Ed.Nº 163 – Wonder Boy: The Dragon’s Trap [2017]

Analise

Existem games que nunca envelhecem, podendo passar anos sem dar sinal de vida, e quando aparecem conseguem agarrar muitos pelo coração. Em quase 50 anos da indústria dos games nunca se viu tantos resgates de nomes marcantes, talvez desde 2013 com o remake de Castle of Illusion, logo veio DuckTales pela WayForward, até chegarmos no atual Wonder Boy.

Você imaginou que em pleno 2017 estaria jogando algo novo relacionado a Wonder Boy, e ainda, Dragon’s Trap? Justo esse que trouxe tanta história para quem viveu a época do Master System. É um verdadeiro golpe do Scorpion – “Get over here!”

E aí vemos o quanto que os games das gerações 8 aos 32-bits foram importantíssimos para semear essa quantidade de revivals, muitos jogaram suas versões originais e elas estão aí refeitas para serem curtidas do começo ao fim de novo. Com certeza ainda estão faltando muitos nomes, mas não dá pra negar que essa década surpreende cada vez mais.

Na edição 163 vamos acompanhar a análise de Wonder Boy: The Dragon’s Trap, game produzido pela Lizardcube, e publicado pela DotEmu.

Wonder Boy: The Dragon’s Trap (PS4, NS, XB1, PC[Análise])
Desenvolvedor: Lizardcube
Publicado por: DotEmu
Lançado em: 18/04/2017

[Tempo de leitura: 8 minutos]

Dragon’s Trap começa exatamente onde Monster Land termina, no enorme castelo do Dragão Meka em uma batalha forjada maliciosamente para aprisionar o herói principal que mesmo ao matar o Dragão e trazer uma vitória (duvidosa?) faz o protagonista ser engolido por um feitiço que só será desfeito com o poder da Salamander Cross, e antes disso acontecer existirá uma grande aventura repleta de localidades marcantes, inimigos maldosos, guerreiros cheios de habilidades para encarar os Dragões que comandam cada região ao redor do Castelo.

É possível viajar por cada região livremente sem paredes, não é um jogo onde existe uma sequência de fases com tela de status e pontuações como acontecia no jogo anterior, temos aqui um mundo aberto do jeito como era em 1989 quando o jogo apareceu pela primeira vez no Master System.

O remake de 2017 funciona de uma forma muito interessante, temos o visual novo e existe a possibilidade de voltarmos no tempo e jogar na forma como era sem sair do jogo, com apenas um botão o visual novo muda para o que tínhamos na época e o mesmo acontece com a trilha sonora, sendo possível misturar visual novo com trilha sonora antiga. Cheguei a fazer muito isso na área do Deserto e foi legal ver como o jogo é versátil com essa combinação, novo e antigo se encaixam tranquilamente na brincadeira.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Mas vamos falar dos nossos heróis, enquanto que Monster Land era sempre o mesmo personagem, o jogador em Dragon’s Trap terá o controle de 5 heróis. Cada um com suas forças e fraquezas, tecnicamente é um jogo de RPG porque cada arma, armadura e escudo possuem números que quando estão adequadamente combinados possuem efeitos que protegem o personagem que está sendo utilizado naquele momento.

Vamos conhecer cada um, veja que fácil decorar suas habilidades:

Piranha-Man (o que consegue nadar), Mouse-Man (o que consegue grudar na parede/teto) Lion-Man (o que tem o melhor ataque), Hu-Man (o que precisa ser salvo), Lizard-Man (o que atira foguinho) e Hawk-Man (aquele que voa).

O jogador iniciará a aventura com Hu-Man para derrotar novamente o Dragão Meka, após a vitória uma chama aparecerá para transformá-lo em Lizard-Man. O Castelo começa a desmoronar, precisamos fugir antes que tudo venha abaixo. A fuga nos leva para o verdadeiro marco zero de Dragon’s Trap que é o Vilarejo, nele o jogador encontrará a Loja de Equipamentos, Hospital para recuperar o marcador de energia em formato de coração e outras portas que o levará para câmaras e outras regiões. Quando o jogo iniciar, o jogador verá 8 corações no alto da tela, a partir do Lizard-Man só restará 1 coração, e assim é colocado como um dos objetivos reencontrar os 7 corações que sumiram.

Todas as regiões do jogo são parcialmente conectadas como se o jogador estivesse fazendo a volta ao mundo, é possível andar de uma ponta a outra do jogo, o que vai impedir o personagem de avançar em certos momentos é a falta do equipamento certo, já que dependendo da região poderá encontrar inimigos muito fortes para o jogador enfrentar, aquela coisa de, mesmo que o jogo nos permita xeretar o lugar ainda não é o momento.

Para entender a periculosidade dos inimigos é importante prestar atenção na coloração deles, Vermelho (fracos), Verde (medianos) e Azul (fortes), faça de tudo para não encostar nos inimigos azuis, eles tiram muita energia independente da armadura que o personagem estiver vestindo. A novidade desta versão 2017 são os inimigos Amarelos (bem mais fortes) e que só aparecem em pontos escondidos do jogo chamado de “O Desconhecido“. São áreas novas que existem apenas neste remake para o jogador explorar e encontrar um objeto que não está presente durante o jogo como acontecia antigamente, as gemas de coloração avermelhada.

