Ed.Nº 117 – Wolfenstein: The New Order (PC, 2014)

AnaliseFaaala gamers do Brasil! Na edição passada o Blog MarvoxBrasil trouxe a análise de Wolfenstein: The Old Blood, e para dar continuidade na história de B.J Blazkowicz teremos que partir para a sequência com Wolfenstein: The New Order.

The New Order é um jogo de ação com visão em primeira pessoa e foi lançado em 20 de maio de 2014, desenvolvido pela MachineGames, publicado pela Bethesda Softworks e encontra-se disponível para PC, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One.

Nesta análise vamos conferir a ligação entre os dois jogos lançados, e no final temos uma pequena passagem com jogos curiosos para relembrar as experiências que Wolfenstein 3D trouxe na época em que foi lançado pela primeira vez. Acompanhem:

WTNO000

Da id Software até MachineGames

O histórico de criação e desenvolvimento de Wolfenstein chega a ser bastante conturbado e começa com Tom Hall que leva a ideia para a id Software. Na época John Carmack e John Romero gostaram muito e decidiram programar Wolfenstein 3D e Spears of Destiny em 1992. Com o passar dos anos Wolfenstein ficou adormecido e só reapareceu em 2001 com Return to Castle Wolfenstein.

Desta vez nas mãos da Raven Software (conhecida pelos clássicos Heretic e Hexen), foi escolhido que Return to Castle Wolfenstein precisava de uma continuação, e a Raven decidiu lançar Wolfenstein em 2009. Nesse meio tempo a id Software acabou sendo adquirida pela ZeniMax que é a cabeça e da parte dela existem os estúdios: Bethesda Softworks (Fallout), Arkane Studios (Dishonored), Tango GameWorks (The Evil Within), Machine Games (Wolfenstein) e o caçula Battlecry Studios (BattleCry).

Mesmo com tanto entrelaço corporativo, Wolfenstein em 2014 ganhou uma nova vida além de uma nova oportunidade de recomeçar, talvez do zero, sem desmerecer tudo o que nos foi apresentado desde 1992. The New Order é uma criação bastante madura e sem precisar inventar um novo personagem, reintroduz B.J Blazkowicz com uma postura que ainda não tinha sido mostrado nos antigos jogos. Não é necessário terminar Old Blood para começar a jogar o Wolf: New Order, então mesmo que você ainda não tenha jogado um ou outro, fique tranquilo (a) porque ninguém vai sentir falta de informações durante as fases.

Pós-Old Blood

Wolfenstein: The New OrderContinuamos em plena Alemanha, ainda em 1946, estamos a bordo de um enorme avião cargueiro, Fergus é o piloto e nos dá algumas instruções, enquanto a carcaça do avião é alvejada por tiros vindos dos aviões alemães, dentre eles vários kamikazes que tem como objetivo jogar os aviões inimigos em cima do nosso avião. Neste momento Fergus pede para irmos até o compartimento de carga e liberar o peso existente para deixar o avião mais leve. É o seu momento de caminhar pelas entranhas do avião, correr, pular, agachar e procurar segredos. Voltamos para a cabine e Fergus nos pede para descer até a atiradeira que fica acoplada no queixo do avião para derrubarmos os aviões inimigos. É o momento de treinar sua pontaria e brincar de Afterburner com visão em primeira pessoa.

Fergus insiste em usar o telefone para pedir ajuda (talvez das cartas ou universitários), estamos caindo mesmo, o avião está sem peso algum, parece que tudo vai explodir, então abrimos a porta do avião e vemos do outro lado outra aeronave da tropa americana e temos que pular para alcançar as asas da aeronave vizinha, é o jeito, e nada disso é um vídeo, você precisa realizar tudo em tempo real.

Um jogo que vale por dois

Wolfenstein: The New Order chega a ser maior e sem deixar tudo cansativo durante 16 capítulos, o jogador será apresentado para uma variedade de momentos, fases, cenários e experiências de desafios que fará com que seja possível, terminar as necessárias duas vezes para conhecer melhor todo o conteúdo que o jogo oferece. Tudo no seu devido tempo, espaço e momento sem deixar nada confuso. Não é um open-world, mas deixa você livre para tomar suas próprias decisões até o final.

Wolfenstein: The New OrderDiversas armas diferentes, com a possibilidade de usar duas armas ao mesmo tempo, locais com mais de um caminho para seguir podendo pegar os soldados pela frente ou pelas costas, dutos de ventilação, túneis, passagens secretas com objetos valiosos, robôs gigantes para controlar e esmagar os inimigos, além de dirigir um carro e até um submarino para atravessar partes aquáticas de tirar o fôlego. Temos um gadget em forma de pistola laser que B.J usa para cortar grades com uma facilidade no controle que parece que você está recortando uma foto usando Photoshop. E se você ainda achar pouco, seu ingresso para a Lua também está reservado.

