Ed.Nº 155 – Murdered: Soul Suspect [2014]

AnaliseMuito destaque ou pouco falado, o que chama a sua atenção na hora de buscar um jogo?

Durante o mês, o Blog MarvoxBrasil trouxe dois lados interessantes da indústria dos games ao falar dos jogos Max: The Curse of Brotherhood e Mighty No. 9, dois jogos que oferecem a clássica experiência do gênero Plataforma e carregam históricos muito distintos.

O jogo de Max possui uma qualidade de produção muito criativa e de conteúdo marcante, é um jogo que vale o preço cobrado e faz jus ao investimento que a pessoa teve quando comprou um Xbox One, por exemplo. Por outro lado vemos Mighty No. 9 que conseguiu chamar atenção de todos os holofotes, basta vermos a quantidade de conteúdo sobre o jogo pela web. É muito material, mas infelizmente o produto final não obteve o sucesso na mesma proporção.

Fala gamers do Brasil! Esta é a edição 155 com a análise de Murdered: Soul Suspect, lançado em 2014 pelo mesmo estúdio de Quantum Conundrum, para você que é fã de Alone in the Dark ou Silent Hill.


Murdered: Soul Suspect (PC [Análise], PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One)
Desenvolvedor: Artight Games
Publicado por: Square Enix
Lançado em: 3 de junho de 2014

[Tempo de leitura: 8 minutos]

A história da Artight Games começa com um produto exclusivo para o primeiro Xbox, Crimson Skies: High Road to Revenge, lançado em 2003 pela FASA Studio. Um jogo de mundo aberto a bordo de naves em um Estados Unidos alternado na década de 1930, muito bem recebido pela crítica naquele momento. Um ano depois Artight foi fundada pela equipe de Crimson Skies em conjunto com pessoas que ajudaram a produzir animações para o cinema e ex-funcionários da própria Microsoft. O primeiro lançamento foi Dark Void (2010), em parceria com a Capcom que não ficou muito satisfeita com o produto final.

Mas em 2011 um nome forte fez parte da equipe, Kim Swift. A game designer trabalhou longos anos na Valve durante a criação de Portal, Left 4 Dead e os dois episódios de Half-Life 2, porém, Portal 2 não fez parte do seu portfólio. Kim Swift  havia entrado na Artight Games para trabalhar na Direção de Quantum Conundrum publicado pela Square Enix em 2012. A boa recepção do público fez a imprensa ficar de olho no estúdio, assim como a Square quis acreditar mais uma vez no potencial de uma nova produção.

Murdered: Soul Suspect pegou a transição que aconteceu no final de 2013 quando Microsoft e Sony desembarcavam seus novos consoles. Naquele período alguns estúdios ficaram indecisos com qual público seria dado maior atenção. Um bom exemplo para usar é Outlast que apareceu em 2013 como exclusivo do PC e um ano depois o jogo apareceu no PS4 e Xbox One. E Murdered quase seguiu esse mesmo raciocínio, no final, Artight e Square decidiram ampliar as possibilidades do público conseguir jogar.

 

Investigação Espiritual

Através da janela do segundo andar de uma casa, um corpo é arremessado em direção da rua. O tempo parece ter ficado lento enquanto estilhaços de vidro e o corpo começam a ser puxados pela gravidade, como uma corrida para ver quem toca o chão primeiro. Corpo contra fragmentos de vidro. Lá do alto, pela mesma janela, o assassino assiste a queda atento e entretido, como se acompanhasse o momento final de uma série preferida.

Ronan O’ Connor é um investigador de polícia que trabalha na cidade de Salem. Uma cidade que se passa em tempo presente e vive uma situação complicada com seus moradores bastante preocupados com a série de assassinatos envolvendo um serial killer. Os jornais o chamam de Bell Killer pelo fato de que perto de suas vítimas existe a marca de um sino. Ronan trabalhava no caso e seguiu uma pista que o levou para uma casa, o que o detetive não imaginava era encontrar Bell Killer no mesmo lugar. O encontro aconteceu e os dois saem na mão. Bell Killer ganha vantagem e arremessa o detetive pela janela do segundo andar. Mesmo após Ronan ter caído no chão, Bell Killer resolve descer para olhar mais de perto e logo repara na arma do detetive caída no chão próximo ao corpo. Sem hesitar, o assassino toma a arma nas mãos e antes de ir embora, resolve encerrar o confronto.