Outras mudanças menores, a Thunder Sword ou Poder Trovão, a espada capaz de abrir caminhos barrados por blocos. Essa espada agora é um Anel que leva o mesmo nome – Anel do Trovão. A parte mais dinâmica foi a transformação da Espada Tasmanian, agora com o poder de trocar de personagem na maior facilidade e sem pedir que o jogador vá até a “Câmara do Teleporte”. Para trocar o personagem, escolha a Espada Tasmanian em seguida faça essa sequência (Pule, segure para Cima e aperte o botão de ataque) e a transformação estará feita, se estiver com Lizard-Man trocará para Mouse-Man e assim por diante. Lembre-se, cada personagem possui uma habilidade diferente e chegará uma hora que o jogador abrirá caminhos com todos os 6 personagens, sinergia pura.

Na versão do Master System e desfecho acontecia apenas com o resgate de Hu-Man, enquanto que no remake existe aquele algo a mais para a aventura não ficar por isso mesmo pela adição da exploração do reino Desconhecido e a caça das gemas.

Esta nova produção é feita para todos os públicos, o jogador pode escolher se quer jogar como Wonder Boy ou como Wonder Girl, tem ainda opções de dificuldade entre Fácil, Normal e Difícil. Se escolher a maior dificuldade aparecerá uma ampulheta no alto da tela perto dos corações, cada vez que a ampulheta virar ocorrerá a subtração de um pedaço do coração, isso é algo já visto em Monster Land e nas versões Arcade de Wonder Boy.

O trabalho que a Lizardcube fez, chamar de remake é pouco, foi uma homenagem ao profissionalismo da Westone e uma carta de agradecimento para os gamers que tiveram a oportunidade de curtir o Master System. Wonder Boy III: The Dragon’s Trap é um trabalho que já se mostrava completo, conseguiu reunir em um só jogo diversos detalhes que se mostravam novos naquele momento e chegou a ser GOTY de 1989 dentre os jogos de Master System daquela época.

Resta saber se acontecerá o remake de Wonder Boy in Monster Land já que a primeira aventura apareceu no ano passado como Wonder Boy Returns. Enquanto isso em breve teremos Monster Boy and the Cursed Kingdom, vale a pena dar uma olhada pelo Youtube em vídeos da Gamescom 2017.

 

Versão brasileira TDM Mod Team

E por falar em se fazer presente, assim como Dragon’s Trap ganhou remake, se é para o Dragão Meka voltar refeito, por quê não a Mônica? Uma surpresa sem igual no trabalho feito pela equipe TDM Mod Team onde é possível substituir todos os heróis pela Mônica, Cebolinha, Bidú, Magali e Anjinho. Turma da Mônica em: O Resgate “remake” existe.

Para os gamers mais novos entenderem, a Westone lançou Wonder Boy in Monster Land em 1987 e Dragon’s Trap em 1989, a distribuição oficial do console Master System no Brasil começou a acontecer em 1990 por meio da Tectoy, e a forma como muitos conheceram esses dois jogos foi assim.

Mônica no Castelo do Dragão, (1991) e Turma da Mônica em: O Resgate, (1993) faziam o papel dessas duas histórias da Westone, Monster Land e Dragon’s Trap, no Brasil. Eram hacks oficiais feitos em parceria da Tectoy com Mauricio de Souza Produções e deu muito certo na época.

Joguei muito esses games da Mônica sem saber que a personagem dos quadrinhos tomava o lugar do herói de Wonder Boy. Aqui no Blog tem o guia da Mônica no Castelo do Dragão para conferir os caminhos e segredos até o final, [clique aqui] para acessar o passo a passo.

Dragon’s Trap no PC chegou alguns dias depois da versão para Consoles, e logo que o jogo apareceu o Mod também chegou com tudo. Com uma simples substituição de arquivos do jogo no PC, haverá uma transformação que fará o jogador enxergar os personagens de Mauricio de Souza. Infelizmente o Mod não é oficial ou compartilha dos direitos autorais, não importa, só o timing que essa equipe conseguiu para liberar o Mod gratuitamente foi sensacional. Depois de terminar The Dragon’s Trap com a roupagem de Wonder Boy, fiz o mesmo com a Turma da Mônica.

 

O que mais podemos curtir?

Na edição Nº 4 da Revista Jogo Véio, existe uma entrevista sem igual com a equipe que fez o Mod para o atual Dragon’s Trap, uma galera que merece tudo que há de bom por se preocupar em trazer esse trabalho feito com tanta paixão. Acompanhe a entrevista e a matéria com várias curiosidades sobre esses jogos da Mônica dos anos 90, a partir da página 16 [clique aqui].

Também é possível acompanhar a saga Wonder Boy e Mônica pelo canal Jornada Gamer no Youtube, em Agosto/2017 começamos a exibir os longplays desses jogos para você assistir sempre que quiser, táticas em Dragon’s Trap de Master System funcionam muito bem no remake, fica a dica para se inscrever no canal.

