Blog MarvoxBrasil 10 Anos [Parte 1]

Quando criei este blog a proposta foi bem simples, trazer um ambiente para compartilhar assuntos dos quais conheço e inesperadamente alcançar pessoas interessadas nesses assuntos.

Desde 2015 tenho me dedicado ao Canal Jornada Gamer, e de forma alguma deixo de cuidar deste espaço que carrega tanta história ao longo desses 10 anos.

Não posso deixar de mencionar também, o quanto sou agradecido pelos feedbacks recebidos. É incrível que, mesmo com o blog sem receber novos textos a procura pelas informações que existem aqui continua em um nível bastante animador.

Independente de quanto tempo você acompanha este espaço, aproveitarei o momento de comemoração para contar um pouco sobre meu interesse por Jogos Eletrônicos, em que momento da vida comecei a ter acesso aos videogames até o ponto em que pude criar este blog.

Acompanhe a 1ª Parte desta comemoração de 10 Anos do Blog MarvoxBrasil!


Na metade dos anos 80, o que tinha em casa era o Atari 2600 e o TeleJogo que ambos eram do meu pai e só eram ligados em aniversários quando os primos apareciam em casa, ou no máximo durante as férias escolares. Naquele momento não existia assim uma vontade ou interesse forte pelos videogames, era somente uma atividade familiar em momentos comemorativos.

Meu pai tinha um total cuidado com aquele Atari. Enquanto crianças, minha irmã e eu, jamais poderíamos pegar nos cartuchos que ficavam muito bem guardados, meu pai era quem colocava os jogos para que pudéssemos jogar. Com relação aos jogos, no Atari, lembro que chamávamos assim: Plataforma 2D era ‘bonequinho que anda e pula’, ou no caso do Pitfall era apenas ‘Pula-Pula’. River Raid era o ‘aviãozinho que atira’, Pac-Man era ‘Come-Come’, e jogos de corrida como, Enduro e Grand Prix chamávamos de ‘carrinho’.

Quando comecei a ter um pouco mais de idade (e ter cuidado com as coisas) foi o momento que meus pais decidiram que realmente poderiam me presentear com aquele que foi meu primeiro console, em Junho de 1990, o Master System II da Tectoy com Alex Kidd in Miracle World, na memória.

Para você ter ideia, naquele momento eu não tinha sequer ideia do nome dos jogos. Simplesmente quis o videogame, a Tectoy naquela época também fazia uma forte divulgação do Master System na TV com comerciais que passavam o tempo todo, durante os intervalos da programação.

E numa época em que não existia a facilidade da informação como existe hoje com a Internet, era muito difícil encontrar alguém que tivesse o mesmo videogame. Eu tinha o Master System, mas muitos amigos da escola tinham o Atari, meus primos tinham o Atari também, enquanto outros tinham o sistema Nintendo ou Clones do NES.

Os primeiros 6 meses com o Master System, eu jogava Alex Kidd, After Burner, Battle Out Run e Super Monaco GP.

O Atari me trouxe a ideia do que são os jogos de videogame

Uma coisa que a Tectoy fazia e que ajudava muito a saber quais outros jogos existiam no console eram os catálogos, que vinham junto com o cartucho. Esses catálogos eram grandes, você desdobrava e depois não sabia mais como dobrar. Neles eram exibidos imagens e um resumo dos jogos, tudo super bem organizado e dividido em categorias: Ação, Aventura, Esporte, e Jogos de Tiro para serem jogados com a Pistola Light Phaser, e nisso dava uma ideia dos acessórios compatíveis com o Master System.

Mesmo assim o catálogo não deixava de ser um papel com o nome de vários jogos, a questão era como conseguir jogar esses outros títulos.

Chegou um momento que meu pai descobriu um lugar perto de casa onde era possível alugar jogos, e me chamou para ir com ele. Chegando lá, enquanto meu pai fazia o cadastro e toda aquela coisa de primeira vez na locadora, fiquei olhando a prateleira de jogos.

A locadora era uma casa, entrávamos pela garagem e depois passávamos pela porta da frente para chegar no que seria uma Sala de Visitas. Na parede tinha duas prateleiras, o lado esquerdo com jogos de Master System e o lado direito com os jogos de NES. Tinha um balcão onde ficava o dono da locadora, e tinham duas TVs com os respectivos consoles para o que tinha nas prateleiras. Para jogar na locadora tinha que pagar, os consoles disponíveis serviam também para o dono testar os jogos antes de liberar a locação.

A partir daqui comecei a usar o catálogo da Tectoy para anotar os nomes e tentava alugar quando surgia uma oportunidade do meu pai me levar até a locadora. Vejam só, tentava alugar, porque dependendo do jogo, a procura era muito alta e a locadora era frequentada por pessoas de várias idades, claro que o pessoal mais velho já conhecia muito mais. Eu era apenas uma criança começando a gostar de jogos e ir atrás do que queria jogar.

Com o tempo, meu pai foi me deixando ir sozinho na locadora, nessas idas e vindas fiz amizades com outras crianças, e também houveram vezes de chegar na locadora e assistia outras pessoas jogando lá dentro, acabava aproveitando para conhecer outros jogos, de tabela, e assim fui pegando a ideia de como se virar na locadora.

O catálogo da Tectoy mostrava quais jogos existiam para o Master System

Quando já estava com uma bagagem boa do que jogar no Master System aconteceu uma nova mudança, 1991 foi o ano que a locadora recebeu o Mega Drive.

O dono da locadora havia comprado uma TV enorme que ficava no centro daquela Sala de Visitas, o Mega Drive ficava ligado com Sonic 1, Out Run, Golden Axe ou Super Ghouls ‘n Ghosts, ou seja, só a nata. As prateleiras de jogos do Master e NES foram empurradas para a garagem, e o espaço ficou para a nova prateleira dedicada aos jogos do Mega.

Nesse momento surgiu um interesse da minha irmã pelos jogos, ela queria um Mega Drive porque gostava do Sonic e tinha jogado na casa de uma amiga da escola. Só que isso foi bem complicado porque o Mega era caríssimo.

O tempo passou, e no Natal de 1991, minha irmã acabou ganhando um Dynavision 3, do qual ninguém tinha ouvido falar. Mas, afinal, que videogame era esse?

O Dynavision 3 foi um NES-Clone fabricado pela Dynacom (1981-2011), compatível com jogos do NES. Então, quem tinha Phantom System (um dos mais famosos), Geniecom (que era muito citado nas revistas), Hi-Top Game, Top Game, Turbo Game, enfim, quem tivesse qualquer um desses Clones do NES participava ativamente da biblioteca de jogos do sistema NES.

O diferencial desse Dynavision 3 era a existência de dois acessos que permitiam inserir cartuchos Americanos (72-pinos) e cartuchos Japoneses (60 pinos).

Até aquele momento, o único contato que tive com o ‘8-bit da Nintendo’ foi quando visitei um amigo da escola que morava em um sobrado enorme no Tatuapé, ele me mostrou o verdadeiro NES da portinha que abria e colocava o cartucho deitado, foi a primeira vez que joguei Super Mario Bros, Duck Hunt (com a pistola), Battletoads, e aquele primeiro jogo das Tartarugas Ninjas. Nem na locadora que alugava os jogos de Master tinha um NES para você ter ideia de como era caro esse console, na locadora tinha o Phantom System.

E de volta em casa com o Dynavision 3, minha irmã e eu acabamos conhecendo Super Mario Bros. 3 que foi o jogo que veio junto. E assim, meu pai que um dia me levou na locadora para aprender a escolher jogos de Master, aconteceu a mesma coisa quando foi a vez de levar a minha irmã para conhecer os jogos de NES, e de tabela gostei muito mais.

Sega e um sistema Nintendo estavam dentro de casa, e na hora da locadora meu pai colocava a regra: – Cada um escolhe um jogo.

Então, acontecia muito de sair da locadora com aquele combinado: um jogo de NES e outro de Master System, ou dois jogos de NES, ou quando saía briga era um jogo só, e ai de quem reclamasse.

Acredito que essa experiência de acompanhar dois sistemas me ajudou aproveitar sem fazer nenhum tipo de distinção entre melhor ou pior.

O Dynavision foi um facilitador para participar da prateleira do NES

Aquele ano de 1991 foi cheio de descobertas, é interessante lembrar assim o esforço da época para conseguir descobrir mais jogos para curtir, seja na locadora ou tentando encontrar alguém na escola que tivesse o mesmo console.

Agora, tinha uma coisa que eu também havia descoberto nesse mesmo ano, as Revistas de Games. Depois de folhear uma revista dessas, não tem jeito, um mundo era aberto diante dos meus olhos, era como se fosse uma ‘Internet de papel’, só que você precisava esperar um mês ou mais para novas informações.

As páginas dessas revistas traziam imagens dos jogos, nomes dos jogos, nome da empresa que fez o jogo, entender que Jogo X é para o console X, e jogo Y para o console Y, e também que, cada sistema tem sua particularidade técnica e seus jogos/acessórios exclusivos. Além de dezenas de propagandas chamativas de sistemas que nunca tinha ouvido falar.

As revistas traziam dicas dos jogos, e até detonados passo a passo, que ensinavam o leitor como conseguir chegar ao final do jogo. Você descobria que o jogo tem um final, e com certeza acabava fazendo disso um objetivo. As revistas traziam muitas informações, e também ajudavam a entender mais sobre todo aquele universo, assim como também ilustrava a concorrência entre cada sistema.

A primeira revista que lembro que meu pai trouxe para dentro de casa foi a VideoGame Nº 4 de Junho/1991, as publicações da Videogame até um determinado momento só exibiam jogos de Master System e NES e outros sistemas que faziam parte daquele momento, então ficava fácil conhecer os jogos sem precisar recorrer ao catálogo da Tectoy.

Logo em seguida veio a SuperGame Nº 1 de Julho/1991, também era muito focada nos sistemas da Sega. Porém, a Revista VideoGame foi a que mais apareceu em casa, talvez porque tinha os melhores detonados para Master e NES, e conforme acompanhava as publicações descobria mais informações.

O interessante daquela época é que uma coisa ajudava outra, as Revistas de Games traziam a informação, e a prova real acontecia dentro da locadora. Um jogo/console que era anunciado em uma revista e semanas ou meses depois acabava chegando na locadora.

Foi em uma publicação da VideoGame que vi informações sobre um tal Super Nintendo e Super Mario World. Até então, na locadora, o suprassumo era o Mega Drive que ficava ligado na enorme TV no centro daquela Sala de Visitas, bom, isso mudou no bairro quando o ano virou para 1992 e o Super Nintendo apareceu para dividir o espaço daquela enorme TV, só que esses sistemas 16-bits estavam bem longe da minha realidade. Quando conseguia jogar, era só dentro da locadora.

As revistas VideoGame e SuperGame me deram um norte do que fazer ao chegar numa locadora

No entanto, em casa ainda reinava a dupla Master System e Dynavision 3, até que apareceu uma nova experiência quando meu pai trouxe um MSX Expert, da Gradiente. Foi aqui o primeiro contato que tive com um computador. Para mim, enquanto criança, aquilo não fazia sentido nenhum, tanto é que a primeira pergunta que fiz foi – Dá para jogar nisso?

Um amigo do meu pai tinha conhecimento em informática e resolveu vender o MSX, meu pai achou interessante e comprou. Uma coisa que nunca me esqueço é o quanto meu pai gostava de eletrônica, e sempre que aparecia alguma novidade ele gostava de ler sobre o assunto, ou até mesmo acabava comprando quando surgia uma oportunidade ou promoção. No caso, a promoção foi do amigo de meu pai.

Foi então que conversando com meu pai, ele me disse que existiam jogos e precisaria ter um leitor de disquete onde era possível inserir os jogos, só que em casa não tínhamos nenhum.

O MSX também tinha um cartucho que trazia uma espécie de BIOS toda cheia de animações das capacidades daquele computador. Ao iniciar o sistema com essa BIOS, aparecia a seguinte mensagem após uma animação:

“Eu sou o Expert, um grande amigo seu. Vim para ajudar você e sua família!”

Sem o leitor de disquete e sem os jogos, a graça começava nessa BIOS e terminava em uma receita de sopa de ervilha, ficava por isso mesmo. Assistam abaixo essa rara BIOS e caso queira ver a receita da sopa de ervilha avance o vídeo para 8:12.

Muito obrigado ao Canal SpielGames pelo vídeo do MSX de extrema qualidade, isso aí jamais teria guardado!

Na locadora tinha prateleiras de jogos de videogames, e naquele ponto eu estava com um computador. A solução para isso aconteceu quando esse amigo do meu pai revelou que conhecia estudantes da USP e que dentro da universidade existiam pessoas que mexiam com informática, e com o MSX. Numa noite de 1992 que não lembro o mês, o amigo de meu pai apareceu em casa e entregou caixas de disquetes que continham jogos de A a Z, era  como ter ‘a página do Emuparadise dentro de casa’.

Em torno do MSX aconteceram vários momentos de pai e filho, meu pai tinha folhas de anotações com os comandos daquele computador, ele ditava os códigos enquanto eu digitava com o teclado, e assim os jogos funcionavam, sendo que alguns dava para jogar pelo teclado, outros jogávamos usando um controle do tipo manche, que aliás era um controle feito pela própria Gradiente, bem mais reforçado que o controle do Atari, digo isso porque no MSX tinha Decathlon e não quebrou depois de jogar.

Por mais que o MSX tenha sido interessante e me ajudou a conhecer outros jogos, a ideia do computador era muito diferente de ter um console. Primeiro, porque não dava para trocar jogos com ninguém. Segundo, ninguém conhecia esses jogos. Conclusão, não dava para levar o computador por exemplo, nas férias da praia.

O videogame sim era possível fazer isso, e ir para o litoral nas férias escolares era lei na minha família. Reuniam-se tios, avós e primos em Praia Grande e depois de curtir a praia durante o dia, todo mundo jogava Master System após o almoço ou na hora que ninguém assistia a TV do apartamento.

Também acabei conhecendo locadoras em Praia Grande, onde encontrei jogos que não tinham na locadora de São Paulo, sem contar que acabava criando novas amizades com crianças que traziam outro tipo de experiência daquilo que jogava.

Para ter ideia, a locadora de Praia Grande alugava jogos de Atari em pleno 1992, coisa que a locadora de São Paulo não fazia. Nessa aprendia mais uma, a realidade das locadoras era muito diferente dependendo da Cidade, até porque as locadoras dependiam do público que as frequentavam. De nada adianta ter jogos de um console X para alugar, se o público da cidade tinha console Y.

Uma coisa que não lembro era de ver jogos de NES na locadora de Praia Grande, talvez seja por isso que eu acabava levando o console da Sega, do qual com o tempo fui montando uma pequena coleção.

Do momento em que tive o Master System como primeiro console, às idas e vindas na locadora para conhecer os jogos enquanto começava também a acompanhar algumas revistas de games. Minha irmã que havia recebido um sistema compatível com os jogos de NES, e por fim, o primeiro contato com um computador, que no começo era sem graça, mas depois acabou se tornando uma fonte de novos jogos.

Quando 1993 chegou, novas mudanças aconteceram para melhor e também para pior. E eu contarei na 2ª Parte deste especial dos 10 Anos do Blog MarvoxBrasil. Até a próxima!

2 Comments

  1. Valeu pelo comentário, Cadu! É verdade, precisa mesmo valorizar o que temos e história é o que não falta. Valeu D+ pela visita!

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  2. Caramba, hein Marvox? Vc some, abandona a gente, mas quando volta, vem carregado! Ficou grindando enquanto estava ausente, né safado? hahahaha

    Cara, primeiro de tudo deixo meus parabéns pelos 10 anos de blog. A gente que tem um espaço desses sabe que não é fácil, é um hobby trabalhoso e ao mesmo tempo gratificante (já foi mais), então os parabéns vai para o blog e pra você também, claro.

    Um pouco da sua história com os games eu sabia, mas contada com tanta riqueza nos detalhes eu não lembro de ter visto antes. Curti demais!

    Relembrar as locadoras, as locadoras que eram casas na verdade, indicar os anos em que isso aconteceu, tudo sensacional. Já tô ansioso pela parte 2!

    Que legal que teve o Master e o NES, isso com certeza te fez gostar dos dois sem preconceitos ou, como vc mesmo disse, quaisquer distinções.

    E o MSX eu tive contato mais ou menos no mesmo ano, eu não lembro ao certo, mas na casa de um amigo. Achava o máximo ver os jogos por fita k7 carregando, aquilo era mágico pra mim. Talvez seja até hoje… kkkkk.

    Valeu Marvox, feliz aniversário de blog! Que venha a próxima parte!

    Abraço

    Curtido por 1 pessoa

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