Ed.Nº 138 – Singularity (2010)

AnaliseFaaala gamers do Brasil! Chegamos a mais uma edição, desta vez com Singularity, uma produção da Raven Software lançada em 2010 para PC, PlayStation 3 e Xbox 360.

Pude conhecer o jogo em 2011 por meio de uma indicação feita pelo meu grande amigo João Carlos. Na época ele recomendou o jogo então topei o desafio e acabei gostando muito, principalmente porque o enredo do título mexe com viagem no tempo e conta um fato político que envolve Rússia e Estados Unidos com situações que de algum modo aconteceram na Rússia. Pois é, tem ficção e ao mesmo tempo carrega em partes, fatos verídicos, podendo ser uma nova sugestão para você que procura algo diferente para jogar.

A análise é baseada na versão do PC, atualmente o jogo pode ser encontrado no Steam. Acompanhem a Edição 138 do Blog MarvoxBrasil com…

MarvoxBrasil Edição 138

A Raven Software por muitos anos trabalhou em parceria direta com a id Software, o estúdio foi responsável pela criação dos clássicos títulos Heretic e Hexen: Beyond Heretic durante a década de 90, chamados carinhosamente pelo público de “Doom medieval”.

No fim dos anos 90 a Raven foi adquirida pela Activision, o que transformou o estúdio independente em uma subsidiária, mesmo assim os trabalhos em parceria com a id Software resultaram na vinda de Quake 4 em 2005 e Wolfenstein em 2009.

Singularity foi o último trabalho inédito que saiu do forno da Raven Software, o jogo foi anunciado durante a E3 de 2008 e por algum problema de produção o projeto ficou na geladeira por dois anos, até que finalmente o jogo foi lançado em 2010 nos PCs e Consoles.

Depois disso a Desenvolvedora, a pedido da própria Activision, ficou focada completamente na franquia Call of Duty e assim em Novembro de 2016 ela lançará Call of Duty: Remastered no PC, PlayStation 4 e Xbox One.

 

Em busca da cidade perfeita

Nos videogames, os jogos nos colocam muitas vezes em contato com histórias de cidades que foram construídas para ser uma espécie de Santo Graal, ou seja, a cidade perfeita. Podemos encontrar esses roteiros em vários títulos que apareceram pelos tempos, por exemplo, em Half-Life 2 é possível conhecer a City 17, construída pela 17ª vez onde os governantes buscavam um lugar que esbanjava segurança pública. Outro exemplo, BioShock, os primeiros dois jogos nos leva para a cidade submersa de Rapture, onde tentou-se buscar um meio da população nunca envelhecer, era um lugar que vivia inteiramente de aparência em busca da fútil beleza humana.

Em Singularity, o jogo nos leva para uma ilha que faz parte da Rússia. Nesse local as pessoas buscaram construir moradias e desenvolver um estilo de vida que tornasse o lugar, algo mais do que uma simples ilha, existia um governo e eles queriam transformar o lugar em um país desenvolvido e bem a frente da supremacia dos Estados Unidos.

Por muitos anos a ilha buscava um meio de não depender mais das importações vindas do país norte-americano, isso acabou se tornando realidade no momento em que os cientistas russos encontraram na ilha cristais de Einstênio, um elemento químico que é colocado na tabela periódica como E-99.

Esses cristais com base nesse elemento químico, aqui no jogo, é colocado como uma descoberta revolucionária, os cientistas conseguiram por meio de vários testes com os cristais liberar uma fonte de energia e usar de tal forma que acabaria de vez com qualquer dependência vinda de outros países.

Katorga-12 conseguiu ser transformada em um pólo da agricultura, indústria, desenvolvimento bélico e liberdade financeira, a ilha virou auto sustentável e assim colocaram os Estados Unidos para escanteio. A Rússia ficou com os olhos brilhando quando viu toda essa evolução da pequena ilha e o governo russo começou a incentivar novas pesquisas para que os cientistas pudessem descobrir mais utilidade para o uso dos cristais de E-99.

O governo de Katorga-12 fundou então o programa Bolsa Rato de Laboratório, onde as pessoas podiam se inscrever para participar do programa de desenvolvimento que buscava novos recursos para o uso dos cristais, e os participantes recebiam até um salário.

Nos testes, a energia dos cristais em contato com o corpo das pessoas traziam mudanças satisfatórias, inclusive a cura para diversas doenças. Uma pessoa franzina tornava-se musculosa, uma pessoa depressiva tornava-se mais confiante e assim os antônimos eram concretizados com o uso dos cristais.

Tudo estava indo muito bem na vida de todos, até que um enorme incêndio aconteceu na ilha e a transformou em uma porção de catástrofe rodeada por água por todos os lados, a Rússia não quis mais saber de gerar recursos para o local e vetou todas as possibilidades de reconstrução da ilha. Katorga-12 foi fatalmente abandonada, assim como a população que vivia lá.

Tempos depois um satélite americano detecta uma quantidade radioativa muito forte no local, que até então não estava descrito no mapa, nesse momento entra o nosso protagonista Nataniel Renko, um militar do esquadrão norte-americano que foi designado para descer na ilha e buscar informações sobre o que está acontecendo no local. O que é essa energia e quem está produzindo isso?

Quando Nataniel desembarca na ilha começa a se envolver com o passado do lugar que carrega uma história bastante assustadora que poderá trazer oportunidades para você pular do sofá em vários momentos do jogo. Tudo é contado por meio de recortes de jornais, áudios gravados, slides e até vultos espirituais. O que os habitantes e a política da ilha queriam fazer é algo que colocará em suas mãos o poder de alterar o percurso do tempo, assim que você apertar Start, tome cuidado com suas escolhas porque poderá afetar até mesmo a sua própria existência no local.

 

Um mix de Shooter com Survival Horror

Durante o jogo vemos tudo com a visão em primeira pessoa, estamos na pele do militar Nataniel enquanto que o desenrolar da história nos entrega o gênero da sobrevivência diante do horror do local, você estará com a arma em punho o tempo todo, mas ao contrário dos Shooters mais movimentados aqui não temos hordas de criaturas correndo em direção da tela, somos pouco a pouco pegos desprevenidos em encontros sorrateiros com as ameaças que foram deixadas pela ilha desde o momento em que o território foi abandonado.

O jogador conseguirá entrar em várias construções desde casas, escolas, comércios tudo como se fôssemos mesmo um turista que foi visitar a ilha para passar as férias. E com um pouco de exploração pelos arredores, o jogo consegue explicar vários acontecimentos que ocorreram durante e após o incêndio, esteja sempre com a atenção voltada para as costas porque nunca se sabe quando alguma coisa poderá aparecer ao encostar em algum objeto ou passar por um local importante para o contexto da aventura.

Pelo local ocorrem encontros com vultos espirituais que fazem a reconstituição de uma determinada cena. Por exemplo, ao entrar no prédio da escola em uma das salas é possível assistir uma dessas, reconstituições, podemos enxergar o espírito da Professora rodeada pelas crianças, e nos mostra um típico dia comum em Katorga-12. De repente a professora ouve gritos no andar abaixo seguido por grunhidos, calmamente ela começa a pedir para que as crianças fiquem agachadas embaixo das suas carteiras. Não adiantou muito toda essa medida de segurança porque uma das criaturas invade a sala de aula e o resto vocês já devem imaginar o que aconteceu. Isso tudo você assiste enquanto consegue se movimentar pelo ambiente e pegar ângulos que normalmente em uma cena CG já pronta não seria possível fazer. Esse tipo de ideia onde vultos fazem a reconstituição da cena é possível encontrar hoje em dia no jogo Tom Clancy’s The Division, lançado pela Ubisoft em 2016.

Singu012

 

Reconstrua o passado

No decorrer da caminhada cada vez mais profunda, chega um momento que parece que a história fica apenas sobre a tragédia de Katorga-12, e então o jogo abre espaço para tirar um curinga debaixo da manga ao apresentar o TMD, um dispositivo de manipulação do tempo que Nataniel coloca no pulso.

Nesse momento o jogo nos dá um brinquedo onde podemos reconstruir o passado para entender melhor o que aconteceu lá. Em todos os lugares onde podemos encontrar o símbolo do E-99, o jogo nos permite apontar a mão de Nataniel com o TMD na direção de escombros e as paredes, colunas e tudo o que estiver destruído e velho, é reconstruído diante dos olhos do jogador, algo muito legal porque parece que o jogo está sendo montado peça por peça e estamos sentados ao lado dos desenvolvedores.


O TMD ainda consegue abrir portais onde Nataniel precisará atravessar, estamos em 2010 no ano que se passa a aventura, ao atravessar a fissura do tempo somos transportado para 1955 quando Katorga-12 era viva momentos antes do tal incêndio. Essa alteração do tempo chega a ser muito bem detalhada, principalmente nos objetos encontrados pelo cenário. No porto onde existem navios cobertos de ferrugem, com a viagem no tempo podemos ver o porto do jeito que era com todos os navios bonitos e atracados, até o kit de primeiro socorros que o jogador coleta pelas fases recebe o acabamento da época. Isso ajuda bastante a entender como tudo funcionava antes do momento em que o jogador inicia a jornada e facilita para montar na cabeça todo o ambiente de Katorga-12, sem precisar imaginar como eram as coisas.

 

NPCs de apoio

Normalmente nos jogos do gênero survival horror no meio daquela tensão pesada é comum aparecer do nada personagens secundários, isso acontece desde a época da primeira geração do Resident Evil, por exemplo, onde a música altera de proporção e parece que algo vai aparecer e de repente, alguém chega perto e começa a conversar com o seu personagem dando aquela esfriada na sua tensão mental.

De vez em quando, os desenvolvedores buscam inserir esses personagens de apoio em determinados jogos para que o jogador não se sinta inteiramente sozinho, mesmo que esses personagens muitas vezes não ajudam muito, por exemplo, em Half-Life 2, Gordon Freeman recebe a ajuda de Allyx, aqui em Singularity, temos a parceria da jovem e britânica Kathryn com seu par de olhos azuis. Depois de Singularity e Wolfenstein: The New Order, o último jogo que lembro de ter visto personagens de apoio foi quando joguei Metro Last Light.

A união do dispositivo que reconstrói ambientes da ilha com os personagens secundários abrem um conjunto de linhas alternativas que dependerá das ações que o jogador escolhe seguir, isso vai desde salvar alguém ou atirar em alguém, e assim ocasiona finais diferentes devido as consequências realizadas durante a aventura.

 

O público fala mais do que mil vendas

A partir deste jogo, fica claro que a Raven Software quis trazer algo diferente para tentar se desprender dos trabalhos realizados no passado onde o estúdio sempre estava ligado a projetos relacionados com a id Software, o jogo foi apresentado na E3 de 2008 e por algum motivo acabou saindo com atraso de 2 anos, e mesmo após esse atraso, ele obteve uma similaridade muito próxima com BioShock, alguns ambientes possuem paredes espelhadas e aparentemente úmidas como se lembrasse as paredes da cidade de Rapture. E ainda a Activision arrecadou apenas 400 mil unidades vendidas, o que para ela não foi uma meta satisfatória.

Com o passar dos anos, pessoas foram jogando e gostaram muito do que viram em Singularity, com o tempo o público foi percebendo que existe muito mais aqui, isso é possível entender pela quantidade de reviews positivos que o jogo detém na loja da Valve. É a velha receita do jogo Rock ‘n Roll Racing, ninguém dava muita bola até que o jogo fez um tremendo sucesso. Por isso, aproveitem que Singularity ainda está ativo no Steam, assim como também encontra-se disponível na PSN para o PS3 e na Live para o Xbox 360, adicionem em sua lista dos desejos porque vale a pena pegá-lo em uma promoção.

A edição 138 fica por aqui, abaixo acompanhem a galeria com imagens capturadas durante o gameplay do jogo Singularity no PC. Até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 12 de agosto de 2016, em Análises, Atualizações do Site, PC, PS3, XBOX 360 e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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