Ed.Nº 133 – Life Is Strange (2015)

AnaliseFaaala gamers do Brasil! Chegamos a mais uma edição e desta vez a nossa viagem nos levará para uma cidadezinha localizada em Oregon nos Estados Unidos.

O Estado de Oregon é bastante conhecido devido a vinda de várias bandas do cenário indie rock norte-americano, bandas como: Elliot Smith, The Decemberists, Dandy Warhols, dentre outras. Na mesma Oregon está localizada a cidade fictícia de Arcadia Bay, palco da história de Life Is Strange – que eu não sei por que pelo nome me faz lembrar de BioShock.

Por enquanto, temos aqui na Edição 133, a produção mais recente, até o momento, do estúdio Dontnod Entertainment que é Life Is Strange. Jogo lançado para PC, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One, em Janeiro de 2015 no formato episódico, sendo ao todo 5 Episódios que compõem o marcante universo vivido por Max Caulfield e Chloe Price, além de um elenco numeroso que é possível conhecer ao longo dos episódios.

O primeiro episódio veio em janeiro e sendo assim, o jogo só terminou em outubro de 2015. Quem for comprar/jogar já contará com todos os Episódios prontos esperando por você, além das legendas em português. No meu caso, eu fui acompanhando lançamento por lançamento, comecei a jogar em fevereiro e terminei em outubro de 2015, parecia mesmo uma série, esperando ansiosamente cada episódio como se fosse cada temporada nova.

Vamos seguir viagem para Arcadia Bay na análise para PC pelo Blog MarvoxBrasil, acompanhem:

Ed133MVX

Meu primeiro contato com o jogo foi em Agosto de 2014, quando a Square Enix havia anunciado uma nova parceria com um estúdio independente, isso foi através de uma notícia onde tinham algumas imagens conceituais de Life Is Strange, logo que eu vi as primeiras imagens fiquei imaginando que esse jogo poderia ser bem legal. Mais do que isso, na notícia dizia que Life Is Strange seria lançado em ambos os consoles da Microsoft e da Sony, inclusive no PC, foi um compromisso anunciado e conseguiram cumprir, já aqui é possível notar que existe seriedade no produto da Dontnod.

Naquele momento faltavam apenas 5 meses para o real lançamento do jogo e quem acompanha o andamento dos games, notícias e etc sabe que, no mundo dos games, muitas promessas são feitas e de repente ocorrem mudanças inexplicáveis. E ao prestar atenção nesse fato, a Dontnod havia anunciado a existência do jogo em agosto de 2014 para logo em janeiro de 2015 lançar Life Is Strange, ou seja, o jogo já estava quase pronto e o Estúdio precisava apenas de uma mãozinha para ajudar na distribuição, por sorte a Square Enix apareceu nos 45 do segundo tempo.

Você está entrando em Arcadia Bay

Life Is Strange é um jogo do gênero Graphic Adventure, um subgênero evoluído dos jogos que antigamente traziam textos e as pessoas tinham que digitar para que a história pudesse progredir. Junto temos o point-n-click onde existe já na tela cenários, personagens, porém o personagem só faz alguma coisa se clicarmos em algum lugar específico da tela, por exemplo, Full Throttle, The Dig e demais jogos da LucasArts.

O Graphic Adventure chega a ser uma evolução agarrado ao point-n-click, porque ele tem todo um cenário cheio de interatividade desde objetivos primários e objetivos secundários, além de um personagem livre para se movimentar o tempo todo e para onde o jogador quiser.

A parte Adventure entra exatamente nessa exploração constante do cenário onde o personagem principal consegue interagir com demais personagens (NPC), sendo importantes para o enredo ou apenas de passagem, porém, é aquela coisa, você consegue conversar e interagir com todo mundo no jogo, e assim o desafio coloca o objetivo primário destacado, enquanto os objetivos secundários são feitos para o jogador descobrir.

A história gira em torno de Max, uma estudante da Blackwell Academy, ela está no Ensino Superior e terá um ano bastante agitado, principalmente quando descobre que possui um poder paranormal de rebobinar, retroceder o tempo, fazendo com que as decisões tomadas sejam refeitas para a melhor ou para a pior e aqui está a chave do jogo.

