Ed.Nº 118 – Infernal (PC, 2007)

AnaliseFaaala gamers do Brasil! Na edição 114 (junho), trouxe um assunto muito legal sobre jogos que por algum motivo não estão à venda nas principais lojas digitais. Como eu tinha dito antes, sempre tem algum título que por mais que lembramos e bate aquela saudade de jogar não se consegue comprar.

Na edição 118 do Blog MarvoxBrasil, vamos relembrar do jogo Infernal, lançado em 23 de fevereiro de 2007 para o PC, desenvolvido pela Metropolis Software.

Acredito que tenham gamers que jogaram este jogo com este nome – “Infernal: Hell’s Vengeance” – que é um port lançado em 2009 no Xbox 360. Na análise, conheça o enredo e as funcionalidades da versão original, com várias imagens do gameplay com dicas, e ainda, um projeto que viria logo após e por algum motivo foi abortado. Acompanhem:

MVXEd118-Infernal

A visão com a câmera nas costas

O gênero Third-Person ou terceira pessoa é algo muito comum hoje em dia e rapidamente lembramos de Assassin’s Creed, The Witcher e Max Payne 3, esse estilo de jogo onde enxergamos as costas do personagem não nasceu de uma hora para a outra, os primeiros indícios desse gênero começou a ser explorado pela Nintendo e Sega nos Arcades no fim da década de 70.

No decorrer dos anos seguintes, alguns jogos procuraram brincar com essa modalidade que ainda era um recurso mais cabível em jogos de naves. Em alguns momentos no decorrer do jogo Contra, a Konami já trazia essa experimentação de colocar a câmera nas costas do personagem. E por falar em nave, Star Fox do Super Nintendo, já tentava mostrar naves em ambiente tridimensional, e começou a ideia, vamos tirar as naves e colocar personagens em ambiente 3D.

O ano de 1996 e o amadurecimento do sistema 32-bits houve uma explosão de empresas que queriam porque queriam mostrar que essa era a mania do momento. No PC, os jogos que no conceito original haviam sido feitos como FPS, por exemplo, Duke Nukem 3D ao apertar a tecla F7 trazia a câmera nas costas e conseguíamos enxergar o personagem, podíamos decidir como queríamos jogar. Um dos títulos que fez isso ficar mais interessante foi Eradicator, desenvolvido pela antiga Accolade, mas até aqui, o gênero third-person era colocado ainda como segunda opção, pelo menos no PC, quem ajudou a melhorar essa visão foram os videogames.

Só quando Tomb Raider apareceu com a Lara Croft e suas pistolas duplas nas mãos é que a brincadeira ficou mais popular. Não era mais segunda opção, o jogo começava e terminava sempre com a câmera nas costas e sabíamos desde o começo quem estamos controlando.

Anos seguintes veio Syphon Filter para ampliar, Metal Gear Solid para intensificar o gênero ao trazer o Stealth e o cover (colocando o personagem de costas para a parede) e quando achávamos que não dava para ir mais além, vieram Max Payne, GTA 3, Prince of Persia, Resident Evil 4, e claro, Dead Space que limpou a tela ao colocar a barra de energia nas costas do personagem.

A partir daqui, o Third-Person já estava mais que introduzido na cabeça dos jogadores e tudo que a indústria dos games precisava era ampliar essa tendência.

Problemas? Disque: 0900-poderes-sobrenaturais

Infernal021Este é Ryan Lennox, ele trabalhava para uma agência secreta. Após uma crise de casos mal resolvidos perde o emprego, vem então a D.R. com a namorada que trabalha na mesma agência, foi ela que conta para Lennox – “querido, você perdeu o emprego”. Lennox fica em choque, mas acredito que ele já esperava por isso, o casal está no restaurante, sentados à mesa quando um helicóptero chega e dispara contra os dois. É aquela velha história, o sujeito sabia demais e a agência decide apagar o ex-agente.

Começa a primeira fase, tenho que procurar a saída do restaurante com um monte de capangas muito bem armados, tenho uma 9mm e consigo pegar uma submetralhadora. Lennox consegue usar paredes, pilares e balcões como cobertura para se proteger dos ataques, a munição é escassa, não é difícil tomar tiro no peito e vem aquele sentimento de que alguma coisa está faltando ao mesmo tempo em que vejo a barra de energia baixa. Não tem kit de primeiros socorros e a barra de energia não se regenera com o tempo.

Aparece Lucius Black (o cara lá debaixo), com seus dreads no cabelo, pede ajuda ao protagonista, enquanto apoia-se na bengala para se locomover, pelo jeito os dois já se conhecem de outros carnavais. O rei do enxofre pergunta – você quer esses poderes? E em segundos o corpo inteiro de Lennox é consumido pelas chamas das trevas, e adquire vários powerups. A cena é muito boa, parece que o cara está morrendo mesmo.

A única penalidade é, os poderes não funcionam em ambiente muito iluminado, ainda mais se Lennox estiver em lugares sagrados como construções religiosas, aí o poder do inferno acaba de vez. Seu personagem é um guerreiro das sombras que agora trabalha para o diabo em uma luta entre as trevas e a organização religiosa EtherLight que procura lançar um satélite para moldar a mente das pessoas.

Desenvolvido na Polônia pelo estúdio Metropolis Software, e distribuído com a ajuda da Playlogic na Europa e Eidos na América, o jogo abre com o semblante de um corpo que apresenta-se dando cambalhota e rapidamente aponta a arma para o alto, no fundo é possível perceber lápides com cruzes, parece um cemitério. Será que é um jogo de terror?A imagem muda e logo, o mesmo corpo aparece em cima de uma moto, tudo isso acontece na tela principal ao som da música que pode ser ouvida no vídeo abaixo:

Alma, munições e armas

A mecânica do jogo propõe fugir do básico – passe por cima e colete as coisas, também não existem kits de primeiros socorros para aumentar a barra de energia. Com isso nos cantos inferiores da tela durante o jogo temos: do lado esquerdo – a barra de health que para ser recuperada, Lennox precisa consumir a alma dos inimigos abatidos e junto acaba por coletar as munições e, se possível, novas armas.

Do lado direito existe a barra de mana, é com esta que você precisa se preocupar porque, o uso dos poderes especiais como: soltar uma rajada de chamas para abrir caminhos pelas fases, teletransportar-se para outros pontos da fase, ficar invisível por poucos segundos, usar a telecinésia para mover objetos ou até empilhá-los, esses poderes vão consumir mana. E ainda se o personagem ficar em locais muito iluminados onde não haja escuridão ou até, em fases que acontecem dentro de locais sagrados como igrejas ou templos, a mana chegará à zero.

Absorva os corpos dos inimigos para recuperar energia e mana.

Absorva os corpos dos inimigos para recuperar energia e mana.

Porta-Treco

Além dos poderes sobrenaturais ganhos no começo do jogo, temos acessórios interessantes que em alguns momentos do jogo é necessário utilizar durante as fases, por exemplo:

  • Hi-Vision – São binóculos digitais que mostram a distância dos inimigos e o ponto do objetivo.
  • Infernal Vision – Essa talvez seja a mais legal, o jogo fica em primeira pessoa e faz uma espécie de raio-x na fase, e podemos enxergar a energias espirituais perdidas pelos cantos, são aparentemente esferas que parecem geleias e ficam dançando no ar mas sem sair do lugar. As esferas de cor azul recuperam a sua energia, e as vermelhas, recuperam a mana.
  • Teletransport – Existem fases em que precisamos evitar câmeras capazes de acionar dispositivos de segurança, com isso, Lennox consegue transferir o espírito para outros pontos do cenário, ainda mais quando existem na fase, três interruptores para apertar simultaneamente e você é apenas um.

Conforme o jogador progride na história, essas mecânicas são apresentadas com muita calma, e tornam-se comuns até o final do jogo. Muitas vezes, Infernal realizará essa mescla de, fazer o jogador utilizar a estratégia com base nos poderes sobrenaturais, já em outros momentos, é preciso se virar apenas com o arsenal de armas que Lennox consegue carregar, e se a munição acabar, o jeito é socar os inimigos.

O que importa são os chefões badass

Infernal (PC)

Um dos motivos que torna o jogo Infernal bastante marcante, são os confrontos com os chefões onde, todas as lutas são apresentadas por um grupo de antagonistas com um jeitão bastante badass no estilo “não mexe comigo que enquanto você está aí com sua arminha, eu estou pilotando um helicóptero gigantesco e fortemente armado”, coisa que acontece na Missão 4: HMS Liberty que acontece à bordo de um porta-aviões com direito a aurora bureau sob nossa cabeça.

