Ed.Nº 126 – Borderlands 2 [2012]

AnaliseFaaala gamers do Brasil! Na edição 126 temos o universo do canibalismo punk hardcore de Pandora em Borderlands 2, jogo lançado originalmente em 2012 para PC, PS3, PS Vita e Xbox 360. É importante lembrar que desde 2015 está presente no PS4 e Xbox One, graças ao Borderlands: Handsome Collection, que é uma coletânea com todo o conteúdo da franquia.

Vocês vão poder acompanhar o que mudou desde o primeiro título, quais foram as inovações que a Gearbox inseriu e o motivo de Borderlands não ser apenas um jogo, ele é uma vida pela quantidade de coisas para fazer e lugares para explorar, além dos segredos ocultos e Easter Eggs muito marcantes. Vamos curtir então…

Ed125Borderlands2

Identidade própria é a alma da criação

A Gearbox existe desde 1999 e começou como uma desenvolvedora de suporte, os seus primeiros desenvolvimentos foram Opposing Force e Blue-Shift, as expansões para Half-Life da Valve. Nessa parte inicial em que eles criavam para outras companhias, o período mais interessante foi com a Electronic Arts, quando eles lançaram James Bond 007: NightFire.

Quando chegou em 2005 a Gearbox estava cansada de criar para os outros, os caras juntaram aquela grana nervosa, chegaram na Epic Games e compraram a licença para utilizar a Unreal Engine 2 e 3. Foi aí que começaram os trabalhos com Brothers in Arms, praticamente a vida da Gearbox como produtora de títulos próprios só começou em 2005 com o Road to Hill 30, onde os criadores viajaram até os locais da Batalha da Normandia na França para estudar o ambiente e recriar todos os caminhos dos soldados, quem terminou o jogo sabe que eles fizeram isso.

Borderlands é a 2ª criação/geração própria da Gearbox, eles aprenderam as manhas do desenvolvimento devido esses trabalhos relacionados com outras empresas, desde o pontapé inicial dado em conjunto com a Valve. O que não quer dizer que a Gearbox seja o primor em criação, ainda tem muita lenha para queimar, eles precisam continuar aprimorando-se para deixar de lado a essência de uma companhia de suporte, até porque já foi, é passado, e assim ganhar forças para caminhar com as próprias pernas, independente se hoje em dia estão abraçados pela 2K Games, isso se consegue ao estudar mais e ao buscar novos recursos.

Se Brothers in Arms é aquele famoso trabalho da aula de História, Borderlands pode ser considerado o TCC da Gearbox, quando o jogo apareceu em 2009 veio despretensioso com uma pegada que misturava o gênero Tiro em 1ª Pessoa com Action-RPG envolvida num ambiente massivo, e com a ajuda dos recursos online a Campanha Single Player transformava-se rapidamente em um MMORPG ainda em 1ª pessoa. Nem eles acreditavam que o primeiro jogo teria tanto sucesso.

Outra situação muito inteligente foi fazer com que o jogo não parecesse um FPS comum, então nada de armas repetidas, a própria programação do jogo cria armas com modificações o tempo todo, então fica aquela coisa, tudo que o jogador pega é importante prestar atenção nos dizeres para saber se vale a pena manter a arma em seu arsenal ou se é preferível, vender para juntar uma grana para gastar quando necessário. É um jogo que ensina a desfazer das coisas desnecessárias e guardar aquilo que é importante para utilizar em um momento oportuno.

Pandora após 5 anos

Novos Vault Hunters chegam para encarar a biosfera de Pandora – Axton (Commando), Maya (Siren), Salvador (Gunzerker) e Zer0 (Assassin), ainda existem mais dois personagens que chegaram por meio de DLC, ao comprar hoje eles estão contidos no pacote, a garotinha Gaige (Nechromancer) e Krieg (Psycho).

Cada personagem possui sua própria história e estão inseridos em classes diferentes, e além de cumprir o objetivo principal do jogo que é chegar ao final e combater o vilão, existe o objetivo pessoal dos personagens, isso o jogador vai descobrir aos poucos a medida que joga e segue pelos caminhos propostos pelo jogo. E tudo começa deste jeito…

Vale comentar logo de cara que o jogo facilitou demais a conexão com pessoas e diferente do primeiro jogo onde tínhamos veículos apenas para duas pessoas, em Borderlands 2 é possível dirigir um veículo que possui 4 lugares, justamente algo que facilita carregar os amigos de um lado para o outro. Tratando-se de um jogo que possui o lado RPG na programação, tudo o que você faz existe um ganho de pontos de XP, ao reunir um grupo em uma mesma campanha, é claro que os pontos dobram e facilita a subida de Level.