Parece que o poder da Max é a chave para um recurso de grande auxílio para o jogador porque, em Life Is Strange nada garante que o erro possa ser errado. Às vezes você já fez o certo, mas acredita estar errado. E aí vem o trunfo graças a essa mecânica do jogo, existe a situação das suas ações gerar grandes consequências em torno do enredo no jogo. Assim como a vida possui caminhos incertos, não será o jogador que incorporará o personagem, o universo do jogo vai incorporar-se na sua vida e no seu pensamento já que será você que tomará as decisões, e o jogador entrará na história como um “amigo/amiga espiritual” da Max. É como se pudéssemos caminhar do lado da personagem numa realidade aumentada e sem a ajuda de Oculus Rift.

Por sua vez, a trilha sonora feita por Jonathan Morali, compositor e líder do grupo francês Syd Matters. O grupo existe desde 2001 e haviam feito trilhas para algumas temporadas do seriado The O.C, com isso receberam o convite da Dontnod para fazer parte da trilha sonora de Life Is Strange. Uma das faixas que eu acredito ser bem marcante e traz muita vida ao jogo é a música Obstacles. Deixo aqui para que vocês possam ouvir.

Um jogo que conseguiu chegar bem perto desse lance de mexer com o psicológico decisivo do jogador e este já tem alguns anos é Silent Hill: Shattered Memories (Climax Studios, 2009), foi inicialmente um exclusivo do Nintendo Wii e um ano depois ganhou versão para PS2 e PSP. Sobre ele, em varias partes o personagem principal Harry conversa com o psiquiatra Dr. Kaufmann e nesse momento durante as sessões do Harry com o psiquiatra, o jogador é colocado para resolver testes psicotécnicos, diversos testes em um papel ou olhando fotos, e no final ao terminar o jogo é apresentado o diagnóstico, só que não do Harry e sim do jogador.

Normalmente, todo jogo possui a interatividade direta e indireta. A primeira é o jogador pegando no controle/teclado/mouse e mexendo no jogo, a indireta é a emoção ou baque (no sentido de choque emocional) que o jogo consegue fornecer ao jogador. Por exemplo, Outlast é um jogo de terror, muitos ficam assustados com as cenas e pulam do sofá, enquanto outras pessoas podem nem ligar para o que acontece. Em Life Is Strange a interatividade acontece de igual para igual, mesmo se o jogador não expressar ou sentir, e isso acontece, nenhuma emoção enquanto joga, esta produção da Dontnod poderá arrancar de algum jeito alguma emoção por menor que seja e a qualquer ponto dentre os 5 episódios. O meu baque aconteceu no 2º Episódio.

Vamos então conhecer os 5 episódios, colocarei de uma forma bem sucinta e sem grandes revelações como se fosse uma sinopse para cada episódio, até porque não tem como descrever de uma forma muito fechada devido o lance de cada jogador conseguir realizar escolhas distintas.

Episódio 1: Chrysalis | Sobre o que fala: Desenvolvimento pessoal e social.

Max inicia o ano na Blackwell Academy, uma menina aparentemente tímida que gosta de enxergar o mundo através da lente cirúrgica e aplicada de uma câmera fotográfica. Nisso conhecemos os alunos, percebemos uma certa rivalidade e competição entre alguns colegas e podemos caminhar pelo campus, conhecer os NPCs e o primeiro encontro com a amiga rebelde Chloe e a descoberta do poder de retroceder o tempo. Pelo campus o jogador enxergará um retrato de uma moça chamada Rachel Amber que é dada como desaparecida.

•    Fique atento porque muitas conquistas são desbloqueadas através das fotos capturadas pela Max.

Life Is Strange (PC)

Episódio 2: Out of Time | Sobre o que fala: Cyber-bullying.

