Ed.Nº 164 – Moonfall [2017]

Analise

Histórias de terras distantes e reinos ameaçados. Personagens armados com espadas e magias. Percursos perigosos com inimigos sedentos para esfolar nossa coragem. Pano de fundo que nos faz viajar de forma incansável por jogos como Golden Axe onde precisávamos salvar vilarejos em chamas, e Ghouls ‘n Ghosts que trazia uma história de amor repleta de figuras diabólicas.

Temáticas medievais ganham tom diferente quando seus criadores tentam relacionar Fantasia com Ciência onde temos uma Era Medieval com maquinários que sabemos (pelos livros) que naquela época não existia tal tecnologia.

Imaginar Rei Arthur no século XIV enviando SMS para sua tropa ou Alexandre, o Grande, com um GPS na mão é algo que nos games fica muito interessante e nos oferece o universo da Fantasia-Científica, resumidamente, Steampunk.

Podemos pegar, por exemplo, Strife: A Quest for Sigil (atual Strife Veteran Edition), que trouxe para o PC em 1996 um enorme reino medieval com aranhas robôs saindo de dutos de ventilação, cientistas que trabalhavam com TI e tínhamos até comunicação por voz a longa distância, coisas que podem acontecer em jogos desse estilo.

Na edição 164, vamos conhecer as belezas do mundo gótico industrial de Moonfall, com cenários que fazem os olhos brilharem de vontade para explorar cada canto deste Action-RPG/2D. Uma produção indie que contou com apenas 7 pessoas na Eslováquia.

Moonfall (PC [Análise])
Desenvolvedor: Fishcow Studio
Publicado por: Fishcow Studio
Lançado em: 12/04/2017

[Tempo de leitura: 10 minutos]

 

Na fronteira com República Checa, Polônia, Ucrânia, Hungria e Áustria (país do Arnold Schwarzenegger) temos um pequeno país que até 1993 era parte da Checoslováquia (de onde vinham a maioria dos desenhos do Glub-Glub, principalmente aqueles feitos de massinha). Esse pequeno país é a Eslováquia ou República Eslovaca onde a Fishcow Studio existe desde 2011.

Com a ajuda da distribuidora alemã Daedalic Entertainment, responsável pelo jogo Deponia, a Fishcow lançou o jogo Gomo no Steam, uma aventura point’n click que fala sobre amizade e superação de uma forma bem humorada e atual. Dois anos depois do primeiro trabalho, o grupo Fishcow procurou fazer algo diferente. Rabiscaram desenhos no papel e após muito esforço nasceu o universo de Moonfall com seus personagens e cenários desenhados e pintados à mão.

Todo em 2D com rolagem horizontal e compatível com os controles Xbox 360/Xbox One, podendo também ser aproveitado apenas no Teclado e sem encostar a mão no mouse, tudo graças aos comandos simples que fazem o jogador sentir-se em casa desde o primeiro desafio até o final.

 

Assim que o jogo começa uma história é contada…

Terra Nihill começou como um continente que esbanjava juventude em sua natureza, da qual, serviu de berço para o início de diversas culturas que se instalaram em suas regiões. Algumas eram mais desenvolvidas do que outras, sem desmerecer as terras grandes ou pequenas, tudo era balanceado em paz e estabilidade graças a sabedoria dos reis que lideravam cada região.

The Empire, é a região do lado Leste onde o desenvolvimento acontecia de forma mais lenta, em compensação sua história local é muito rica e cheio de figuras históricas. Daqui saiu a matéria-prima para a existência das regiões vizinhas. Quando Lorand III foi coroado houve uma mudança, o nascimento de uma Nova Era.

Suas pesquisas trouxeram um novo elemento mágico, como se fosse uma nova forma da região prosperar, esse elemento chama-se Lunarium. Uma fonte de energia infinita extraída da luz e do calor abundante da região de Empire. A produção do Lunarium foi muito útil para o setor Industrial e Comercial. The Empire começou a crescer de forma acelerada como uma Revolução Industrial.