 

A edição 163 fica por aqui, joguem Wonder Boy: The Dragon’s Trap ou Mônica: O Resgate, confira na galeria abaixo imagens de vários momentos desta aventura que fez parte da vida de muitos gamers. Até a próxima!

Anúncios

Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo. Fundador/Autor do MarvoxBrasil. Cofundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 14 de setembro de 2017, em Análises, PC, PS4, Switch, Xbox One e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. É incrível quando vemos jogos como Dragon’s Trap se fazendo presente nos dias de hoje, tanto para reabraçar os gamers que curtiram a época do Master System quanto aqueles que estão conhecendo agora. Fico curioso para saber o que mais vai aparecer.
    Grande Abraço, você é sempre bem-vindo aqui no Blog! Aliás, sua Locadora está impecável! \o/

    Curtir

  2. Fala Marvox, dando uma passada aqui! Faz tempo que não visito >..<
    Mas logo que entrei já vi esse post do Wonder Boy e li diretão!
    Joguei esse jogo de cabo-a-rabo e fiz tudo que podia nele no meu ps4 de guerra e posso dizer que esse jogo é maravilhoso, que não jogou TEM A OBRIGAÇÃO de jogar! É uma homenagem sem limites para aqueles que viveram a época mágica de Master System e cia.
    Infelizmente meu PC não roda esse jogo devido as configurações baixas, mas fiquei muito feliz em a Mônica nele! Um dia quem sabe consiga jogar.
    Excelente texto Marvox, parabéns cara!! Grande Abraço. Ivo!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Esta ai um clássico das antigas que merece respeito viu não cheguei a jogar série quando tinha meu Master System mas quem sabe um dia jogue esse jogo.

    Curtido por 2 pessoas

  4. Tem jogo que quando a gente escreve não dá pra esconder a satisfação, ver trabalhos como esse em Wonder Boy, como Sonic Mania, Double Dragon IV também não fica de fora, fico pensando no que mais está sendo preparado para os próximos anos. Onde e no que irão mexer? Sempre torço para que saia algo bom.
    Legal ver que o texto te fez rir, acho que a última vez que isso aconteceu foi no review da Giana Sisters kkkk. Valeu Ulisses, Grande abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  5. Esse lance do Mod não estar disponível no console é tenso, acredito que muitos tenham tido contato com Dragon’s Trap na época com a versão da Mônica o Resgate, falando por mim só fui ver Dragon’s Trap original por emulação.
    Valeu Cadu, grande abraço!

    Curtir

  6. Valeu Vigia! Impressionante acompanhar também as ideias que a comunidade do jogo vem tentando trazer, tivemos o Mod da Mônica e tem uma galera querendo fazer o mesmo com a versão do PC Engine, o problema é uma certa empresa que começa com Ko[…] que não está muito afim que isso aconteça. Torço para que a longevidade do jogo cresça!
    Grande abraço!

    Curtir

  7. Golpe do scorpion kkkkkkkkkkkk mas vem cá Marvox, estamos numa época que tem fatalities até demais neste termo de resgatar o passado, tem coisa boa mas também tem muito get over here só de zueira para pegar nostálgicos de plantão kkkkkkkkkkkkkk
    claro, aqui estamos disnte de um belíssimo trabalho e não um caça níquel.
    É bem por aí mesmo Marvox, a importância dos jogos 8 e 16 bits está comprovada aí, eles não são esquecidos. Existe um livro do Italo Calvino que se chama ” Por Que Ler os Clássicos” e lá o autor descreve algumas definições de clássico. Veja só se não tem tudo a ver com os nossos queridos jogos antigos:

    “Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem
    como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória,
    mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.”

    Os jogos antigos também são assim, pelo menos os clássicos, aqueles jogos que marcaram a gente e continuam por aí, influenciando outras pessoas e gerações.

    Essa mudança de visual e musicas ao apertar de um botão é sensacional, se eu não me engano tem um R-Type no XBOX ou PS3 que faz o mesmo, um recurso emocionante mesmo, passado e presente ao apertar de um botão. Wonder Boy e todas as suas ramificações são um universo à parte para mim, preciso conhecer e jogá-los a sério, parece loucura mas é tipo um Final Fantasy, que nunca joguei mas de alguma está presente em outros jogos… clássicos Marvox, malditos clássicos! Kkkkkkkkkkkk ótimo texto, abração!

    Curtido por 1 pessoa

  8. Tô doido pra jogar, saber que existem extras em relação ao original me atiçou ainda mais. Pena que não consegui pegar a versão física da Limited Run Games.
    Pena maior é o mod não ser aplicável em consoles, seria bem épico e nostálgico jogar com a Turma da Mônica.
    Excelente review, Marvox!

    Curtido por 2 pessoas

  9. Eita rapaz, esses inimigos amarelos devem ser o caramunhão hein… que bom que facilitaram a troca dos personagens e colocaram uns extras. Excelente Marvox! Sei o quanto vc gostava do original e deu pra perceber que gostou muito desse também!

    Curtido por 2 pessoas

Venha comentar e compartilhar sua experiência!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: