Ed.Nº 162 – Mother Russia Bleeds [2016]

Analise

Fala gamers do Brasil! Chegamos a mais uma edição aqui do Blog e desta vez o assunto é, soco na cara, chute na bunda, voadora no peito e… seringas!? Cuidado com essa agulha, porque vamos falar sobre uma das criações mais recentes trazidas para o gênero beat’em up – Mother Russia Bleeds, uma produção Le Cartel Studio, disponível para PC e PS4.

Ao longo dos anos vimos um grande número de games e gêneros que receberam investimentos e atualizações, e quanto ao beat’em up, será que ele foi deixado mesmo de lado?

Mesmo que possamos encontrá-lo dentro de alguns jogos, como por exemplo, Sleeping Dogs em que na maior parte dele pode ser enxergado como um beat’em up tridimensional. Talvez como antigamente, em que tivemos Fighting Force, é um dos últimos nomes assim que consigo me lembrar.

No entanto, um jogo que traga o beat’em up raíz mesmo, como víamos em Streets of Rage, Final Fight ou Cadillacs & Dinosaurs, parece que é difícil para a indústria querer criar algo assim. Foi o que pensei até conhecer, Mother Russia Bleeds.

Acompanhe a edição 162 para saber como o jogo funciona, o enredo, o histórico de criação e a tonalidade do desafio, separa aí seu copo de vodka.

Mother Russia Bleeds (PC [Análise], PS4)
Desenvolvedor: Le Cartel Studio
Publicado por: Devolver Digital
Lançado em: 05/09/2016

[Tempo de leitura: 11 minutos]

 

Mesmo que o jogo tenha sido publicado com a marca da Devolver Digital, Mother Russia Bleeds já estava em produção desde 2013 sem que a publisher estivesse envolvida. Tudo começou quando o game designer Frédéric Coispeau trabalhava na Ubisoft Paris e resolveu seguir para um novo rumo, a ideia dele era criar um jogo que remetesse a boa e velha época dos jogos que fizeram parte da sua infância regada a Streets of Rage, Double Dragon e Renegade. Pois é, ele que já era fã do gênero queria fazer algo relacionado a isso.

Com o tempo, Frédéric conheceu o WebDesigner, Alexandre Muttoni, e juntos fundaram o estúdio Le Cartel Studio. Logo apareceram Florian Reneau, responsável pela Programação do jogo, e Vincent “Fixions” Cassar, que cuidou da trilha sonora. A surpresa só viria a partir do primeiro trailer do jogo que apareceu em 2014.

No primeiro trailer, o jogo trazia um estilo artístico muito semelhante ao Hotline Miami, e por muita sorte, o vídeo acabou sendo assistido pela própria dupla Söderström e Wedin, os criadores de Hotline entraram em contato com Frédéric e aconteceu a ligação entre a Le Cartel e a Devolver que ajudou com a distribuição, propaganda e fez Mother Russia Bleeds chegar com mais facilidade para o público.

 

Em 1986 a Rússia passava por uma onda de revolução e manifestações. O Governo não queria que as coisas mudassem, e por coincidência, pessoas começaram a desaparecer.

Um grupo liderado pelo ativista Vlad saiu para investigar e descobriram a existência de uma organização criminosa que tem como objetivo fazer as pessoas desistir dos protestos, e eles faziam isso de duas formas, com drogas ou morte. A organização oferecia uma substância chamada Nekro que causava uma sensação de bem-estar, não dava fome, a pessoa se sentia tranquila e sem pensar em nada importante, só queria usar mais e mais. Praticamente essa organização fazia o trabalho de alienar os consumidores com o uso dessa substância.

A Nekro começa a passear por várias localidades da Rússia até chegar na comunidade onde se encontram os quatro personagens que o jogador irá escolher para conseguir chegar até o final de toda essa trama. Vamos conhecer cada um deles, da esquerda para a direita, Sergei, Ivan, Natasha e Boris.

   

Sergei – Vive em uma comunidade cigana no interior. Ele é orgulhoso, carismático, impulsivo, pávio curto e tem sempre uma resposta pronta. Ele adora caçoar dos inimigos.