Durante a primeira hora do jogo, haverá um momento em The New Order que o próprio jogador precisará decidir qual caminho seguir, B.J é aprisionado junto com outros soldados americanos e somos apresentados ao General Deathshead acompanhado de duas máquinas do medo que agarram os amigos Fergus e Wyatt. Neste momento o General pergunta: – quem eu devo matar?

É por esse motivo que no menú do jogo conta, contamos com a lista de capítulos e duas abas, uma para Fergus e outra para Wyatt, as fases são as mesmas, os caminhos são alterados. Se a escolha foi salvar Fergus então você conseguirá destravar as portas automáticas dando curto circuito nos fios. Por outro lado, ao decidir salvar o jovem Wyatt, você conseguirá desbloquear outras portas usando um clipe de papel, assim o jogador não passará pelos mesmos lugares, e para conseguir pegar o maior número de objetos coletáveis possíveis vale jogar e terminar The New Order duas vezes.

Wolfenstein: The New Order

Quando os alemães pisaram na Lua

Na história fictícia em The New Order, em 1946 os alemães soltaram uma bomba nuclear em plena Manhattan e os Estados Unidos ficou completamente destruídos. Quatorze anos depois Blazkowicz está em um hospital na Polônia após sofrer um coma, esta é uma das situações de impacto que acontece após a escolha da vida de Fergus ou Wyatt. Nosso personagem está praticamente em estado vegetativo, e para se alimentar recebe a ajuda da enfermeira Anya.

Daqui em diante tudo o que vimos no início do jogo ficou diferente, o uniforme dos soldados, a tecnologia da época, os costumes e tendências praticamente levam o jogador para outro mundo. Os soldados vistos no início, a forma de ataque, inclusive o design das armas e toda a estratégia ganham uma atualização temporal, já não estamos mais na década de 40, bem vindos aos anos 60 na corrida espacial que aqui em The New Order fez os alemães chegar até a Lua e construir bases nazistas, vale comentar sobre essa passagem, onde vestimos uma roupa de astronauta e enxergamos tudo por dentro do capacete, realmente fica o pensamento, se a MachineGames conseguiu criar a Lua do jeito como está em The New Order usando a engine id Tech 5, imagina como estará Marte no próximo Doom com a id Tech 6.

Wolfenstein: The New Order

De modo a realizar uma nova tentativa e derrubar o exército alemão, existe uma resistência liderada por Caroline Becker, uma antiga amiga de B.J e que de tabela, nos apresenta para novos rostos: J, que é um guitarrista americano que parece com Jimmi Hendrix. Tekla, que está sempre comprometida com seus cálculos matemáticos. Max Hass, que só tem tamanho mas é uma eterna criança. Todos poderão ser encontrados nas instalações da resistência, praticamente uma casa cheia de documentos, recortes de jornais e um belo centro de comando para monitorar os passos dos soldados alemães.

O mais satisfatório em Wolfenstein: The New Order é que em todo lugar existe pequenas side missions para aumentar o grau de entrosamento entre B.J e os demais personagens. Isso o jogador verá com detalhes muito mais palpáveis quando embarcar no jogo, essas tarefas são desprendidas e não são colocadas como uma obrigação para o jogador, mas se fizer, o ajudará a compreender melhor a existência desses personagens dentro do universo de New Order, uma vez que, as pequenas tarefas são realizadas dentro das instalações da resistência, ou seja, tudo é feito em um lugar só e o jogador acaba por descobrir que existem outros locais para explorar e que nada fica limitado em apenas uma área. Você começará a enxergar objetos em locais que parecem impossíveis de alcançar, mas com um pouco de paciência, verá que não é nada tão difícil e pode se surpreender.

Principalmente quando você encontra o colchão para tirar um cochilo e tiver pesadelos com seu passado, o Easter Egg coloca o jogador apenas na primeira fase de Wolf-3D sem alterar caminhos e segredos, mas com uma boa dose de dificuldade, pela posição e quantidade dos inimigos encontrados no Easter Egg, parece que a MachineGames deixou o momento nostalgia na dificuldade – I’m Death Encarnate, isso é bem legal porque fará com que os jogadores sintam na pele o peso do desafio de Wolf-3D, é como se os desenvolvedores dissessem: não é porque o jogo é novo que iremos facilitar a sua vida.

E por falar nisso, de todos os antagonistas presentes em The New Order, dois deles são de deixar qualquer um doido: a líder alemã Frau Engel, uma senhora que se acha a mais bela de todas e Bubi um estudante que fica na saia da parceira o tempo todo. Essa é a dupla “mamão com açúcar do jogo” e vão causar na vida do jogador de modo que chegará uma hora em que você vai querer uma oportunidade de fazer os dois comer strudel de canudinho.

