um trabalho muito interessante feito pelo estúdio em 2003, um Tactical Shooter/Third-Person que colocava Nova York sendo invadida e tomada pela União Soviética. O jogador tomava o controle do personagem Chris Stone para salvar o irmão Troy que tinha sido sequestrado pelo General soviético. Para ajudar nesse resgate, o personagem contava uma resistência que lutava pela libertação do povo diante da ditadura soviética.

O que fazia Freedom Fighters ser muito imersivo para aquela época além da trilha sonora bastante dramática, era a possibilidade de recrutar pessoas (NPCs) pelas ruas. Tudo dependia do nível de carisma do personagem que quando atingia o máximo, permitia o jogador dar ordens como – seguir, recuar e atacar, de forma independente para até 12 NPCs, e isso foi um ano antes da Valve trazer Half-Life 2. Para quem lembra do capítulo “Follow, Freeman” era possível também dar ordens para uma resistência para ajudar Gordon Freeman na batalha.

Essa mecânica de dar ordens para NPCs apresentada anteriormente em Freedom Fighters, de alguma forma os desenvolvedores viram que a ideia tinha sido boa e elaboraram um jeito da mesma mecânica fazer parte de Kane & Lynch: Dead Men de 2007. Não tão profunda como foi em Freedom Fighters, mesmo assim foi boa porque o jogo não ficou fechado apenas na dupla que dá nome ao jogo, e aí que vem a parte curiosa onde a continuação com Kane & Lynch 2 se desprende da maioria das regras que o próprio estúdio havia criado, por mais que o segundo jogo tenha ficado mais maduro.

 

Xangai Urgente!

Dog Days é uma continuação que não cita os acontecimentos em Dead Men o que é uma grande vantagem, desta vez o jogador poderá controlar Lynch, e isso só acontecia antes quando a campanha era aproveitada no modo Cooperativo. Kane agora é o coadjuvante que seguirá Lynch durante todo o percurso da nova aventura. Entre o primeiro e o segundo jogo passaram-se 3 anos e com isso temos os personagens com uma postura mais madura.

A vantagem dos dois jogos não se comunicarem faz com que o jogador não precise se preocupar em jogar na ordem, no entanto o que diferencia um do outro é a tecnologia da criação. Mesmo tratando-se de dois jogos que já possuem um certo tempo, acredito que tenham pessoas que ainda não jogaram então sem muito rodeio, se Kane & Lynch fosse um filme, Dead Men poderia passar na Temperatura Máxima, enquanto que Dog Days cairia como uma luva naquela sessão do início da madrugada do Max Prime da TV a Cabo.

História pesada, muita morte, rostos desfigurados que para destacar a violência utilizam aquela censura cheia de quadradinhos para não mostrar o rosto, e nessa parte parece até um programa policial ao vivo. Pelo texto, as conversas, frases e diálogo dos inimigos em união ao nível de detalhe bastante refinado que oferece ao jogador uma viagem de 10 horas por Xangai, com ruas, prédios residenciais, fábricas com pessoas em trabalho escravo, escritórios, oficinas, e até locadora com títulos da IO Interactive como Easter Egg.

Kane & Lynch 2, conta com uma trilha sonora mais trabalhada com música de abertura e encerramento, podem não ser extremamente marcante mas ficaram na cabeça por algumas semanas e até cai bem como toque no smartphone, mas isso é apenas um detalhe. Dog Days continua um Third-Person com muita ação onde o ingrediente desta continuação é o fator “Noir” um drama que parece uma novela.

Talvez uma tendência melhor fortalecida quando a Quantic Dream trouxe Heavy Rain pela primeira vez no PS3 em 2010, e logo depois surgiram outros títulos que tinham drama inserido na veia do jogo, como a Telltale que no mesmo ano havia lançado Back to the Future: The Game.

E no caso de Kane & Lynch 2 sendo um Third-Person de ação temos, ação – diálogo – ação, com Lynch apertando o gatilho no meio de 10 inimigos enquanto puxa assunto com Kane e existe uma conversa enquanto tenta-se prestar atenção na conversa, no cenário, no objetivo da missão e nos 10 inimigos em volta. O jogo não perde tempo com vídeos, e o desenrolar do enredo acontece até durante as telas de loading.

Uma sacada interessante de Dog Days é o estilo da tela, faz parecer que tudo acontece por meio de um vídeo no Youtube, como se fosse um vídeo-documentário, ou até mesmo um vlog sob o ponto de vista de Lynch, mas aí existe um problema. O estúdio trabalhou tanto no aspecto do jogo e esqueceu que, se um Third-Person for apenas tiroteio e conversa por mais desafiador que seja o jogo, acaba se tornando um rail-shooter com um personagem se mexendo na frente da tela.

