NES em 1988: Tentativa de matéria investigativa termina com repórter querendo jogar mais

Especial

Gostar de Videogames é estar preparado para uma chuva de curiosidades, e isso acontece o tempo todo. Cada console carrega um histórico de situações que envolveram a época. Um console pode dizer muito sobre o comportamento dos consumidores, e isso acontece desde o Atari 2600.

Particularmente, eu sou apaixonado por assuntos de comportamento relacionados aos Videogames. E para a minha surpresa, um site internacional de games chegou a destacar um trecho de um programa jornalístico de quase 30 anos atrás, onde o NES apareceu em uma matéria.

Imaginem comigo. Dezembro de 1988, mães e pais em frente das lojas de brinquedos (sozinhos ou acompanhados). Eles estavam lá para comprar bonecas e carrinhos? Não. Esses pais estavam lá para comprar Mario ou Zelda. Isso está no vídeo que acompanha esse Especial, e que traz uma reportagem feita pelo programa 20/20.

O 20/20 é um programa jornalístico dos Estados Unidos transmitido pela rede ABC desde 1978. Neste programa em especial, um dos repórteres vai a campo para fazer uma matéria sobre a febre daquele fim de ano, acredito que isso tenha sido transmitido na TV no começo de dezembro de 1988. Em apenas 10 minutos de vídeo, a matéria consegue nos mostrar:

  • A concorrência do Videogame com a indústria de brinquedos;
  • Comportamento das crianças e como os pais controlam isso;
  • Debates com especialistas em Economia, Tecnologia, e Game Designers;
  • E ainda faz o repórter John Stossel, aparentemente cético, entender e acreditar na diversão do Videogame.

O programa 20/20 pelo ponto desta matéria parece um “Jornal Nacional” (pela bancada) com timbres do antigo “Comando da Madrugada” (pelas externas), a partir da reportagem apresentada. Na matéria, o repórter John Stossel, 41 anos na época, saiu para investigar os motivos de toda aquela febre e acaba dançando conforme a música.

Como diria o grande, Goulart de Andrade – Vem comigo!


Título original: Nuts for Nintendo (20/20, rede ABC)
Ano: Dezembro/1988
Vídeo publicado em 2010 no Youtube
Fonte: Game Informer, Abril/2017

 

 

Para quem não puder assistir

Fiz uma leve transcrição com tradução livre, viu pessoal. Se houver erros me desculpem, tentei ser o mais fiel para uma rápida compreensão. Aproveitem, é bem interessante.

[Tempo de Leitura: 11 minutos]

 

O vídeo começa com a narração: “Não fazemos ideia do que leva as crianças a gostarem de Zelda. Enquanto os críticos ficam de olho, nós veremos a loucura pelos produtos Nintendo à seguir no 20/20“. John Stossel decidiu ir ao encontro dos “Loucos Pela Nintendo” (Nuts for Nintendo – nome original da matéria).

Entra Hugh Downs, âncora daquele momento, para chamar a atração:

“Uma das maiores adições da história e definitivamente o produto mais quente deste Natal, os jogos da Nintendo. Eles vieram do Japão a 3 anos e agora milhões de jovens americanos só pensam em uma coisa. Eles param de falar o próprio idioma para seguir uma linguagem que só eles (as crianças) entendem”.

John Stossel foi às ruas para descobrir o segredo do sucesso da Nintendo, mas ele precisou fazer uma coisa antes.”

 

John Stossel, o repórter na fila da loja:

  • Cedinho na cidade de Nova York, e antes da loja abrir, já existe uma fila de pessoas do lado de fora. Eu também estou nessa mesma fila, tudo porque o Diretor do Programa me pediu para comprar um presente para seu filho, ele quer uma cópia de Super Mario Bros 2. Enquanto estou na fila, converso com um homem. Este homem veio de Indiana para também comprar uma cópia.

Stossel pergunta ao Homem, na fila: – Você veio de tão longe só por causa deste jogo?

Homem, na fila: – Sim, durante 3 semanas eu cheguei a ir em 7 lojas, e não tinha conseguido encontrar o jogo.

Mulher, na fila: –  Senão terei que aguentar reclamações dos meus filhos o resto do ano, então eu preciso conseguir comprar este jogo.

John Stossel (narração): – As lojas precisam ter um estoque preparado para garantir cópias do hype do momento, Mario 2 e a nova aventura de Link.

