Ed.Nº 129 – Condemned: Criminal Origins

AnaliseFala gamers do Brasil! Na edição anterior, mostrei um pouco sobre The Division no Beta em que eu pude participar, e alguns dias antes na semana do Valentine’s Day, 14 de fevereiro, a Sega resolveu montar uma campanha muito legal chamada Make War Not Love, quem ficou ligado no site da campanha conseguiu descolar fácil alguns códigos promocionais que quando ativados pelo Steam, apareciam jogos produzidos ou publicados pela Sega.

Foram três edições seguidas, quando acabava uma a Sega já resolvia lançar outra, e na 2ª edição, um dos jogos foi Condemned: Criminal Origins. Eu não esperava por isso, e foi muita coincidência porque em janeiro eu tinha jogado para relembrar e falar dele aqui para vocês, pelo visto o motivo apareceu. Acredito que muitos já jogaram e também muitos que conseguiram pegar o jogo pela Sega ainda não jogaram.

Na Edição 129 do Blog MarvoxBrasil iremos relembrar, e quem não conhece vai conseguir conhecer o histórico deste jogo criado pela Monolith Productions, isso, a mesma que fez Shadow of Mordor. Acompanhem a análise de…

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  • Monolith, uma transfusão de ideias

A Monolith é uma desenvolvedora que possui uma das histórias mais curiosas dentre os estúdios que produziam jogos para PC nos anos 90, e para que vocês entendam o por que disso, vou resumir da seguinte forma. Logo após o lançamento de Duke Nukem 3D em 1996, os criadores do Duke Nukem tiveram uma ideia de montar um estúdio à parte que eles chamam de independente, para criar jogos fora da 3D Realms, mas ao mesmo tempo lucrariam com esses jogos. Coisa que hoje em dia vemos, por exemplo, a EA que abraçou a Ghost Games e agora vemos Need for Speed sendo criado sob outra marca, mas no fim a EA tira um lucro de qualquer jeito.

Pois bem, a 3D Realms estava com dois jogos guardados na manga, um deles foi Shadow Warrior que acabou sendo lançado pela própria 3D e o outro era um jogo “super secreto” chamado Blood que ficou sob os cuidados do estúdio novo chamado Q Studio. No final, a Q Studio foi comprada pela Monolith que já existia, e na compra levaram tudo, equipe e projetos. A 3D Realms só ficou sabendo do ocorrido quando o bolo já estava cortado. Blood era para ter sido um jogo da 3D Realms, e acabou sendo o primeiro pontapé da Monolith nos PCs.

 

  • F.E.A.R no PC e Condemned no Xbox 360

A Monolith começou muito focada nos PC gamers, todos os títulos de 97 até 2003 foram jogos exclusivos para o computador, a grande maioria conseguiu chegar no Brasil graças a Revista CD Expert, já que naquela época o Steam ainda não estava difundido da forma como conhecemos, a revista continha um CD com jogos completos acompanhados de vários jogos em versão demo jogável, e foi assim que muitos conseguiram jogar Blood, Shogo, No One Life Forever, dentre muitos outros.

Quando chegou em 2003, a Monolith inventou de criar um spin-off para o jogo No One Life Forever chamado Contract J.A.C.K, só que o jogo não foi tão bem recebido, e pela primeira vez em 6 anos e com cerca de 16 títulos lançados, a Monolith ganhou sua primeira nota negativa em vários sites internacionais. Isso não deveria ser um motivo para tanto, mas para uma empresa que recebia aplausos pelo que criava, foi aqui o primeiro baque.

No ano seguinte a Warner Bros veio para adquirir a Monolith, e com isso colocá-la no ramo dos consoles também. Isso foi um reflexo que acontecia desde a 5ª geração com o PlayStation (PS1), quando muitas empresas estavam sendo compradas, ocorrendo fusões e parcerias de atividades. Empresas que nunca haviam criado nada originalmente para consoles, pois muitas aproveitavam-se de ports querendo de algum modo inserir certos títulos nos consoles, começaram a lançar títulos de PC igualmente nos consoles e o inverso também aconteceu. Citarei dois exemplos, Grand Theft Auto (GTA) e Driver.

O primeiro GTA (GTA 1), produzido pela DMA Design (atual Rockstar North), foi lançado primeiro no PC em 1997, no ano seguinte a DMA foi adquirida pela Take-Two Interactive (na época escrita como Take 2) que a ajudou a levar GTA 1 para o PS1 em 1998. O mesmo aconteceu com o primeiro Driver (Driver 1) da Reflections Interactive, o jogo chegou ao PS1 em junho de 1999 e seria exclusivo do console, mas a distribuidora GT Interactive que já tinha boas relações com o mercado de PC acreditou que seria benéfico para a franquia e 4 meses depois o título também estava presente nos computadores.

De volta ao tema, a Monolith estava com dois projetos na mão e a oportunidade de abraçar os dois mundos, um seria lançado primeiro no PC e depois foi para os consoles e o segundo projeto faria o inverso, chegando primeiro no Xbox 360 para depois ir para o PC. E então temos F.E.A.R e Condemned: Criminal Origins.

 

  • Condemned: quando o melee ganhou maior importância

Antes de continuarmos, é importante entender o que significa essa pequena palavra existente em vários jogos de ação, “melee“. Essa palavra é sinônimo da palavra em inglês brawl, quer dizer, dar porrada. Só que, não uma porrada qualquer com os punhos, mas o ato de pegar algo nas mãos e descer o cacete. Se for uma arma de fogo, é só colocar a palavra coronhada. O que fazíamos nos beat’em ups jogando Streets of Rage no Mega Drive quando pegávamos um cano para atacar os inimigos, era justamente fazer o melee. Hoje em dia, sempre nas opções dos jogos de ação existem um botão específico onde o personagem consegue dar o melee enquanto segura uma arma, é uma tática muito útil para derrubar ou afastar um inimigo que está muito perto, sem gastar munição.

A estrutura do jogo Condemned é justamente essa, tira-se a importância suprema de atirar em tudo que se move, e muda para um combate mais próximo, mais corpo a corpo na maioria das vezes, onde temos cenários cheios de interações, fazendo o jogador parar para olhar o que tem em sua volta ao invés de só olhar e mirar para frente. Dar tiros é muito útil a menos que o jogo faça a munição ser completamente escassa, e por isso, podemos arrancar canos e conduítes das paredes, pegar machados e marretas, ou qualquer outro tipo de ferramenta, só que tem um porém, cada arma branca possui uma determinada durabilidade, algumas resistem mais, outras podem quebrar após muitos golpes e se tornam inúteis na mão. E tudo isso em um jogo atrelado ao gênero Survival Horror com tema policial, onde temos que caçar um serial-killer. Imagine Outlast com direito a armas, ao invés de sair correndo, você precisa ir para cima dos inimigos e ainda coletar pistas com ferramentas específicas, falarei de cada uma delas mais para frente, enquanto faz o jogador descobrir onde tudo isso vai acabar.

É importante lembrarmos que muitos jogos de ação antes de Condemned já buscavam utilizar o melee de algum modo, no que diz respeito ao gênero First-Person, a maioria colocava a arma branca na mão do personagem mais como um recurso aliado a ser uma primeira arma ou relacionado a puzzles, como é o caso de Half-Life, Gordon Freeman usa o pé de cabra como um alicerce para quebrar caixas, vidros, além de derrubar os inimigos quando necessário. O que Condemned fez foi dar maior importância para as armas brancas e menor importância para as armas de fogo, é o que entenderemos nas próximas etapas.

 

  • O agente com pacote Premium

Ethan Thomas é um agente do FBI que trabalha em uma unidade especializada em homicídios, sobretudo em assassinatos por serial-killers. Em uma chamada aparentemente comum, Ethan acaba entrando no meio de uma perseguição incrédula com uma força do mal, o famoso Serial Killer X. E já que o trabalho aqui é descobrir onde está esse assassino, caminhamos por uma cidade americana fictícia onde nos deparamos com diversos inimigos, mas eles não trabalham para o serial killer, na verdade, o agente acaba entrando em locais cheios de marginais, e ele sendo da polícia é claro que os bandidos acabam querendo vir para cima.

Cada fase mostra pouco a pouco etapas da investigação e o melhor é, quem faz toda a investigação do jogo é o próprio jogador ao utilizar utensílios típicos de um agente do FBI. Vamos conhecer o kit Premium do FBI:

UV Light – Uma luz ultra-violeta para iluminar marcas de sangue e outras substâncias orgânicas. A iluminação se dá por uma luz roxa que faz aparecer pistas que sem essa luz os olhos não conseguem enxergar.

Laser Light – É um pequeno canhão que com uma luz verde, muito parecido com a UV Light mas serve para enxergar marcas sólidas no chão.

Gas Spectrometer – Serve para medir o odor, cheiro, do ar. Se algum bandido passou e estava usando perfume ou qualquer cheiro, é possível rastrear para onde a pessoa foi com este medidor de odores.

Sampler – Este é para coletar amostras da cena do crime.

3D Scanner – Para capturar imagens de objetos e enviá-los em três dimensões para ser melhor investigado pelos computadores do FBI.

Digital Camera – Sim, é uma câmera para tirar fotos.

Ainda existe o celular que Thomas carrega e um taser (arma de choque) para atordoar os inimigos naqueles momentos em que o jogador encontra-se encurralado, o jogador durante todo o jogo aprenderá e utilizará todas as ferramentas apresentadas. Mas quem recebe essas informações? Ethan não trabalha sozinho, enquanto o jogador prossegue pelas fases, toda a investigação é comunicada e recebida por Rosa Angel, a parceira da história. Todos os momentos de investigação, o jogador ouvirá a voz de Rosa, pegando as informações e contando mais e mais o que descobrimos pouco a pouco.

 

  • Investigue o crime, explore os capítulos

Condemned é um jogo de detetive, e que também carrega muita exploração durante cada capítulo em que se passam as fases, por isso é importante ficar atento ao cenário porque existem oportunidades de garantir conquistas, sim, igual ao que acontece hoje em dia com os jogos no Steam, Live e PSN, mas nessa época em que Condemned apareceu os Achievements  estavam introduzidos na raíz do jogo e o que fosse feito a mais nas fases, liberava algumas novidades. Vamos ver quais são elas:

Dead birds – São esqueletos de pássaros mortos, colete 6 em cada capítulo.

Metal Pieces – São pedaços de metal retorcido que estão sempre muito bem escondidos, existem 3 em cada capítulo.

Video Tape – São TVs acompanhadas de um video-cassete, ao se aproximar e ativar, ficará registrado um vídeo que depois poderá ser assistido e que possui informações mais profundas do universo de Condemned.

O desbloqueio das conquistas traz ao jogador novas informações para ler e diversas artes conceituais mostrando o desenvolvimento do jogo desde o começo. E de todos os objetos escondidos, o mais legal é encontrar os video tapes, porque os vídeos revelam uma ideia que quase aconteceu.

 

  • A ideia era expandir

Na época em que Condemned apareceu no Xbox 360 e no PC, a Monolith junto com a Warner Bros estavam com vontade de produzir um filme do jogo, os gamers poderiam acompanhar na TV uma série com todos os elementos encontrados no jogo. Algo assim é o que vai acontecer com Quantum Break da Remedy e futuramente, se tudo der certo, com Cyberpunk 2077 da Projekt Red. Talvez em 2005 a ideia de tentar unir jogo+filme/série, para fazer o público acompanhar dois universos não tinha tanto apelo ou tanta certeza de que seria bom, não que hoje em dia tenha, sempre existe o receio de que o filme não será tão convincente do que o jogo e vice-versa, mas no fim sempre as duas indústrias estão tentando se entender para cobrir uma maior parcela de público, tanto os que jogam quanto os que só assistem.

Mas no caso de Condemned, infelizmente a ideia do filme só ficou no papel e nos planejamentos, após o lançamento da continuação – Condemned 2: Bloodshot que saiu em 2008 somente no console Xbox 360 e PS3 – as vendas não atingiram o esperado pela Monolith, o que levou o estúdio a dar maior atenção para o desenvolvimento e lançamento de F.E.A.R 2: Project Origin que saiu no ano seguinte para PC, PS3 e Xbox 360 de uma só vez.

 

  • Um desafio onde todos podem fazer o mesmo que você

Condemned foi uma das primeiras tentativas de unir Survival Horror com First-Person, com uma temática bastante adulta e conteúdo agressivo, onde o desafio faz o jogador mergulhar de cabeça em cenas de crime e investigar o ambiente ao utilizar ferramentas específicas e com muitos momentos de sustos e tensão. E ainda busca beneficiar a experiência do jogador para enfrentar investidas rápidas e chega até a melhorar a percepção do que está pelo cenário, afinal, encontrar esqueletos de pássaros ou peças de metal em ambientes que misturam claro e escuro não é uma tarefa fácil na primeira vez que joga.

A inteligência artificial chega a ser bem trabalhada, da mesma forma em que podemos arrancar objetos do cenário, os inimigos também usam e abusam desta interatividade. Quando os bandidos estão em desvantagem, eles simplesmente correm e se escondem à espera do jogador bancar o curioso e aparecem do nada na tela. Se uma arma cai no chão, cuidado, porque eles também poderão pegar e atirar contra você.

A primeira vez que joguei Condemned foi em 2007, naquela época eu estava procurando por jogos de PC com temas de terror, survival, e junto conheci também os jogos: F.E.A.R 1, Obscure 1 e Infernal. Foi sorte do momento, eu acho.

Quem estiver com o jogo no Steam recomendo começar a instalar e jogar, e se você não conseguiu participar do Make War Not Love da Sega, Condemned está disponível na loja Steam, clique aqui.

A edição 129 do Blog MarvoxBrasil fica por aqui, espero que tenham gostado de relembrar e conhecer e que joguem para ver muito mais do que foi apresentado, e no mosaico abaixo, confira as imagens de Condemned: Criminal Origins no PC capturadas recentemente quando eu revisitei o jogo para também relembrar. Até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 17 de março de 2016, em Análises, PC, XBOX 360 e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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