Na época o jogo não recebeu as melhores críticas da imprensa internacional em comparação com Dead Men que apareceu até em capa de revista na época. Dog Days não teve esse tipo de recepção, mesmo que a versão dos Consoles PS3 e Xbox 360 tenham a vantagem de poder jogar 2 players em tela dividida, no PC essa opção acabou sendo apagada. Em algumas situações o problema da recepção do jogo não seja nem do jogo ou da crítica, mas do momento em que o jogo apareceu. Tem muitos sites internacionais que hoje em dia buscam revisitar certos jogos e escrever sobre eles porque num passado distante foram “massacrados” por uma questão de falta de referência.

O primeiro jogo de 2007, Dead Men trazia uma ação mais simples com muitas variações de jogabilidade, tinha até tiroteio a bordo da traseira de um jipe, rapel em arranha-céu, perseguição dentro de casa noturna. Dog Days é mais pé no chão, e isso foi o que tornou o jogo menos atraente.

 

Kane & Lynch no cinema?

A fama de Kane & Lynch ficou mesmo no primeiro jogo de 2007 que deu abertura para a tentativa de uma adaptação no cinema, com direito a enredo e até seleção de atores, nomes como, Bruce Willis e Jamie Foxx estavam cotados para participar das filmagens. O assunto durou até 2013 e depois nada mais foi mencionado e a adaptação de um filme ficou apenas no papel, menos para a DC Comics.

De outubro de 2010 até abril de 2011 a DC Comics em parceria com a WildStorm, publicou HQs de Kane & Lynch que duraram por apenas 6 volumes onde contavam situações inéditas antes dos acontecimentos do primeiro jogo que levou a dupla ter recebido a pena de morte.

 

Mais desafiador, menos criativo

O que tenta salvar Kane & Lynch 2 é o ambiente e o desafio que consegue ser muito ofegante, chegando perto de Max Payne 3 com aquela sensação eterna de dizer a todo momento “puta merda, fodeu”. Foi interessante terminar este jogo e dentre as várias cenas, ter visto uma que beira Jogos Mortais, pelo menos faria algumas cócegas em Jigsaw. Na cena a dupla é capturada e ficam com ferimentos e arranhões pelo corpo todo além de pelado, pelado, nú com a mão no bolso. Outro momento bastante tenso é a batalha aérea contra um enorme helicóptero que aparece detrás de um prédio que reflete o por do sol nas janelas.

Acredito que esta dupla merece uma nova chance pela parte da Square Enix, não podemos esquecer que alguns nomes foram resgatados pela empresa como Deus Ex, Tomb Raider e também Hitman, todos eles tiveram seus altos e baixos e hoje estão aí com jogos novos e suas marcas foram refortalecidas.

A edição 151 fica por aqui, espero que estas análises do jogo Kane & Lynch possa despertar a vontade de conhecer esta duologia feita pelos criadores de Hitman. Abaixo, confira a galeria com imagens capturadas durante Kane & Lynch 2.

E se você perdeu a análise do primeiro jogo clique aqui para ler sobre Kane & Lynch: Dead Men. Até a próxima!


Informações, e outros conteúdos:

“Jogos perdidos”, conheça algumas produções que não estão nas lojas digitais. Veja mais:

=> [Análise] Infernal – Third-person produzido pela Metropolis Software em 2007, o estúdio foi adquirido pela CD Projekt Red, lançado meses antes da vinda do primeiro The Witcher.

=> [Análise] XIII: Thirteen – FPS com visual cel-shaded, vocês sabem, que parece uma história em quadrinhos. Uma produção da Ubisoft que conta sobre um agente secreto que é encontrado desacordado na beira da praia e pouco a pouco ele vai recuperando a memória para descobrir quem tentou apagá-lo.

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo, Autor do MarvoxBrasil e Co-Fundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 20 de março de 2017, em Análises, Atualizações do Site, PC, PS3, XBOX 360 e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Muito bom Cadu, jogar e conversar no Skype/Hangout/Curse/Discord kkk faz a jogatina ficar bem legal.

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  2. Pois é, pelo pessoal que conversei eu percebi que a galera jogou mais o 1º, então não sei até onde vai a quantidade de pessoas que jogaram o 2º jogo para chegar nesse ponto de não gostar, pode ser que ele tenha passado batido ou as poucas análises que ele recebeu foi o que determinou talvez esse rebaixamento. Se você jogar depois quero saber se curtiu hehe. Grande abraço!

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  3. Eu não tinha reparado que os dois saíram pra PS3, isso torna as coisas mais interessantes pro velho chato aqui que se recusa a jogar no PC… kkkkk
    Ler “tela dividida” me levantou a curiosidade de se jogar coop online, vi aqui num site que tem. Isso também torna as coisas ainda mais interessantes, esse tipo de jogo é legal de se jogar em dupla falando groselha no Skype (se bem que quase qualquer jogo fica divertido assim).
    Muito bom review!

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  4. Achei bem interessante o primeiro jogo essa sequencia lendo agora me parece ter ficado bem melhor ainda pena que a galera nâo tenha curtido muito né.

    Curtido por 1 pessoa

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