  • Se você pudesse falar com a Nintendo, o que você perguntaria à eles? Como que ela (Nintendo) conseguiu prender a atenção das crianças da América?
  • No ônibus escolar, os motoristas comentam que as crianças conversam menos sobre roupas, esportes, nem fofoca sobre fulano e sicrano estão mais, elas só se importam com…

(Crianças conversam sobre Videogame dentro do ônibus escolar):

Criança 1 – Como você conseguiu pular lá em cima e depois descer?
Criança 2 – Você só pula e…

John Stossel: Videogame, pelo comportamento das crianças

  • Na saída da escola, este é o primeiro dia da temporada onde tudo está coberto de neve, mas nenhuma criança quer brincar na neve. Eles querem ficar dentro de casa, então eles saem disparados para ver quem será o primeiro a jogar.

Mesmo que não dê para jogar juntos, nós sempre convidamos os amigos das crianças para vir em casa, e isso se transforma em uma festinha com Nintendo. Eles inserem o cartucho, e controlam os personagens usando um controle. Melhor do que ver é reparar na coordenação das mãos dessas crianças. Nunca um brinquedo fez tanto sucesso.

John conversa com Bruce:

  • Bruce é editor de uma revista que acompanha a evolução desta indústria dos games.
  • Qual o tamanho desse sucesso?

Bruce: – É maior do que qualquer coisa que a indústria (dos brinquedos) já viu. Para que você tenha noção vou esclarecer comparando, a Barbie com uma Instituição que ganha meio bilhão de dólares por ano. Nintendo ganha três vezes mais.

John Stossel (narração): – Por que isso é tão famoso a ponto das pessoas da indústria dizer que a Nintendo simplesmente tem os melhores jogos. E seus melhores jogos são de Esportes, como Tennis, Hockey, Football, Boxe, todos com boa qualidade gráfica e sonora. E os mais populares são jogos de Aventura, como: Super Mario que possuem cenários fantasiosos. Em Mario você controla um encanador italiano que aparece no Reino do Cogumelo para lutar com tartarugas que querem te matar, e patos zumbis, até que ele (Mario) consegue salvar a princesa Toadstool. E as crianças simplesmente amam tudo isso.

(No meio das crianças, acompanhando-as em uma reunião de amigos após a escola para jogar Videogame)

  • O que vocês mais gostam? (sobre Mario Bros 2)

Um garoto responde: – Birdo. Ele atira ovos pelo nariz e nessa parte você não pode ir para lugar nenhum, a menos que você caia no abismo. Mas você pega esse ovo mata ele, e então aparece uma pedra de não sei onde, e quando você pega, isso leva para outro cenário. É doido.

John Stossel: – E essa é a maior prova dos primeiros Videogames, como Pong da Atari e Space Invaders, porque atualmente (1988), o hardware dos computadores são melhores, eles têm mais memória.

Gregory Fischbach, Video Game Designer: – Videogames fazem as pessoas ficarem mais unidas, é muito mais divertido por ser um produto onde podemos trazer um melhor uso de cores, melhor uso de música. Isso não são apenas bonecos de pauzinhos se mexendo, não mais, nós temos literalmente mais de cem personagens diferentes. Pessoas, animais, feiticeiros, magias. E você consegue ver isso das mais variadas formas possíveis em mundos muito diferentes. E quando eu digo mundos diferentes, quero dizer que são inteiramente diferentes de jogo para jogo.

Rob Holmes, Video Game Designer: – Da mesma forma que você pensa sobre como um filme é produzido, e lá estão as fases com cavernas, e você pode quebrar e no próximo nível você está em um oceano.

Criança de 7 anos, falando: – Buracos secretos que você pode entrar.

John Stossel: – As crianças adoram encontrar segredo nos games, passagens secretas que não haviam visto na primeira vez que jogaram. Eles se divertem com armas estranhas. Quer dizer que eu posso atirar coisas que eu nunca tinha imaginado, esta é a manha do jogo.

Criança falando: – Você está crescendo, você está aprendendo enquanto os outros jogam. Vai, agora é a sua vez Harley.

Entendendo o tamanho desse mercado

John Stossel: – Os chips e a tecnologia foram inventadas nos Estados Unidos, certo. E os japoneses são os pioneiros nisso. Como isso é possível?

Bruce: – A Nintendo é uma empresa muito antiga, com 100 anos já…

John Stossel, segue narrando: – …e eles aprenderam a tirar lições dos próprios erros, quando os lojistas perderam o interesse na Primeira Geração dos Videogames 4 anos atrás, a Nintendo silenciosamente acompanhou esse momento ruim, e prestou atenção nas empresas Americanas que abandonaram esse ramo de negócios (Videogames). A Nintendo então resolveu comprar os direitos de marca das melhores do ramo dos Arcades. E então, eles criaram novos games ao contratar designers freelancers para competir uns com os outros pela oportunidade de trabalhar com a própria Nintendo.

John Stossel no setor de atendimento da Hot Line, Nintendo US: – Em Seattle, está um dos prédios da Nintendo US, atendendo mais de 50 mil consumidores que ligam para a Nintendo no serviço 0800 toda a semana para tirar dúvida dos games que estão jogando. Os atendentes jogam alguma coisa, enquanto tiram a dúvida do jogo do cliente.

Atendente do serviço Hot Line, no telefone: – Beleza, o que você precisa fazer é pular na cabeça do cara que está no tapete…

John Stossel: – No Japão, os games também fazem um grande sucesso. Essas pessoas estão felizes porque esperaram a noite toda para garantir aos filhos a maior novidade chamada Dragon Quest (III). Já nos Estados Unidos, o que eles mais querem é o mais novo Super Mario Bros. Tudo isso me leva a crer, é uma realidade passageira ou existe algo mais místico dentro disso tudo.

Os lojistas dizem que esse agito dos consumidores é parecido quando chegaram as bonecas Cabbage Patch alguns anos atrás. A fabricante infelizmente colocou poucas bonecas nas lojas, e a confusão foi enorme. Hoje, algumas pessoas do segmento dos brinquedos suspeitam de lojistas reservando jogos com receio do estoque não dar conta.

E assim como fitas japonesas, sabemos que existem jogos muito difíceis de serem comprados, não se encontram certos jogos. A empresa (Nintendo) nega que exista um sistema que segura os jogos para beneficiar este ou aquele mercado.

Peter Main, VP Nintendo of America: – Essa ideia de criar uma demanda diferente para cada lugar, acredite em mim, isso não existe. Não tem alguém encarregado a liberar ou segurar as unidades de jogos. O que temos é que conseguimos produzir um determinado número até que o suprimento acaba.

John Stossel: – No fim, tudo isso nos traz uma pergunta final: Os pais deveriam comprar estes games, mesmo com toda a onda de violência que acontece na Televisão? Até porque eles dizem que faz mal para as crianças.

Menina de 7 anos: – Eu gosto quando atira nas pessoas com bumerangue e usa bombas. Eu só gosto de ir pulando nas coisas e matando elas, atirar nas coisas.

Os sensacionalistas dizem que isso (videogames) faz algumas crianças agir de forma violenta, eu sinceramente não cheguei a ver nada disso. Mas, tem um outro problema. Ao ver as crianças jogando, é possível perceber um interesse muito forte, a palavra que vem em minha mente é obcecadas. Elas são obcecadas.

John Stossel pergunta para uma das crianças de 7 anos: – Durante o dia, quantas horas você joga?

Menino: Uma a duas horas por noite.

John Stossel: – Você não deveria estar fazendo lição?

Menino: Sim.

Menina: – Eu gosto mas minha mãe não. Porque ela acha que isso é algum tipo de lavagem cerebral.

John Stossel: – E enquanto falávamos, a mãe prestava atenção na conversa, parada na porta da sala.

Mãe da menina: – Essas coisas tiram o foco das crianças, é preciso “dar um tempo” para não fazer com que a mente delas perca o foco das obrigações, da escola. Elas (as crianças) deviam estar fazendo a lição de casa antes de dormir, e logo ir para a cama, mas isso (videogame) faz elas perderem a hora.

John Stossel: O que você quer dizer com “dar um tempo”?

Mãe da menina: Quer dizer que eu desligo e guardo em um armário por um tempo.

John Stossel: Mas agora você deixou que elas joguem.

Mãe da menina: Sim, mas só um pouco.

[Fim da reportagem, de volta aos estúdios]

Na bancada estão, Barbara Walters e John Stossel comentam sobre o conteúdo da reportagem e fazem um desfecho muito leve e com muito incentivo pessoal, da parte do repórter que esteve em campo.

Barbara Walters: – John, o que você sentiu depois de assistir tudo isso, você teve algum problema, como você disse? Isso não é só excesso de imaginação que você tem ao jogar videogame?

John Stossel: – É verdade, eu pude ver que jogar games não se limita apenas a assistir televisão. Você tem que usar a imaginação, todos aqueles caminhos que existem nos games. Eu acho que colocando limites nas horas certas, realmente é divertido. Eu acabei comprando um NES enquanto montava esta matéria, e quero dividir esse pensamento contigo, aqui no programa. Foi divertido ter visto meu filho de 3 anos ali, matando patos, e no fim eu e minha esposa ficamos até meia noite naquela jogatina.

Barbara Walters: – E você não liga para a questão de incentivar a violência?

John Stossel: – Não se preocupe, são apenas figuras animadas e acredito que, eu como pai só precise prestar atenção no conteúdo e monitorar o tempo que meu filho brinca.

Barbara Walters: – Tudo bem, agora eu sei como você aproveitou o seu feriado (Ação de Graças), ótima matéria.

 

Blog MarvoxBrasil
– Thanks Brian Shea for sharing this content.

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo, Autor do MarvoxBrasil e Co-Fundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 17 de abril de 2017, em Atualizações do Site, Especiais e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Pois é Ulisses, as fabricantes tem pessoas dedicadas a estudar o mercado e o tamanho dele, ela não vai distribuir digamos, 500 unidades de algo para uma cidade que tem apenas 100 habitantes, existe alguma reserva e sempre uma região será melhor servida do que outra. Que bom que a transcrição facilitou para acompanhar, fiz isso mesmo pensando nas pessoas que não podem assistir no momento mas querem saber o que tá rolando. Muito bom ver você por aqui. Não suma! hehe

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  2. Esses tipos de vídeos acho muito legal, aqui a gente acaba sempre mencionando aquela reportagem da Globo de 1991, imagina a quantidade de coisa perdida por aí no caso desse vídeo foi algo da cultura norte-americana da programação de lá da época, mas acho que dá pra tirar alguma informação na questão do comportamento, será que mudou alguma coisa de lá para cá? Doidera ver o repórter dizer “eu acabei comprando um NES” dando o braço a torcer, isso acabou trazendo mais uma força pro “nosso lado” do que algo sensacionalista que se tentou fazer. Será que ele ainda tem o NES?

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  3. Interessante essa matéria em Marvox só pra você ver desde aquele tempo o pessoal já se preocupava com essa febre dos videogames sobre as crianças e o efeito que elas teriam sobre esse entreterimento.
    Achei o máximo essa abordagem do repórter sobre esse pequeno videogame que estava fazendo a cabeça das crianças naquele ano e que como ele se convenceu que aquele entreterimento era prazeroso para seu filho mas que tinha que ficar atento sobre as horas de jogatina e também sobre o que se jogava.
    Até ele se rendeu a jogar um pouco com sua esposa algumas horas de Duck Hunt para passar um tempo.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Ótima ideia Marvox, eu estou sem internet em casa, logo salvei sua página para ler depois com calma, to fazendo isso com outros blogs que leio também, sua transcrição caiu como uma luva!

    Isso é o que eu sempre digo, quanto mais eu leio sobre os games do passado mais a gente vê os mesmos erros, toques, manhas, bobagens, loucuras e reações se repetirem ad infinitum. Como esta matéria que já mostrava a neura com violência e a relação videogame vs estudo entre outras coisas. Coisas que perduram até hoje Marvox!

    Eu lembro da frase da música… “eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades, o tempo não para…”
    É bem por aí, muita coisa, mas muita coisa mesmo que existe hoje nos games travestidas de novidade, já existiam de alguma forma nos anos 80 e 90. O vídeo mostra isso.

    Agora “k” entre nós Marvox essa fala do cara da Nintendo foi uma mentira que ele soltou sem dó né?

    “Peter Main, VP Nintendo of America: – Essa ideia de criar uma demanda diferente para cada lugar, acredite em mim, isso não existe. Não tem alguém encarregado a liberar ou segurar as unidades de jogos…”

    O livro “Game Over” de David Scheff que foi escrito em 1993 coloca muito bem esta questão da Nintendo em controlar todos os processos de fabricação, venda, distribuição e precificação de produtos. Eu amo a Nintendo, mas ela controlava tudo sim, fatos tem aos montes. Essa mentira só colou mesmo lá nos anos 1988!

    Adorei esta frase final do John Stossel:
    “– Não se preocupe, são apenas figuras animadas e acredito que, eu como pai só precise prestar atenção no conteúdo e monitorar o tempo que meu filho brinca.”

    É exatamente o que eu penso, e isso se aplica a hoje também. Videogame é ficção, é entretenimento.
    Ótimo texto Marvox.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Cara, que legal! Ver o Peter Main inclusive, que foi um cara que foi bastante destacado no Console Wars, foi legal pra caramba! hahaha!
    A Nintendo desde sempre com a velha máxima do “limitar estoque”, até hj isso gera desconfiança. Engraçado os caras falando groselhas de Mario, falando que videogame pode deixar as crianças violentas e o escambau… isso é bem clássico! hahaha
    Legal que no fim até o jornalista se rendeu e comprou um NES… err… pro filho dele… kkkkkkkkkkkkkkk
    Muito bom o vídeo!

    Curtido por 2 pessoas

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