Quem joga o primeiro e passa para o segundo jogo pode chegar a tomar um susto porque o jogo chega a enganar muito porque Borderlands 2 é minúsculo comparado ao primeiro jogo mesmo que o tempo para terminar continue o mesmo, em torno de 70 a 80 horas.

Borderlands 1 tinha 126 missões, sendo que as missões que fazem parte da história chegava a 44, daqui vem a expressão: “You live in Borderlands” – Você vive em Borderlands. Porque era muita coisa para fazer e a maioria destas coisas eram as missões principais. Tinham as side missions, mas o jogo queria que o jogador continuasse em frente.

No caso do segundo jogo temos 129 missões. Sendo que só 18 missões fazem parte da história e o restante são as side missions. De algum modo existe uma enxugada no tamanho do mapa ao mesmo tempo em que a Gearbox recheou o ambiente com 42 áreas para descobrir e explorar, é neste ponto que Borderlands 2 ganha, na diversidade de ambientes. É como se a softhouse dissesse: “vamos fazer uma história curta assim as pessoas terminam logo e partem para o multiplayer”.

Em Single Player ou Co-Op, o que importa é que a Hyperion Corporation continua firme e forte, ela domina tudo em Pandora, Jack deu a liberdade para a Hyperion crescer, no alto da tela para qualquer lado que você ande, enxergará o satélite da Moon Base (Base Lunar), e de vez em quando cuidado porque esferas de fogo cairão do céu, principalmente quando fazemos coisas que nos coloca cada vez mais perto do vilão da história.

Happy Hour

Os inimigos de Borderlands 2 estão muito mais espertos, desta vez não é um combate de um a um, chegam em cima do jogador hordas e mais hordas de inimigos, porque vem 10 na sua frente, 10 nas suas costas e você se vira com apenas 4 armas. E se antes tínhamos apenas criaturas de pequeno, médio e grande porte, nesta continuação além de tudo isso, temos também robôs, muitos mechas dizendo “target acquired”, a presença dos inimigos de lata chega a dar muito frio na espinha.

O que toma tempo mesmo é a existência dos inimigos que carregam enormes escudos, isso não era uma regra emEdição 126, Borderlands 2 (PC) Borderlands 1, nesta continuação esses inimigos ganharam muito espaço e para não ficar algo tão fácil, em cada região existem grupos que atacam o jogador, tudo porque existe uma recompensa criada pelo vilão para quem trouxer a cabeça dos personagens. Em outros momentos, o jogo sempre coloca inimigos de meio do percurso para tentar atrasar a sua chegada ao objetivo principal, por exemplo, os Buzzards (foto ao lado), esses inimigos parecem ter sido inspirados em moscas varejeiras, ficam parados no ar até perceber a existência do jogador no local.

As armas ganharam novas modificações chamada Elemental Effectiveness, que são armas com munições que resultam em danos secundários. Então temos tiros que: Explodem(amarelo), Incendeiam(laranja), causam choques elétricos(azul), feitos a partir de ácido(verde), e Slag(roxo) que é uma química que gruda no corpo como se fosse um vírus e faz o personagem ou inimigo perder as forças gradualmente.

Sinceramente, aconselho os jogadores de primeira viagem a dar uma treinada em dois jogos para chegar em Borderlands 2 com uma experiência legal e curtir os desafios, os jogos são: Hard Reset e a série Serious Sam. Quanto aos personagens, todos os NPCs estão muito mais vivos, eles conversam mais, possuem uma função mais participativa no jogo, nisso a evolução foi para a melhor.

Todos os antigos personagens do primeiro jogo estão lá em Pandora, alguns atingiram carreiras melhores, outros conseguiram investir mais no próprio negócio, por exemplo, Scooter que é o mecânico, agora possui uma enorme rede de conserto de veículos. A inesquecível Mad Moxxi é dona de um bar e tem uma filha. Mordecai virou um lobo solitário e fica entocado nas montanhas, o médico da região Dr. Zed também ampliou suas instalações, todos estão com vida nova e seguem no comando e no cuidado de Pandora.

Jogador Imortalizado

Caminhando pela cidade principal Sanctuary, encontro um NPC chamado Michael Mamaril (foto ao lado), o personagem foi um fã muito querido pela Gearbox, o rapaz foi diagnosticado com uma doença terminal, os amigos dele juntaram-se e começaram a jogar Borderlands até a triste situação do rapaz falecer. Michael John Mamaril tinha apenas 22 anos. Quem jogou, em algum momento deve ter passado por este rapaz, inclusive tem uma Conquista que o jogador desbloqueia ao completar a missão.

Borderlands 2 é cheio de Easter Eggs, já começa com Zer0, o personagem praticamente veste na cabeça o capacete da banda Daft Punk. Outras zoeiras são com Minecraft, Fallout 3, Donkey Kong – esse é o mais engraçado porque temos que eliminar uma criatura chamada Donkey Mong para ganhar uma Conquista que remete ao Mario, Dark Souls, Tartarugas Ninjas, Rei Leão e outros que é importante prestar atenção para não passar batido.

O Estanho Mundo de Jack

Pelo enredo, o vilão do jogo é Handsome Jack que se coloca como ditador de Pandora, foi ele que construiu uma base lunar para monitorar tudo o que acontece no planeta, estamos em um reality-show e nosso objetivo é eliminar Jack e parar com a vinda dos robôs que buscam intimidar a população, já que o vilão espalhou cartazes de Procurados com as fotos dos nossos personagens principais do jogo.

Jack é tão escorregadio que ele se vangloria pela morte do vilão final de Borderlands 1, para entender o que rolou nesse intermeio entre Borderlands 1 e Borderlands 2, é importante jogar Borderlands: The Pre-Sequel (seria Borderlands 1.5) porque explica como foi que Jack ganhou tanto poder para se colocar como o ditador da brincadeira.

L.A Noire Party

Em alguns momentos do jogo, somos intimados a participar de um julgamento, vários Hunters iguais ao seu personagem estão brigando e fica aquele “momento Programa do Ratinho” para saber de quem é a culpa, dando ao jogador a liberdade de perguntar para os envolvidos e descobrir de quem é a culpa. Quem jogou L.A Noire sabe que o jogo passa muita coisa sobre saber discernir entre o verdadeiro e o falso, recomendo fortemente se você gosta de um bom jogo de detetive.

Borderlands 3 será uma nova geração da Gearbox?

Battleborn é o próximo lançamento da Gearbox e o primeiro First-Person Shooter desde a criação de Borderlands. Para o novo jogo, os trabalhos em cima da Unreal Engine 3 continuarão, o que sugere que a Gearbox só vai trocar de motor gráfico quando ela perceber que existe um motivo para isso, resta saber se este motivo será para um novo Brothers in Arms ou para Borderlands 3, é para isso que existe a E3.

Para aqueles que jogam no PC, Borderlands não é pesado, o trabalho da Gearbox em misturar a Unreal Engine 3 com cell-shaded dão uma leveza para o jogo ao mesmo tempo que esbanja técnicas melhoradas em combates e na pilhagem (loot). Existe uma variedade enorme de situações e de percursos mesmo que a área do mundo aberto tenha ficado menor. É um jogo que precisa ter bastante dedicação para terminar e mesmo com mudanças nos conceitos do jogo é um produto da Gearbox que vale a pena consumir e sempre jogar, podendo agradar quem gosta de FPS e quem gosta de Action-RPG.

Terminei Borderlands 2 em novembro de 2015, estarei esperando pelo Borderands 3 seja lá quando aparecer, enquanto isso, curtirei outros jogos. A edição 126 fica por aqui, confira a galeria de imagens capturadas durante o gameplay no PC. Até a próxima!

  • Acesse a Edição Nº 60 para ler sobre Borderlands 1, clique aqui
*Créditos da intro de Borderlands 2 para o canal EzE.

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 28 de janeiro de 2016, em Análises, PC, PS3, PS4, XBOX 360, Xbox One e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Faaala Cadu, tudo bem? Fico feliz por ter gostado do review, vale a pena curtir Borderlands 1 ou 2, hoje em dia nas promos que aparece no Steam o jogo está cada vez mais barato, o BDL2 eu peguei por 10 contos. Se um dia você for jogar me avise para tocarmos o terror pelos arredores de Pandora. Grande abraço!

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  2. Preciso um dia criar coragem e estômago (Motion Sickness) pra jogar o Borderlands 2. O primeiro jogo não me empolgou muito, mas coisas pessoais minhas também. Resta saber se no 2 essas coisas continuam (repetições infinitas).
    Mas eu gostei das conquistas satirizando outros games, isso normalmente me diverte bastante! rs
    Deu curiosidade de jogar, mas me parece que é jogo mais divertido em coop do que single. Da mesma forma que o primeiro.
    Muito bom o review!

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