Ed.Nº 149 – Star Wars: Shadows of the Empire (1996/1997)

AnaliseFala, gamers do Brasil! Em maio de 2016, a loja digital Gog.com havia anunciado o relançamento do jogo Star Wars: Shadows of the Empire. Meu primeiro contato com este jogo aconteceu no Nintendo 64. Não cheguei a ter o cartucho, mas alugava sempre que possível. A surpresa foi encontrar a versão PC.

Shadows of the Empire foi uma produção da LucasArts em 1996, e que à pedido da Nintendo, foi colocado de forma exclusiva dentre os primeiros jogos que o Nintendo 64 recebeu. É um jogo Third-Person, Shooter Tridimensional e Combate Veicular. Pela variedade de gêneros na questão da jogabilidade, o título ganhou a categoria – Ação. No PC, o jogo apareceu um ano depois.

Na edição 149, iremos revisitar a trajetória deste jogo que apresenta o personagem Dash Rendar pelo universo do Império das Sombras. O encontro com Luke Skywalker, e o momento marcante da produção que, levou a LucasArts em um passeio pela Nintendo no Japão.

MarvoxBrasil 149 Star Wars Shadows of the Empire


Star Wars: Shadows of the Empire (N64, PC [Análise])
Desenvolvedor: LucasArts
Publicado por: Nintendo (N64), LucasArts (PC)
Lançado em: 3 de dezembro, 1996
Relançado em: 3 de maio, 2016

 

Do Cinema ao Videogame

Star Wars. Uma marcante produção repleta de tecnologia, presente nos filmes desde 1977 quando o primeiro filme para o cinema surgiu Uma Nova Esperança, escrito e dirigido por George Lucas. Na cronologia, este é o Episódio IV. A partir da década de 80 viriam O Império Contra-Ataca (Ep. V, 1980) e O Retorno de Jedi (Ep. VI, 1983).

Quando o filme de 1980 foi lançado nos cinemas, George Lucas já pensava em levar o universo dos filmes para os games, ele precisava apenas de alguém que abraçaria as suas ideias. Veio então a primeira relação entre Lucas e a Atari, com os primeiros jogos lançados no Atari 2600. Atari foi uma empresa-mãe para as ideias de George Lucas até 1982, quando aos 38 anos resolveu abrir seu próprio estúdio de jogos – LucasFilm Limited. Porém, essa parceria  ainda percorreu o Atari 5200 e 7800.

Além dos Videogames, na época do Atari 5200, George Lucas começou a interessar-se pelo mercado de jogos para computadores, e queria que seus jogos chegassem a outros públicos. Na Europa, a novidade era o Commodore 64. Nesse momento, a LucasFilm ganharia uma nova divisão – LucasFilm Games Group. E a partir de 1990 surgiu a LucasArts que ficou mais conhecida pelos jogos de Star Wars, e também como a criadora dos inúmeros e marcantes Graphic Adventures, além de ter participado ativamente dos Consoles e PC, à medida que ambos avançavam.

Nos Videogames, Star Wars é dividido em 3 categorias ou 3 escopos, vejam:

  • Star Wars Canônicos – São os jogos que buscam adaptar o enredo do filme para o videogame. Não são muitos, o mais atual é Battlefront, produzido pela EA DICE em 2015.
  • Star Wars Legends – Possuem histórias paralelas aos acontecimentos dos filmes, normalmente o personagem principal é criado para o jogo, e apenas para ele. É a maioria das centenas de jogos lançados desde 1980.
  • Cross-overs – É uma categoria recente e voltada aos jogos que pegam emprestado o universo Star Wars, por exemplo, LEGO Star Wars.

 

As estrelas do Império das Sombras

Shadows of the Empire está inserido no escopo Legends. Para chegar até aqui foram necessárias algumas passagens, que envolvem os Episódios V e VI retratados em jogos relacionados com as capas* que vemos logo abaixo. Começando por The Empire Strikes Back no Atari 2600, essa história possui três partes e o desfecho foi acontecer 10 anos depois, passou pelo NES e encerrou no Super Nintendo onde também houve a sequência Return of the Jedi.

* The Empire Strikes Back – Atari, 1982. NES, 1992. SNES, 1993. | Return of the Jedi – SNES, 1994. | Dark Forces – PC, 1995 e PS1, 1996.

The Empire Strikes Back e Return of the Jedi, utilizaram a potência do modo gráfico Mode 7, presente no Super Nintendo, isso fez com que os dois jogos apresentassem visuais únicos que o tornaram sucesso no console. Em Jedi, o destaque vai para a possibilidade de salvar o progresso por meio de passwords.

A vinda desses jogos desde a versão do NES aconteceu por uma parceria, que faria a LucasArts ser levada para o caminho da Nintendo ao ter trabalhado com a Sculptured Software, que mais tarde veríamos como Acclaim. Logo após os trabalhos realizados em Jedi no SNES, a Nintendo logo convidou o estúdio para estrear o Nintendo 64.

Pois é, enquanto Donkey Kong Country aparecia pela primeira vez no Super Nintendo, a LucasArts iniciava o projeto Shadows of the Empire, para o Console que ainda não tinha um nome definido pela Nintendo.

Dentro desse conjunto de ideias que envolveram versões desde o Atari 2600, encontra-se um título que era bem recente naquele momento, o lendário Star Wars: Dark Forces. Esta foi uma tentativa ousada por parte da LucasArts, que também queria abraçar o gênero First-Person Shooter (FPS). Na primeira tentativa, conseguiu atingir em cheio o público do PC ao trazer mudanças significativas nos controles, que tornaram o uso do mouse uma ferramenta indispensável dentro do gênero.

Dark Forces coloca o jogador no controle de Kyle Katarn, um guerreiro que aceita trabalhar em conjunto com a Aliança Rebelde para perseguir e eliminar os planos do General Rom Mohc e Darth Vader ao longo de 14 fases repletas de ação, raciocínio, missões com objetivos primários e secundários, além de segredos por todos os lados, e claro, uma variedade de armas e granada de mão, bem antes de Duke Nukem 3D. O jogo foi tão reconhecido que chegou a ser um dos favoritos de John Carmack. Após um tempo, Dark Forces foi lançado também para o PS1.

 

Dash Rendar e os Challenge Points

Em uma parceria com a Nintendo, a LucasArts trabalhou na criação de Shadows of the Empire para o Nintendo 64. No início do desenvolvimento, a ideia seria inserir parte do universo dos filmes e algum personagem existente. Para gerar liberdade criativa em toda a equipe, a LucasArts escolheu que o jogo deveria acontecer a partir do fim do Episódio V: Império Contra-Ataca e antes do Episódio VI: O Retorno de Jedi. Quanto ao personagem, teria que ter características semelhantes com Han Solo, o escolhido foi um personagem que apareceu em um livro da saga, o mercenário Dash Rendar.

A produção ainda contou com os conselhos de Shigeru Miyamoto. Com um simples apontamento, ajudou a construir a naturalidade do personagem que está no jogo. Miyamoto era o Diretor de Marketing da Nintendo naquela época. Ao avaliar a produção da LucasArts, sugeriu que Dash Rendar fosse um personagem mais animado. No início de cada missão Third-Person, Dash é visto como se estivesse com o corpo relaxado em posição de descanso enquanto espera o jogador tomar o controle. E quando parado, ao olhar para cima, para baixo ou após uma sequência de tiros, Dash segura a arma com as duas mãos. Isso deu mais naturalidade ao personagem.

Tanto a versão original do Nintendo 64, quanto a versão lançada um ano depois no PC, possuem conteúdos idênticos nos arredores das fases. A única coisa que realmente muda são as sequências de cenas entre as fases, no cartucho elas acontecem em cenas estáticas, com fotos e textos, e no PC essas cenas são exibidas em formato de filme ou CG, com os personagens modelados, vozes e legendas.

Para iniciar a campanha, o jogador pode escolher quatro níveis de dificuldade: Fácil, Médio, Difícil e Jedi (aberta após terminar no Difícil). De forma que o jogo possui 10 fases, a LucasArts construiu dois finais, entre terminar o jogo no Fácil e a partir do nível Médio de dificuldade.

No N64 ou no PC, o percurso do jogo é igual com a mesma sequência de gêneros são alternados durante as fases e acontecem assim, vejam:

  • Battle of Hoth | Nave/Shooter Tridimensional

À bordo da nave estão, Dash Rendar e o companheiro Leebo. A fase é dividida em 3 partes, onde o necessário é derrotar 3 baterias de inimigos (Waves) em grupos que variam entre os bípedes AT-ST e os poderosos mamutes de aço, AT-AT.

 

  • Escape from Echo Base | Third-Person

Aqui começa a primeira fase com Dash Rendar no controle, o personagem inicia a fase com sua arma que possui o raio laser como tiro principal. Durante o percurso é possível encontrar outros tipos de munições. A missão termina com a batalha terrestre contra um AT-ST.

Nas fases em que controlamos Dash Rendar, é permitido alterar a câmera do jogo entre – 1ª Pessoa, 3ª Pessoa, Visão Aérea (útil para momentos estratégicos) e uma câmera com closes cinematográficos.

 

  • The Asteroid Field | Nave/Shooter Tridimensional

Dash Rendar encontra-se cercado por asteroides. Diferente da Battle of Hoth, nesta não podemos controlar o percurso da nave que está fixa na tela, só podemos movimentar a mira em 360º. Aqui o perigo aumenta, além dos inimigos (naves inimigas) que aparecem na tela, é importante impedir que os asteróides batam no corpo da nave.

 

  • Ord Mantell Junkyard | Third-Person

Esta é a fase mais perigosa do jogo, Dash aparece de pé em um vagão de trem e toda a fase acontece sobre trilhos. Precisamos mudar de um vagão para o outro, já que em vários momentos existem trilhos que desaparecem no meio de tanto ferro-velho.

 

  • Gall Spaceport | Third-Person

Uma das maiores fases do jogo, com caminhos por dentro de um enorme desfiladeiro até chegar nas instalações de uma base espacial. Pela primeira vez, é possível encontrar o jetpack que ajudará Dash a alcançar lugares bem altos ou escapar da morte ao escorregar sem querer pelo chão arenoso. No final acontece a sensacional batalha contra Bobba-Fett.

A dica é andar encostado na parede o máximo que puder, para impedir que Dash Rendar caia igual ao Coiote do Papa-Léguas.

 

  • Mos Eisley and Beggar’s Canyon | Combate Veicular

Dash descobre que um grupo armou uma emboscada para pegar Luke Skywalker, esta é uma missão de resgate com Dash sentado em uma moto que devemos pilotar pelas ruas de uma cidade. Pelo caminho é necessário eliminar o grupo inteiro, um por um, antes que eles alcancem o deserto e encontrem Skywalker. No final acontece uma troca de ideias entre Dash Rendar e Luke Skywalker.

 

  • Imperial Freighter Suprosa | Third-Person

Nesta missão, o jogador encontrará depósitos enormes que armazenam conteiners por todos os lados. O jogador visitará cada depósito, e dentro de um deles estará a saída que levará para a batalha contra um chefe, no fim da fase.

 

  • Sewers of Imperial City | Third-Person

Assim como a fase sob trilhos, esta também chega a ser perigosa porque Dash precisará caminhar pelos esgotos, com água turva até os joelhos e às vezes será preciso mergulhar e tomar cuidado com a respiração. No meio do caminho aparecem inimigos que poderão matá-lo com apenas 2 ou 3 tiros. A maior ajuda desta fase encontra-se nas costas do personagem, o jetpack.

 

  • Xizor’s Palace | Third-Person

Nesta fase com direções horizontais e verticais, uma variedade de momentos de ações que envolvem várias câmaras, escadas, colunas, pontes levadiças, e um passeio majestoso por todo o Palácio.

 

  • Skyhook Battle | Nave/Shooter Tridimensional

Na 10ª fase, à bordo da mesma nave de Asteroid Field, acontece a batalha final. Desta vez podemos controlar a nave para qualquer lado do espaço. Uma enorme estação espacial no formato de uma antena está à frente, com várias hastes longas e canhões apontados para o jogador. É importante destruir cada canhão para deixar o caminho livre. Feito isso, será possível invadir o interior de qualquer uma das hastes e alcançar o reator central.

 

Entre Sabres de Luz e Metroids

Dentre os nomes dos envolvidos na produção de Shadows of the Empire está, Mark Haigh-Hutchinson. Se você teve a oportunidade de jogar, Zombies Ate My Neighbors, por algum momento seja no Mega Drive ou no Super Nintendo ou até mesmo no Emulador, então você jogou uma produção em que ele esteve envolvido.

Game Designer e Programador, tinha 31 anos quando se tornou o Diretor de Shadows of the Empire, o projeto foi o ingresso que levou a LucasArts ao encontro da Nintendo no Japão, em um jantar de negócios com Shigeru Miyamoto.

A partir do ano 2000, entrou para a Retro Studios onde ficou responsável pela trilogia Metroid Prime, e lá durante o desenvolvimento, criou o sistema de câmeras que o jogo utiliza.

Por 23 anos, Hutchinson esteve dedicado à indústria do Videogame. Fez história na LucasArts, e em seguida, na Retro Studios. Mas, por complicações de saúde, faleceu em 2008 aos 43 anos.

Uma das imagens mais marcantes, está contida na foto a seguir, o momento do jantar em 1996, durante a produção de Shadows of the Empire no Nintendo 64. Na foto estão, da esquerda para a direita: Don James, Hiro Yamada, Mark Haigh-Hutchinson, Shigeru Miyamoto e Kenji Miki.)


 

O preço que paga o conteúdo, sem pesar no bolso

Shadows of the Empire pode ser encontrado para PC através da loja digital GOG.com. Na loja, o preço sugerido é apenas R$ 10,00. Pelo conteúdo do jogo em torno das 10 fases, podemos dizer que cada fase sairia por apenas R$ 1,00. O jogo é compatível com sistemas atuais como, o Windows 10 onde o jogo foi aproveitado do começo ao fim.

A edição 149 fica por aqui, aproveite para conhecer este jogo. Acompanhe a galeria de imagens capturadas durante a jogatina, com algumas dicas para se dar bem durante as fases e garantir os Challenge Points da primeira fase em Battle of Hoth. Até a próxima!


 

Informações, e outros conteúdos:

=> [Game] Shadows of the Empire, no Gog.com

=> [Matéria Especial] Star Wars: Dark Forces, publicada em 2010 aqui no blog MarvoxBrasil.

=> [Longplay] Star Wars: Dark Forces, publicado no canal Jornada Gamer.

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Sobre Marvox

Bacharel em Comunicação Social: Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista de São Paulo, Autor do MarvoxBrasil e Co-Fundador do Canal Jornada Gamer.

Publicado em 19 de fevereiro de 2017, em Análises, Atualizações do Site, Consoles Retrôs, PC Retrô e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Me lembro de ter jogado só um jogo da série Star Wars no psone e foi um que parecia filme se não me engano controlava um piloto daquelas naves da federação rebeldes até que era bem legal relembrando agora.

    Curtido por 1 pessoa

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