Em Murdered jogamos no papel de um policial recém-assassinado que teve a infeliz situação de assistir a própria morte na forma de um espírito, a parte sombria começa quando descobrimos que Salem é uma cidade que possui diversos casos mal solucionados de homicídio e suicídio e o jogo acaba por servir como um divã sobrenatural e uma mesa branca interativa ao mesmo tempo, já que Ronan pode oferecer ajuda para trazer esclarecimento nas mortes de outros espíritos que aparecem pelo caminho, sem tirar o foco no objetivo maior, perseguir e encontrar Bell Killer.

O primeiro contato sobrenatural que Ronan recebe é Sophia, uma garotinha de cabelo preto e que usa tranças. Ela explica a existência de poderes chamado Ghost Abilities, desde atravessar paredes, possessões, ler e interferir no pensamento das pessoas durante as investigações, enxergar resposta ao tocar em objetos pessoais dos moradores, e ocasionar o efeito poltergeist em aparelhos eletrônicos quanto for realmente necessário. Ação investigativa e ação furtiva trabalham juntos como se fossem as barrinhas de um equalizador.

Salem é construída em formato sandbox, com casas, prédios residenciais e comerciais, além de Departamento de Polícia, Hospital e muitas pessoas pela cidade, e como a história se desenrola durante a noite, o jogador acaba participando da vida noturna de Salem, com pessoas sentadas em bares e jovens tomando cerveja no posto de gasolina. Agora, coloque tudo isso junto com as Ghosts Abilities e você poderá invadir as casas das pessoas e observar suas particularidades. Os criadores não pouparam esforços na Unreal Engine 3 e deram um show de arquitetura e design de interiores, é tudo tão bem detalhado que dá vontade de morar nas casas do jogo. Como acontece no mundo real, cada casa tem suas próprias particularidades e organização de móveis. Em algumas residências dá para encontrar controles de Videogames largados no sofá. Até nisso os caras pensaram. E fica mais intrigante quando o jogador decide explorar a cidade a ponto de desvendar segredos tenebrosos do passado de Salem.

Sem deixar o jogador perder as pistas do verdadeiro assassino, o jogo nos apresenta a personagem que sempre fará Ronan retomar sua posição de investigador, a jovem Joy, que está no meio de uma investigação pessoal e torna-se parceira de Ronan. A participação dela no percurso dá um brilho diferente para o jogo como se as séries Fringe e Sleepy Hollow pudessem dar as mãos.

Os trechos de investigação seguem linhas parecidas com L.A Noire, com perguntas e respostas mas sem a preocupação de prestar atenção nas expressões faciais, e Murdered traz aquela cena de crime com placas enumeradas no chão. Por exemplo, a cena do crime traz 7 pistas para serem investigados mas não existe a necessidade de checar cada ponto, às vezes a solução aparece após 4 pistas. Tudo bem dinâmico e ágil.

Murdered: Soul Suspect carrega qualidades impressionantes com visual e controle. Tem uma narrativa em forma de série investigativa com momentos que vão, à tensão ao encarar os Demons, o humor pelas conversas entre Ronan e Joy, e o drama que os dois escondem com suas particularidades e objetivos mesmo sendo parceiros, e ainda uma cidade cheia de moradores, vivos e mortos, com histórias para contar ao jogador.

Artight Games recebeu grande destaque com Quantun Conundrum e a imprensa esperava de Murdered algo talvez na mesma medida e devido as fortes críticas com notas medianas, o estúdio fechou as portas um mês depois do lançamento. Mesmo assim, o sobrenatural do jogo chamou atenção do público, como podemos perceber pela quantidade de análises escritas pelo público na página do Steam.

Veja mais na galeria abaixo com imagens de alguns trechos e comentários que explicam algumas situações, aproveitem para conhecer Murdered: Soul Suspect. Até a próxima!

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo, Autor do MarvoxBrasil e Co-Fundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 1 de maio de 2017, em Análises, PC, PS3, PS4, XBOX 360, Xbox One e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Fiquei na dúvida se jogo ou não… ao mesmo tempo que não jogo nada de terror (sim, eu sou um amarelão ou coisa pior, julgue-me, mas eu detesto tomar susto! huahuauha), fico curioso com casos de suspense e investigação.
    Pior que eu tenho a sensação que eu “tenho” este jogo, o nome é familiar, deve ter sido algum dos brindes da Plus que eu peguei e não olhei!
    Só não sei onde encaixar ele na minha fila monstruosa de jogos! kkkkkk

    Curtido por 1 pessoa

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