Aqui o jogador ganha espaço ao conseguir sair do campus e conhecer algumas localidades da cidade Arcadia Bay. Max começa a se aproximar de uma colega de classe que aparenta estar muito abalada com alguma coisa, nisso o campus todo começa a comentar de fotos e vídeos de uma menina que foi a uma festa e ficou entorpecida, pessoas se aproveitaram, tiraram fotos e postaram na Internet e na rede social da faculdade, pessoas começaram a persegui-la e tirar sarro, e as coisas tomam formas que o jogador se sente na obrigação de ajudar.

Quem tirou as fotos, fez o vídeo e as pessoas que perseguem essa colega, dentre outros entrelaços que serão dissolvidos durante os próximos Episódios.

lis011

Episódio 3: Chaos Theory | Sobre o que fala: Conspirações ocultas da sociedade, em terra de cego, quem tem olho é rei.

Situações escolhidas nos dois Episódios anteriores trarão consequências marcantes neste terceiro episódio, com isso um mistério que envolve um número de NPCs fará o jogador entrar de cabeça na vida particular das personagens Max e Chloe que bancam Bonnie e Clyde às avessas para encontrar respostas sobre o que é o Vortex Club, a ansiedade aumenta para descobrir o que acontece em Dark Room.

lis013

Episódio 4: Dark Room | Sobre o que fala: Nem tudo é o que parece.

O jogador participará inteiramente do Vortex Club e ajudará Max a encontrar a entrada para Dark Room, um dos momentos revelações de Life Is Strange, cheio de intrigas e reviravoltas.

lis015

Episódio 5: Polarized | Sobre o que fala: Todo mundo tem o próprio tempo para construir um novo começo.

Eventos de enorme proporção poderá alterar completamente o rumo de toda Arcadia Bay, dependerá do próprio jogador ajudar Max a escolher o futuro do fim da história, e o final dependerá da escolha mais sensata de forma muito subjetiva, sem existir um final certo ou errado, será o final carregado pelas escolhas de cada jogador.

lis017

Um chute no traseiro ensina muita coisa

Criterion Games, EA e Ubisoft, o encontro inesperado de pessoas desses três estúdios acabou fundando o estúdio Dontnod, localizado na França desde 2008 e que já começaram com a criação de um projeto. Esse projeto seria lançado com exclusividade no PlayStation 3, foi uma promessa dada pela Sony que acabou não aprovando esse primeiro projeto da Dontnod e assim entrou a Capcom que acreditou no estúdio francês e veio em 2013 o título Remember Me.

Essa parceria entre Capcom e Dontnod não durou muito e novamente o estúdio ficou sem apoio para a distribuição do próximo projeto, Life Is Strange. Foi aí que inesperadamente, assim como foi com a Capcom, a Square Enix abraçou o projeto e assim temos atualmente o jogo tema desta análise.

A história de Max em torno de Arcadia Bay rendeu muito mais do que a Dontnod esperava, ao todo, 16 prêmios e um grande ensinamento para os próprios desenvolvedores, essa dança das cadeiras de Publishers fez a Dontnod vivenciar a real situação dos estúdios independentes, a promessa de trabalho sem a certeza da conclusão, o que fez o estúdio francês decidir não ficar inteiramente amarrado com esta ou aquela Publisher.

Life Is Strange foi inicialmente desenvolvido por apenas 15 pessoas, com a chegada da Square Enix esse número aumentou abrindo novas oportunidades de trabalho. E agora com 60 profissionais, a Dontnod trabalha com a conterrânea Focus Home Interactive, Publisher veterana pela distribuição da franquia Trackmania. Essa nova parceria renderá para 2017 uma nova produção, Vampyr, o primeiro trabalho do gênero Action-RPG vindo das mãos da Dontnod.

Tenha cuidado aquilo que escolher caçar, sua morte impactará de forma significativa o mundo que o rodeia. Alimentando-se de sangue humano não apenas para mantê-lo “vivo”, o que também desbloqueará novos poderes vampirescos para utilizar. Será que teremos inserções de fórmulas de Life Is Strange?

Ingredientes da criatividade

Um dos fatores determinantes para a criação de um jogo em vários momentos da indústria dos games é a influência. No caso da Dontnod que começou com o jogo solo Remember Me, partir para um jogo episódico no mínimo, foi uma estratégia bastante corajosa. Conheça os 4 pilares estratégicos que ajudaram na concepção de Life Is Strange.

1- The Walking Dead – Desenvolvido pela Telltale Games, a produção rendeu duas temporadas de jogos com 5 episódios cada, Season 1 (2012) e Season 2 (2013-2014) e a Season 3 vem logo aí. Bem antes disso, a Telltale havia revitalizado a franquia Sam & Max em 2006 com Sam & Max Save The World, assim como recuperou a confiança do público para este segmento de jogos em formato episódico, em seguida logo veio Back to the Future: The Game em 2010 e que também foi um jogo composto por 5 episódios.

Leia mais sobre a saga De Volta para o Futuro nos videogames aqui.

2- Gone Home – apresentado pela Fullbright Company e lançado em 2013 no PC, chegou ao PS4 e Xbox One em janeiro de 2016. A análise da versão PC pode ser conferida aqui.

3- Heavy Rain – desenvolvido pela Quantic Dream em 2010 exclusivamente para o PS3, e que atualmente encontra-se disponível no PS4. Aqui temos a análise de Fahrenheit: Indigo Prophecy Remastered (2015).

4- The Catcher in the Rye, para nós é o livro O Apanhador no Campo de Centeio. Da publicação lançada originalmente em 1951 foi onde saiu o personagem Holden Caulfield, o mesmo sobrenome da protagonista Max Caulfield de Life Is Strange. O livro também serviu, no passado, como fonte de inspiração para o núcleo de desenvolvimento do jogo Bully/Bully: Scholarship Edition (Rockstar, 2006/2008) e o personagem Jimmy Hopkins.

A análise do jogo Bully: Scholarship Edition (2008, PC) encontra-se aqui.


Life Is Strange consegue puxar o jogador para dentro do jogo, o jeito como Max é posicionada na tela, a visão em terceira pessoa em que ela fica alinhada para o lado é como se convidasse o jogador para caminhar ao lado da personagem enquanto conhece cada detalhe de Arcadia Bay, desde os mais óbvios aos mais secretos, uma experiência agradável e que logo revisitarei para fazer tudo de novo, mudando as opções para descobrir o que acontecerá em outros desfechos.

O jogo encontra-se disponível para PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One, a versão do PC pode ser encontrada no Steam ou experimente a demonstração também disponível na loja digital. Acompanhem a galeria de imagens capturadas durante o gameplay com mais alguns detalhes nas descrições. A edição 133 fica por aqui, até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 8 de junho de 2016, em Análises, PC, PS3, PS4, XBOX 360, Xbox One e marcado como , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Cara, vale muito a pena jogar Life Is Strange, tenho um amigo que jogou e ele não é muito chegado nesse estilo de jogo, o cara simplesmente ficou doido com o que se passa no jogo. O legal é que o jogo possui sistema de slot para o save, igual Mario World ou Sonic 3, então você e sua esposa podem iniciar jornadas independentes e depois ainda comentar o que cada um fez. Vale a pena esse co-op familiar hahaha.

    hahaha e não tem spoiler não é só uma descrição psicológica, eu nem cheguei a contar o pior que acontece no Episódio 2. Seria mancada eu contar.

    Grande abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Fala Marvox!
    Esse eu tenho certa curiosidade, mas sempre tenho que “estar no clima” pra jogar um Adventure nessa pegada. A primeira temporada do TWD e o Heavy Rain foram excelentes experiências que tive. Vou aproveitar que o jogo fornece PT-BR de alguma forma pra ver se consigo estimular minha esposa a se interessar por videogames de alguma forma, me parece que este ela vai curtir.
    Muito bom o post, mas confesso que pulei toda parte dos episódios pra evitar qualquer spoiler mínimo… rs!
    Abraço

    Curtir

Para comentar não é preciso se identificar. Mas, se quiser, pode comentar utilizando seu login do Facebook, Twitter, G+ ou Wordpress. Grande abraço!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: