Ed.Nº 127 – Call of Juarez: The Cartel (2011)

AnaliseFaaala gamers do Brasil! Chegamos a mais uma edição e desta vez o assunto é: – Até que ponto um jogo pode ser massacrado de forma a impedir que as pessoas conheçam melhor o conteúdo? Quem determina se o jogo é bom ou ruim?

É por isso que na edição 127 iremos acompanhar a análise de Call of Juarez: The Cartel, um jogo que foi lançado em 2011 nesta ordem: PS3, Xbox 360 e por final, PC. Uma produção da Techland antes dela mesma investir no Dead Island, e que recebeu na época a parceria da Ubisoft. Acompanhem:

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Como a Techland entrou no mapa?

A Techland é uma softhouse da Polônia, e existe desde 1991, naquela época acredito que muitos gamers, como eu também, estava curtindo a Era 8-bits e 16-bits, praticamente neste ano o Sonic da Sega estava nascendo no Mega Drive. Mas nos computadores, a Techland já existia porém, só começou a produzir jogos a partir do ano 2000, apenas para os computadores, e que por sinal os títulos não eram lá tão interessantes, focados apenas em Simulação e Estratégia.

Hoje em dia conhecemos a empresa pelo jogo Dead Island, entretanto, Call of Juarez foi um dos passos que a colocou no mapa de verdade. A franquia apareceu pela primeira vez em 2006 no PC e Xbox 360, o jogo é do gênero First-Person Shooter com pitadas bem pequenas de puzzles à la Half-Life 2, devido as inspirações da época, já que o jogo da Valve ainda era muito vivo e muito comentado de forma mercadológica. Para quem chegou a jogar Gun ou Red Dead, o primeiro Call of Juarez é recomendado para quem quer jogar um faroeste com visão em primeira pessoa, principalmente para os gamers oldschools que jogaram Outlaws da LucasArts ou Sunset Riders da Konami.

O segundo jogo, Bound in Blood veio em 2009, desta vez a franquia havia chegado no PS3 pela primeira vez. A temática continua sendo o faroeste, e ganhou um fator histórico que fala sobre, uma guerra civil americana de 1864 ao mesmo tempo que mostra ao jogador o que foi para a época a tal corrida do ouro. Os dois primeiros jogos foram muito bem recebidos, eles são bem divertidos mesmo. Porém, uma das críticas que o jogo levou foi “faltou um modo cooperativo”. Talvez a Techland tenha levado isso em consideração e buscou trazer essa ideia para o terceiro jogo, o problema foi, lançar um novo CoJ com a cabeça em Dead Island.

Em 2011 a realidade era a lei?

No ano em que Dead Island era muito comentado, a ilha dos zumbis seria um novo pontapé que a empresa daria para ficar mais conhecida, o problema é que a euforia causou um certo descaso, justo com Call of Juarez que foi a franquia que a colocou no mapa. O jogo chegou primeiro nos consoles em julho de 2011 no PS3 e Xbox 360, a versão PC só chegou em setembro, o mesmo mês de lançamento do Dead Island.

O ano de 2011 foi muito complicado perante as análises de games, porque, a maioria dos textos se agarravam na questão da realidade que o jogo trazia, ao lembrarmos bem, 2011 foi o ano de Dead Space 2, Crysis 2, Mass Effect 2, Deus Ex: Human Revolution, FEAR 3, Duke Nukem Forever, Rage, Portal 2, ou seja, todos os jogos tinham como ambiente cidades, locais realistas, cidade futurista, cidade de Nova York, cidade espacial, e por aí vai. E aí vem The Cartel com Los Angeles e México retratando fatos geográficos meramente reais.

Ele chega a trazer uma noção regional de realidade, e explico o ponto: Tudo começa em Los Angeles e termina na Ciudad Juarez no México uma das cidades mais violentas da divisa entre Estados Unidos e México. A ligação dessas duas cidades pelo Google Maps em uma viagem de carro, dura em torno de 13 horas, é o tempo para terminar o jogo.

Tri-Operativo

The Cartel decidiu fugir do clima faroeste, o jogo pode ser considerado uma espécie de filme daquelas sessões do TNT Nitro, onde só passa filmes de ação frenética e quem assiste consegue imaginar como termina, mas mesmo assim, vai ficar lá diante da TV. O enredo nos leva para 4 de julho de 2011, em Los Angeles nos Estados Unidos. Um agente federal investigava um cartel de drogas quando acabou sendo descoberto e claro, mataram esse agente, fazendo o caso dar aquela esfriada, até que como estava ocorrendo as eleições, o prefeito e o governo queria dar um jeito de colocar um fim nisso, e o jogo inicia no momento em que acontece um cruzamento de diferentes corporações:

Ben McCall é da Polícia de Los Angeles (LAPD), Eddie Guerra (volante) é do FBI e Kimberly cojc000Evans é da Narcóticos (DEA). O jogador pode escolher um dos três personagens, como se fossem os antigos beat’em ups, com a diferença de, cada personagem aqui em The Cartel tem os seus próprios objetivos a serem desenrolados durante as fases. Independente de qual for a escolha para jogar, os outros dois personagens serão controlados pelo computador. E para incrementar, 3 pessoas podem jogar juntas em modo cooperativo, essa é a inovação na história da franquia. O final chega a ser bastante intrigante e pode gerar emoções diversas, está aí a cereja do bolo, jogar em trio.

A maioria dos jogos de modo cooperativo, as empresas que os criam buscam fazer de tudo para instigar os jogadores a jogarem juntos, por exemplo, jogar Left 4 Dead sozinho é uma tarefa trabalhosa mas não impossível, porém, a IA dos personagens de L4D não é feita para jogar sozinho. Enquanto que, The Cartel possui uma IA que pode ser aproveitado sozinho também. Os momentos de combate chegam a ser justos porque, o tiro dos seus parceiros realmente acertam os inimigos, isso é colocado em prova nos trechos de emboscadas onde aparecem por alto 20 inimigos e o jogador precisa se virar. Assim, é possível terminar o jogo tranquilamente, sem sufocos dizendo: “caramba que máquina burra, que jogo bugado, personagem que não ajuda”, e coisas do tipo por morrer do nada devido parceiros que não ajudam. O jogo é tri-operativo o tempo todo, já que os três agentes federais seguem juntos através do enredo, o que muda é, cada personagem segue uma linha própria de pistas durante o jogo.

Se souber blefar no truco, então, saberá jogar The Cartel

Assim como pessoas comuns tem suas particularidades e segredinhos pouco revelados, os personagens também. Durante as fases será normal olhar para os outros personagens e ver que eles estão fazendo alguma coisa, porém, você nunca saberá o que é, a não se que você esteja jogando com eles. Por exemplo, ao jogar com o Ben McCall, será possível enxergar Eddie ou Kimberly recebendo ligações pessoais no celular. Quem ligou, ou o que foi falado só será revelado quando o jogador jogar com eles. É por isso que além do objetivo principal para terminar cada fase, existe o objetivo pessoal de cada membro do trio.

Ben poderá roubar carteiras pelo caminho, Eddie poderá roubar alguns pacotes de drogas ou trocar ideias com ligações do tráfico, enquanto Kimberly encontra celulares para decifrar pistas, e acaba sendo colocada como a que realmente está afim de trabalhar contra o crime, no jogo. Dá a entender que todos vivem numa desconfiança o tempo todo, sendo que em algum momento alguém vai tropeçar, e o jogador consegue pegar no pulo os personagens fazendo suas particularidades.

Conseguir completar as pequenas missões durante as fases dará pontos de experiência, aumenta as habilidades com as armas ao melhorar inclusive os danos causados nos inimigos. Fato, qualquer ação nas suas missões paralelas não podem ter a presença dos outros personagens, tudo é feito escondido mesmo. Se tiver que pegar algo pela fase, faça sem que o outro perceba, ou por segundos a tela ficará branca e preta, a missão principal continua mas o jogador perdeu a oportunidade de completar aquela pequena tarefa.

Em uma das missões, os agentes precisam descolar um carro para escoltar uma moça que é dada como elemento chave para a trama, nesse momento, todos estão num beco. Kimberly segue para a rua para buscar um carro, enquanto Ben e Eddie precisam manter a moça em segurança até a agente da narcóticos chegar com o carro (foi fazer a unha né!). Outra missão muito chamativa é a danceteria Eldorado, essa missão cojc001coloca a prova toda a tecnologia do motor-gráfico desenvolvido para o Dead Island, quando as portas se abrem, você enxerga pessoas aglomeradas dentro do local, muuuuita gente bem no estilo Vila Olímpia. O melhor acontece na hora da ação, enquanto a música alta está rolando, o jogador ouve tiros e inicia o combate ao localizar os bandidos no meio da multidão, porém, atirar nos bandidos não é nenhum problema, o que não pode é acertar os civis. O jogo não chega a ser injusto, mas matar civis ocasiona em um desfecho diferente.

Ação sem tutorial

Para os amantes de uma boa ação, The Cartel chama atenção porque logo ao apertar start somos colocados em uma situação de perseguição de carros em uma das rodovias de Los Angeles, sem tutorial algum nem delongas explicando o que fazer, é aquela coisa, apertou start se vira para aprender. Por dedução, temos que acertar os carros inimigos que perseguem o veículo dos personagens, enquanto impedimos que o nosso veículo seja acertado. É um jogo difícil, porque na primeira missão dada como a introdução, o jogador pode vir a perder de cara. Uma coisa normal com qualquer jogo que se começa, porém, nem todo jogo contemporâneo propõe fazer o jogador perder logo no começo.

Existem combates a pé, mas também existem os combates durante as perseguições, em que podemos dirigir veículos pelas rodovias, ou ruas residenciais, tudo faz parte da missão e da trajetória do enredo. Nesta parte em que estamos no veículo, um jogador ficará na direção, este só poderá dirigir enquanto os outros dois ficarão nas janelas, podendo mover-se para fora e atirar nos veículos enquanto bandidos aparecem pelo caminho, eles conseguem até fazer bloqueios. Quem estiver ao volante, ficará com a câmera na visão do volante. Isso pode ser meio frustrante para gamers que não tem costume de pilotar com a visão em primeira pessoa, diante disso, o motorista precisa ficar atento aos tiros e abaixar a cabeça para não ser alvejado. O jogo possui aquele sistema de recuperar a energia ao ficar parado, porém, os tiros são tão intensos que às vezes fica difícil arrumar espaço para ganhar fôlego e continuar em pé.

Mesmo não sendo o Call of Juarez do faroeste como conhecemos em 2006, existem muitos elementos que foram inseridos/mantidos para o jogador conseguir relembrar. A voz de Ben McCall e o jeitão todo marrudo “eu limpo as botas com sua cara” é idêntica ao do primeiro personagem. Uma das fases se passa numa cidade abandonada no meio do deserto, tudo bem típico do velho oeste igual ao cenário do primeiro jogo, e os momentos com a câmera lenta acontece quando o contorno do corpo aparece ao lado das portas, o jogador precisa se posicionar e tem aquele efeito lento para conseguir atirar nos inimigos mais críticos em poucos segundos.

O som do velho oeste moderno

A trilha sonora chega a ser muito legal e faz sentido durante a ação, já que quiseram unir estilo velho oeste com cidade contemporânea, os timbres das músicas tem muitas mensagens de persistência, esforço, e até uma espécie de heroísmo em grupo ao estilo Hollywoodiano, onde tem toda aquela situação ofegante pra no final dizer: “pronto, acabou”.

A música abaixo é o tema principal de CoJ: The Cartel, composta pela banda norte-americana, Black Rebel Motorcycle Club. Só a música pela letra, já demonstra o que é The Cartel, um jogo que tenta passar a mensagem: “Não espere pelos outros, se tiver que resolver algo, resolva você mesmo independente da consequência, você pode não sentir-se feliz, mas pelo menos pegou o que é seu”.

O que mais devo saber?

No PC, o jogo atualmente é compatível com o DirectX 11, o que chega a aumentar o nível de detalhes dos cenários, fases, objetos. O jogo pode ser ativado no Steam porque no começo, em 2011 não existia ainda o Uplay. Mas se você tiver conta Uplay, poderá ativar na plataforma da Ubisoft, o que você ganha com isso? A possibilidade de jogar em dois lugares, sem precisar deixar as duas contas conectadas como acontecia com Far Cry 3. O melhor é que existem conquistas próprias nas duas plataformas. No Steam são 50 conquistas, e no Uplay são 11, fora as conquistas internas do jogo de uma época que a palavrinha Achievement ainda estava ganhando forças.

Meu primeiro contato com CoJ: The Cartel aconteceu em 2011 mesmo, depois com o passar dos anos encontrei o título na loja Steam e acabei comprando, e foi quando joguei novamente em maio de 2015, pude ver que houveram atualizações no conteúdo visual, por um lado mesmo o jogo não sendo bem recebido na época, a Ubisoft continuou dando suporte e continua, já que dá para jogar em trio até hoje.

Acredito que este é o fator, poucos puderam curtir o lado cooperativo para entender como o jogo realmente funciona, é complicado mesmo, nem todo jogo faz sucesso ou é compreendido logo que é lançado, existem muitos títulos que os gamers mesmo acabam redescobrindo e falando, nossa, isso é legal hein, mas na época não era tanto porque tinham outras coisas que faziam mais sentido. Tudo depende da vontade de jogar e querer conhecer.

The Cartel é um jogo desafiador, mas com certeza é feito para um público que não é fã da franquia Call of Juarez, tanto é que o próximo jogo foi Gunslinger e este voltou ao tema faroeste e foi novamente muito bem recebido.

Abaixo, curta a galeria com as imagens de Call of Juarez: The Cartel capturadas durante o gameplay no PC, a edição 127 fica por aqui, até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 22 de fevereiro de 2016, em Análises, PC, PS3, XBOX 360 e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Eu também não sou chegado no Dead Island, foi por esse motivo que resolvi jogar para que eu conseguisse enxergar o que eu não curtia, já tinha acompanhado em leituras o desenvolvimento, sabia de qual empresa se tratava, mas eu quis ver de perto, experimentar mesmo o jogo. Tirando a parte dos zumbis que eu sempre fui mais acostumado com Left4Dead 1 e 2, um amigo e eu decidimos comprar o Dead Island no Natal de 2014 e jogamos por vários dias durante quase 1 mês, dentro dos nossos tempos livres, até zerar rsrs. Essa parte foi legal, eu lembro que fazia muito isso nos fliperamas, sempre chamava alguém para zerar junto Cadillacs ou Golden Axe. Digo que foi uma experiência interessante, mas para mim ficou como um jogo que depois de zerar só jogaria de novo se houvesse outro motivo muito especial. No caso do Juarez, é um jogo muito rápido e prático de terminar porque não tem muito lenga-lenga. hahaha!

    Agradeço pelo seu comentário Cadu, sempre muito focado, valeu mesmo!

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  2. Fala Marvox, ótimo review!
    Eu nunca tinha entendido o pq do nome do jogo, sempre achei engraçado, como se fosse um cara qualquer fazendo um chamado. Finalmente entendi que Juarez é uma cidade e bem violenta.
    Confesso que eu não curto Dead Island (especialmente pq passo mal com 15 minutos de jogo) e não costumo me interessar por jogos de tiro em primeira pessoa, mas até que esse parece bacana!
    Só a parte do sem tutorial já vale uns preciosos pontos. Pressione R2 para atirar é o escambau! kkkk
    Mas o legal é o lance de coop. Com IA é complicado mesmo, Resident Evil 5 sofreu as mesmas críticas negativas da galera por conta de IA burra. Aliás, até Sonic 2 recebe críticas do Tails nos Special Stages, sendo que a pessoa pode manipular como jogar com os dois personagens… kkkkkk. Sempre usei ao meu favor, tudo que escuto de reclamações soa como puro mimimi, talvez seja o caso da chamada do Juarez.

    Curtido por 1 pessoa

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