Ivan – É o mais velho do grupo. Ele é mais calado, mais sério, mas também mais agressivo que os demais. Adora destruir, pulverizar ou quebrar coisas com as próprias mãos.

Natasha – É a caçula impetuosa do grupo. Ela nutre apenas desdém pelos inimigos. Uma lutadora sanguinolenta, ela tem prazer em esmagar qualquer um que estiver em seu caminho.

Boris – É o desvairado do bando. Por ser totalmente insano, ninguém realmente sabe o que se passa pela cabeça dele. Este assassino selvagem e imprevisível deveria estar em um manicômio.

Mother Russia Bleeds pode ser jogado sozinho ou com até 4 jogadores simultâneos, em multiplayer local, assim como eram alguns beat’em ups do Arcade. Mesmo que o jogador não tenha alguém para dividir a jogatina é possível ativar os outros personagens que funcionarão como bots, a programação do jogo consegue ser tão boa que você nem percebe que está jogando sozinho, como podemos ver na imagem abaixo.

Dentro dessa história envolvendo pessoas desaparecidas estão os personagens que acabamos de conhecer, o jogador verá o quarteto aprisionados e deitados no chão, de tempos em tempos uma pessoa aparece para injetar uma nova dose de Nekro em cada um do grupo. Tudo isso é assistido pela tela de uma câmera instalada na cela. Dependendo de qual personagem você escolheu iniciar a aventura, ele ou ela se levantará para começar a descobrir como foi parar lá e quem está por trás disso. Assim que o jogo começa, a tela da câmera sai e vemos tudo do jeito normal.

Todo o jogo possui legendas em Português do Brasil que aparecem acima da cabeça dos personagens na forma de balões, com uma linguagem bastante coloquial mesmo e carregado de muitos palavrões durante as conversas. Textos rápidos e sem enrolação, se o jogador acompanhar as conversas poderá conhecer outros nomes que dão vida ao enredo do jogo.

Mas para chegar até o final, primeiro precisamos escapar dessa prisão. Claro que não será nada fácil, as sirenes começarão a soar tão rápido quanto dezenas de policiais que aparecerão pelo caminho, sem contar outros detentos que adoram uma boa briga e estão prontos para explodir uma rebelião. A festa ganhará um novo tom, roxo de hematomas e vermelho sangue, e se vocês clicarem no player abaixo, poderão ouvir as sirenes e a trilha que embala esse momento.

Uma chuva de cadeiras, vasos sanitários e papéis higiênicos flamejantes com a tela carregada de presos e força-tarefa, ninguém é de ninguém. É hora de abrir caminho no meio da muvuca, esmurrar quem precisar e ficar atento com a barra de energia, os portões para a rua estão lá na frente e isso será apenas um passo dado rumo ao final.

Todo o jogo acontece em um período entre Fevereiro e Março de 1986, as fases são divididas em 8 Capítulos que pouco a pouco explicam para o jogador as conspirações existentes nessa grande revolução contra a droga Nekro.

A caminhada fica cada vez mais curiosa a medida que o jogo avança, fases cheio de variedades dos mínimos detalhes aos maiores com direito a Easter Eggs e situações obcenas em alguns estágios. Chegar ao final não é uma tarefa complicada, coisa que acontecerá em torno de 1h30 a 2h, com direito a dois finais, bom e ruim. As primeiras vezes que joguei só conseguia fazer o final ruim, mas assim que o jogo acabava eu retomava do zero até entender como fazer o final bom aparecer.

Essa é a parte invejável de Mother Russia Bleeds, é desafiador independente de jogar no Fácil, Normal ou Hardcore. Os comandos são práticos e ágeis a ponto do jogador apertar start e já saber o que fazer. É dar socos, pular, dar voadora, meter carrinho, agarrar um inimigo pelo pescoço e arremessá-lo contra um grupo fazendo todo mundo ir para o chão. Tem como socar os inimigos caídos sem ficar esperando que eles se levantem para continuar a golpear. Fora a quantidade de objetos usados como arma branca ou arma de fogo.