Quando Lorand III faleceu o trono ficou para seu filho, Thelonius. Durante essa troca de poder, Emperor começou a sofrer pequenas invasões por povos que viviam em locais muito afastados, mas que de alguma forma souberam da morte do rei e quiseram aproveitar esse momento de fraqueza da região imperial. E os ataques começaram pelo grupo, The Savages.

Já estava na hora do príncipe, atual rei, começar e honrar todo o trabalho feito por seu falecido pai. Thelonius colocou em prática seu planejamento de guerra para impedir o avanço dos Savages, além de, descobrir quem está comandando esses ataques.

A história de Moonfall começa na região de Margo em uma rota comercial conhecida como Mercado do Outono, com várias barracas e lojas móveis que mudam de lugar de tempos em tempos, como se fossem um grupo de ciganos. Tudo é uma grande estratégia onde todos os soldados do império estão disfarçados de simples comerciantes para conseguir chegar de forma despercebida até o fundo dessas ameaças que abalam o reino.

Para desbravar as localidades de Terra Nihill será necessário escolher uma das 3 Classes que o jogo oferece: Vanguard (Guerreiro), Elementalist (Alquimista) ou Shadow (Furtivo). Cada uma contém suas próprias habilidades que tornam o percurso bem diferente.

Como Vanguard, os combates serão mais ágeis e bruscos pela força que o personagem adquire pelo caminho, ele carrega um escudo que evita ataques pela dianteira, uma das habilidades quando desbloqueada permite atropelar os inimigos que estão no caminho como se fosse um touro de metal. No entanto, o Elementalist tem a ajuda de magias e poções que proverão táticas para derrubar os inimigos antes mesmo deles chegarem perto. Agora, se você gostar mais de um personagem que se movimente como o vento entrando e saindo sem chamar atenção poderá jogar com o Shadow.

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Grupos que ameaçam a paz

O início da jornada acontece na região pantanosa com lagos de águas turvas onde peixes com mandíbulas afiadas saltam da água e correm na sua direção, cavernas escuras que quando você se dá conta dá de cara com lobos raivosos rosnando do seu lado, nesse clima convidativo vive o grupo chamado Tribal. Eles moram em construções muito simples que parecem ocas e costumam sempre adorar seus inúmeros totens espalhados pelo caminho.

Os Tribais compartilham suas terras com uma população isolada nas profundezas do bosque, o ambiente deste lugar é inquietante com crânios espalhados pelo caminho e vestígios de pura guerra sem fim, liderado pelo impiedoso Skeletal. Mais adiante temos um enorme castelo com paredes de metal com vários andares interligados por elevadores. Todo esse requinte é controlado pelo grupo The Savages, armados até os dentes com bestas que lançam flechas envenenadas.

Nos dois parágrafos acima temos praticamente as 6 horas para conseguir terminar Moonfall, jogo dividido em três etapas. Cada uma delas permitirá o contato direto com os grupos que ameaçam Terra Nihill enquanto o jogador acompanha a evolução do enredo oferecido em apenas 13 missões. Parece mesmo que o jogo é pequeno, mas dentro desse caminho temos impasses com mais de 60 inimigos, incluindo chefes no final de cada etapa e que são os líderes de cada grupo, esses confrontos preparam o personagem para o desfecho que é de tirar o fôlego.

Tendo escolhido entre Vanguard, Elementalist ou Shadow, o sucesso da sua missão será pago em ouro e no aumento da experiência do personagem, o que resultará em um preparo maior para resistir aos ataques que ficarão mais pesados, emanar magias mais poderosas e expandir o acúmulo de sangue e mana.

Para isso existe uma Árvore de Habilidades (Skill Tree) que pouco a pouco o jogador começará a desbloquear recursos capazes de atropelar os capangas mais desatentos.

Mesmo que a interface e seus textos estejam todos em inglês, as missões são bastante didáticas e durante a exploração das fases existe um mini mapa que pode ser expandido na aba “Map” que ajuda a indicar onde o jogador está e por onde já passou.

Junto com as missões principais existem as missões secundárias como resgatar prisioneiros (não são side missions), normalmente são guerreiros que trabalhavam na mesma tropa do jogador, mas infelizmente foram capturados. Resgatá-los garante ajuda ao jogador durante os combates, em reconhecimento da sua nobre atitude.

 

A arte de xeretar cada canto

A exploração dos mapas resultam em descobertas interessantes ao achar baús escondidos que podem conter uma espada ou armadura bem mais resistente. A partir da 2ª etapa onde os Skeletals começam aparecer, o jogador encontrará pela primeira vez o Black Market Trader que pedirá ajuda para completar uma “dirt mission” e se bem atendido dará ao jogador um presente para escolher.

Normalmente são dois objetos oferecidos de forma aleatória, só podemos escolher um e costumam ser bem valiosos como espadas com veneno que resultam em ferimentos secundários nos inimigos, e quem sabe pode aparecer amuletos que aumentam seu poder de ataque.

Os perigos de Terra Nihill não são apenas relacionados aos inimigos. Caminhar pelos ambientes requer diversos cuidados pela existência de armadilhas espalhadas pelo chão, o lance é olhar para frente e prestar atenção onde pisa.

Nos pântanos precisamos tomar cuidado com as sementes de cor amarela e que ao pisar viram pó e podem intoxicar o personagem. Na região do bosque, os Skeletals esbanjam suas armadilhas que aprisionam o jogador por alguns segundos tornando alvo fácil para os inimigos. Alguns baús, quando abertos, podem conter armadilhas também. Quem lembra de Magic Sword no Super Nintendo vai entender o que é a ganância da curiosidade.

Os grupos sabem que a sua chegada não é para fazer uma visita, logo será possível ouvir trombetas e tambores de guerra com criaturas que surgem de vários ângulos, em alguns momentos fique atento ao cenário para descobrir e colocar fim naquilo que está chamando a atenção dos inimigos de um determinado grupo para fazê-los parar de chegar.

Mesmo Moonfall sendo um jogo de 2017 isso não quer dizer que ele seja muito pesado e ocupa quase 2GB de espaço no HD. Sua configuração é bastante modesta ao pedir apenas 2GB de RAM, e no mínimo sistema operacional Windows XP, com placa de vídeo de 256MB de RAM, é compatível também com sistema Linux. Podendo ser adquirido pelo site oficial da Fishcow com DRM-Free ou na loja Steam com a disposição de 18 conquistas para desbloquear.

Jogo de curta duração com muita aventura e alto fator replay, vários slots para salvar a Campanha ou iniciar um novo jogo para conhecer os outros personagens. Aproveitei para conhecer o andamento das três Classes e foi sensacional, ainda mais com a trilha sonora deliciosa para sair assoviando sem nem perceber.

A Fishcow com a ajuda da comunidade tem trabalhado para o jogo ficar cada vez melhor, os criadores pretendem inserir a possibilidade de partidas multiplayer e modo cooperativo, quem sabe, novas formas de desbravar Terra Nihill.

A edição 164 fica por aqui, aproveitem para conhecer um pouco mais, aqui embaixo, vocês podem conferir a galeria com imagens capturadas durante o jogo. Esta análise é dedicada também ao Dia das Crianças por Moonfall ser um jogo agradável e cheio de desafios interessantes para descobrir em qualquer idade.

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo. Fundador/Autor do MarvoxBrasil. Cofundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 9 de outubro de 2017, em Análises, PC e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Jogo bem interessante com um enredo atraente viu quem sabe um dia eu não jogue ele gostei da trilha sonora dele vendo nesse trailer ai vou dar uma conferida depois.

    Curtido por 1 pessoa

  2. A ideia de colocar soldados disfarçados de comerciantes ficou interessante. Alguns jogos me afastam por serem muito “manager” muitos itens etc, mas moofall parece ser um jogo retrogame medieval com belíssimos gráficos e jogabilidade sem rodeios. Lendo seu texto eu senti um clima imenso de história da europa, imagine um europeu jogando isso, é quase como jogar um game paradidático.

    Curtido por 1 pessoa

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