Outro cenário muito bonito é a Missão 2: Gray Rock Refinery, cheio de escadas e pontes que se conectam com outras plataformas e revelam passagens para outros cantos da refinaria, as fases em ambiente aberto são bem didáticas, já as fases em locais internos é preciso prestar mais a atenção para não achar que está perdido, é por isso que utilizar os powerups de Lennox é tão importante porque, se o que te impede de progredir é uma porta trancada, use a Infernal Vision e procure por números pintados na parede, que a olho nu são impossíveis de enxergar. A fase tem até um trem de carga bem legal e o que parece apenas um enfeite, chega a roubar a cena nos momentos finais da missão.

Malovia Steelworks, a metalúrgica encontrada na 3ª Missão é uma das fases mais perigosas, onde costuma-se trabalhar com metal, tem também ferro derretido, aqui acontece uma das batalhas mais doidas onde o jogador precisa fazer Lennox subir até uma máquina, um guindaste que consegue levantar vigas de concreto, Lennox de um lado da tela e o chefão do outro lado e começa uma violenta briga, o jogador precisa arremessar a viga de concreto contra a máquina controlada pelo chefão.

A campanha conta com 6 missões, ao todo rendem entre 8 a 10 horas de gameplay, sempre com bom humor e sem muitos exageros, pelas conversas entre Lennox que sempre procura tirar uma onda e isso chega a enfurecer Lucius Black. As dublagens são muito bem casadas com a postura de cada personagem, e vem aquela sensação de que tudo isso, mesmo não sendo um dos melhores jogos third-person, poderia muito bem ter se tornado um seriado na TV.

Jogo rápido, loadings tão curtos quanto um piscar de olhos, comandos práticos, trilha sonora feita para colocar o volume no talo e desafios com direito a cenários amplos e confrontos com inimigos e chefes que são capazes de fazer o jogador prensar a língua com os dentes enquanto joga. O enredo pode não ter sido dos mais criativos para a época em que foi lançado, mas ao jogar hoje, em 2015, e terminar pelo menos uma vez, é bem provável que você saia dizendo “pô, valeu a experiência”.

O que difere a versão original de 2007, do port lançado em 2009, é que no PC o jogador pode salvar o progresso em qualquer lugar, no entanto, a versão do Xbox 360 não deixa o jogador fazer isso, mesmo que o jogo tenha poucas missões, as fases são extensas e pode ter entre uma ou duas horas de duração cada uma delas, dependendo da habilidade do jogador.

Seres espaciais impedidos de chegar a nós

A Metropolis Software não existe mais, o estúdio era vizinho da Projekt Red lá na Polônia. Após o lançamento de Infernal, a Metropolis queria trazer um novo jogo até então chamado “They”, onde um menino é amigo de uma criatura de outro planeta, algo que pelas imagens misturava um pouco de BioShock com Half-Life 2. Em 2008, o estúdio da franquia The Witcher comprou a Metropolis e abortou a criação do jogo – estratégia regional?

Podemos assistir o trailer abaixo para ter uma pequena noção do jogo, ainda em seu estágio inicial de criação, o vídeo é de 2007, feito logo depois que Infernal apareceu.

Infernal foi um jogo que encontrei em 2007 à venda em São Paulo e tenho a mídia em DVD até hoje. Senti falta de jogar de novo algo com bastante ação e que fosse third-person e lembrei dele, pelo menos matou a vontade e pude trazer aqui para mostrar à vocês mais este jogo perdido por aí, e que não aparece para comprar nas lojas digitais, o que é uma pena.

Abaixo, confira a galeria de imagens capturadas durante o gameplay do jogo Infernal no PC, até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 14 de agosto de 2015, em Análises, PC e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Fico contente que tenha gostado, em breve novas análises. Não deixe de acompanhar também o Canal Jornada Gamer – http://www.youtube.com/c/jornadagamer com longplays publicados durante todos os meses, vale a pena conferir, espero vê-lo no próximo post.

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  2. Rapaz,ótimo texto!Jogo muito pouco em PC mas curti esse game.

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  1. Pingback: Ed.Nº 129 – Condemned: Criminal Origins | Blog MarvoxBrasil

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