Dentro dos comandos existe ainda um nivelador de força, é possível carregar o soco segurando o botão por alguns segundos, logo suas mãos começarão a tremer porque esse comando ativa a vibração do controle, quanto mais forte for a vibração o impacto no inimigo será o maior possível na hora de soltar o soco.

Outros detalhes assim menores, é possível ligar/desligar a função do Friendly Fire, ou seja, se desligar seus golpes não acertam o seu amigo, caso esteja jogando com mais pessoas. E no mais, todas as fases possuem no final Status com pontuações que entram em um ranking geral com outras pessoas que também possuem o jogo.

Só faltou multiplayer online para a coisa ficar 100% mesmo, não entendo o motivo da Le Cartel não ter inserido essa opção. Tirando isso, é um jogo que merece ser aproveitado por todos que jogaram e ainda jogam beat’em up nos anos 90. Mother Russia não chega a fazer homenagens a títulos do passado, mas em alguns momentos acontece de enxergar certas passagens, como por exemplo, na fase da Cidade em que aparecem motoqueiros em uma ponte e me lembrou do jogo Vigilante.

 

Nekro, Berserk e seringas coloridas

Durante o jogo não será possível encontrar frango em lata de lixo ou maçã em cabine telefônica, para que o personagem recupere o sangue da barra de energia ele precisa injetar uma dose da Nekro no próprio corpo. A seringa comum é a de cor verde que possui 3 doses e ela já fica habilitada desde a primeira jogada.

Para injetar aperte “LT” no controle, agora se você apertar “RT” então você ativará o modo Berserk, a imagem ficará levemente turva, a música e o jogo  e seus golpes ficam muito mais poderosos por alguns segundos, mas o líquido da seringa ficará quase a zero, só um restinho mesmo será possível enxergar, já que o personagem injetou quase tudo.

Para recarregar a seringa com uma nova dose para algum momento que precise, fique atento aos inimigos caídos no chão, aqueles que estiverem se contorcendo, agonizando prestes a morrer no chão, rapidamente encoste neles, aperte e segure “LB” e logo perceberá o líquido entrando na seringa. Tente fazer o mais rápido possível porque a duração dos inimigos agonizando no chão é curta e logo eles param de se contorcer. Isso serve também em partidas com mais jogadores, se o seu amigo ou amiga estiver no chão, chegue perto e faça o mesmo procedimento para fazer seu parceiro levantar.

Além da seringa de Nekro verde, a padrão, existem outras 10 seringas e cada uma possui um efeito completamente diferente tanto na hora de usar quanto na hora de ativar o Berserk, elas ficarão bloqueadas até que o jogador comece a explorar o Modo Arena.

Cada capítulo vencido no modo História desbloqueará uma Arena que faz referência a um cenário e nesse modo tudo acontece em uma tela só e que será facilmente reconhecido pelo jogador após terminar o jogo. Existe um tempo na tela que não é regressivo, e o jogador precisará sobreviver as ondas de inimigos que são ondas numeradas, começa a onda 1, depois vem a 2 e assim vai.

Começa com inimigos mais fáceis até aparecer inimigos mais difíceis e a mistura do fácil com difícil. 10 Arenas para 10 seringas que só serão desbloqueadas quando o jogador atingir a 10ª onda. Não me perguntem o por que disso, mas que é muito louco e difícil para KCT, é.

Vamos conhecer o efeito e o nome de cada dose de Nekro, repare que no corpo das seringas existem traços que separam as doses, assim fica fácil saber quantas vezes é possível usar cada uma, a começar pela seringa de cor verde.

Kremlin Colonel – Uma dose controlada estável e equilibrada. (é a verde)

Rose Kennedy – Age diretamente no cérebro do inimigo.

Purple Rain – Suga todo o sangue em uma puxada de seringa.

Blue Lagoon – Um produto farmacêutico que pode ser compratilhado entre amigos.

White Russian – Age diretamente nos músculos.

Bloody Mary – Provoca a explosão dos órgãos do inimigo.

Orange Tundra – A mente em detrimento ao corpo.

Greyhound – No modo Berserk, golpear terá um efeito revigorante.

Black Widow – Provoca impulsos de precisão letal.

Moscow Mule – Fatalidades farão com que o modo Berserk dure mais.

GodMother – Quando a morte se aproxima, aproveite ao máximo as suas últimas ações.

 

Esperado desde a E3 2015, que mais jogos desse gênero apareça!

A mesma E3 que mostrou Cuphead pela primeira vez também havia exibido Mother Russia Bleeds, quando vi o trailer mostrando a fase da Boate, de cara enxerguei um game que tive vontade de jogar. Uma produção feita de uma forma muito sincera para o gênero da pancadaria, tirando a parte de não ter multiplayer online, mesmo assim traz trilha sonora de respeito, com desafios que não deixam nada a desejar, e quem gosta do gênero vai querer jogar, terminar e jogar de novo. Vale jogar sozinho, junto com alguém ou ativar os outros personagens e deixar a máquina controlar e ajudá-lo.

Um jogo que se passa no quase fim da década de 80, e que carrega manifestações antidrogas, com porrada sem limites e ainda todo em português com uma linguagem tão suja e natural quanto os cinzeiros dos Arcades.

Logo abaixo você confere a galeria com imagens de outros momentos do jogo, acompanhadas de algumas descrições. Até a próxima!

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo. Fundador/Autor do MarvoxBrasil. Cofundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 29 de agosto de 2017, em Análises, PC, PS4 e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Boa Cadu, muitos gamers que viveram essa época maciça dos beat’em ups quando aparece um jogo bem feito como Mother Russia, é apertar start e se sentir em casa. Quando você jogar, depois me fala o que achou. Grande abraço!

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  2. Cara, cara… eu lembro de ter visto coisa sobre este jogo antes do lançamento e depois esqueci completamente da existência dele, obrigado por lembrar! Eu já botei na minha wishlist do PS4 (sério). Hora que baixar o preço eu vou comprar sem sombra de dúvidas! Como fazem falta os beat’em ups!
    Curioso que jogos modernos do gênero não possuem multiplayer online, né? Scott Pilgrim não tinha, colocaram (e ficou horrível), Double Dragon Neon não tem, outros não possuem. Podiam conversar com os caras do Castle Crushers, aquele jogo é uma maravilha de jogar online!
    Saber que o jogo é desafiador em qualquer nível me deixou muito afim de jogar. Fora que é sempre bom ter um jogo desses disponível quando os miguxos vão em casa jogar (NUNCA ACONTECE), né? huahuahuahuahua
    Ótimo review, Marvox! Me convenceu a jogar, quero esmurrar todo mundo com e sem berzerk! kkkkkkkkkkk

    Curtido por 1 pessoa

  3. Com certeza aki é rock, esse game dá pra deixar de boa instalado pra jogar sempre que a vontade surgir. XD

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  4. Fala Ulisses, beleza?
    Aí que está, as seringas acabam ajudando a restaurar a barra de energia, cada uma possui um “powerup” completamente diferente, no final conforme o jogador vai seguindo o enredo o uso exagerado ou não é o que vai decidir qual final o jogador enxergará kkk bem doido…

    Também não curto esse lance de ativar os bots, se não tiver alguém para jogar junto prefiro jogar de boa só com 1 personagem mesmo, nas imagens aparecem 4 personagens mais para mostrar pra galera como é kkk, agora existem certas Conquistas que só vão desbloquear se estiver jogando com mais alguém, é nessa parte que um multiplayer online seria muito bem-vindo.

    Falow!! =]

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  5. Ess jogo da em qualquer notebook s achei bem intessante a sua jogabilidade.

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  6. Excelente dica! Parece que o game é um briga de rua bem robusto e bem puxado dos clássicos. Adorei as mecânicas de gameplay só que a questão das seringas me deixou confuso. Elas ajudam ou servem ao governo para nos atordoar? Talvez seja as duas coisas.
    Essa coisa de ativar os bot´s no multiplayer eu não gosto kkkkkkkkkk fica artificial, mesmo que eles respondam bem.
    Falou!

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