Wolfenstein: The New Order

Vinil que nunca risca

Em meio a tantos objetos para coletar estão os peculiares discos de vinil com bandas inspiradas em Beatles e Beach Boys além de outras tendências por parte dos ingleses e alemães, mas que só existem aqui no universo The New Order para os jogadores entrarem profundamente no clima da época. A MachineGames resolveu viajar até a Suécia para trazer o compositor Mick Gordon e juntos produziram 11 faixas exclusivas, que os jogadores podem ouvir ao coletar os discos.

De forma bastante criativa, houve uma preocupação em trabalhar com a criação de músicas próprias e que trazem letras que reverberam dentre o enredo do jogo. Imagine ouvir essas músicas enquanto sai para trabalhar ou ir estudar e ainda pode acabar por conhecer bandas que praticamente não existem, mas para você ao jogar Wolfenstein, passarão a existir.

O jogador ou jogadora que procura um shooter comprometido com a campanha single player, com bastante ação, vários momentos estratégicos e uma dose dramática de conteúdo por parte dos personagens, apegado a dificuldade onde no erro fará você perder e tentar de novo passar por aquela parte difícil e ainda com refil, ou seja, capaz de jogar mais vezes e ter experiências e mecânicas diferentes ao escolher salvar Fergus ou Wyatt, poderá embarcar sem receio em The New Order. Vai saber quando será a próxima vez que veremos um novo Wolfenstein, pelo menos o que temos até agora vai demorar bastante para envelhecer. E por tudo que a franquia passou desde 1992, B.J e sua turma, estão muito bem cuidados. Para os jogadores que procuram se envolver mais na história de Wolfenstein podem procurar jogar nesta ordem: Wolfenstein 3D, Return to Castle Wolfenstein, Wolfenstein 2009, Wolfenstein: The Old Blood e Wolfenstein: The New Order.

Abaixo, vocês conferem a galeria com imagens capturadas durante o gameplay de New Order no PC, e dentro da galeria para quem gosta de curiosidades, nas últimas imagens temos 4 jogos que agarraram a cauda da fama de Wolf-3D logo após a id Software ter lançado em 1992, aproveite para conhecê-los e de repente para quem ainda não conhece, poderá jogar algo a mais. Até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 6 de agosto de 2015, em Análises, PC, PS3, PS4, XBOX 360, Xbox One e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. Verdade! Gostei muito do The New Order e Old Blood, e pelo jeito a Machine Games está com vontades de fazer uma continuação. Fiquei satisfeito em ver o trabalho e o cuidado que tiveram para manter o velho Wolf3D intacto dando um ar renovado sem desmerecer a criação original de 1992. Trabalhos assim deveriam acontecer mais vezes, tem muita franquia das antigas que merece uma nova chance atualmente. Valeu pelo comentário e continue acompanhando o Blog MarvoxBrasil!

    Curtir

  2. Wolfenstein é um dos melhores jogos de tiro das antigas, e os novos não fizeram feio.

    Curtir

  3. Bem na mesma aqui, joguei a demo dele e achei bem legal, capaz que no Natal eu pegue ele pra curtir.

    Curtir

  4. Rapaz, por coincidência, joguei ontem o preview do Freedom Planet que saiu pro Wii U há um tempo. Achei animal, bem gostoso de jogar! Já tô querendo comprar… kkkk
    Bom quando mexem direito com franquias importantes, né? Galera da MachineGames mandou bem. Enquanto isso eu sofro com a SEGA e as contratadas fazendo caca com Sonic… rs
    Valeu Marvox!

    Curtir

  5. Verdade Bruna, agora ficarei atento ao novo Doom. Valeu pelo comentário!

    Curtir

  6. Show Cadu!
    Esses jogos do Wolfenstein vieram de sopetão, eu nem esperava que já mexeriam com essa franquia, trouxeram de volta e mesmo que a pessoa não tenha jogado Wolf3D, ao jogar o game novo vai conhecer nem que seja um pouquinho do que foi o jogo onde tudo começou. Estes dois jogos foi o primeiro trabalho da MachineGames e deu para ver que eles começaram com o pé direito. No aguardo para ver o que mais vai aparecer por aí.
    E falando em plataforma, já jogou Freedom Planet?

    Curtir

  7. É um franquia muito boa, ainda bem que não ficou esquecida.

    Curtir

  8. Opa, vendo dois de uma vez!
    Gostei de saber que o Wolf: The New Order (e o Old Blood também) possui(em) caminhos diferentes, é algo totalmente avesso do que vemos em FPS nos dias atuais em campanha single player. Não que eu tenha conhecimento, afirmo depois de ver alguns mapas. Ou seja, estes dois mantém o espírito do clássico de 92 bem vivo, né?
    “não é porque o jogo é novo que iremos facilitar a sua vida”: OBRIGADO, ID!
    Quem sabe um dia eu encaro essa gangue toda de jogos da série, por enquanto estou satisfeito com o Wolf 3D e com um medo absurdo de me desapontar com os jogos seguintes. Sério. Sou conservador demais e chato com shooters, mas sei que é um problema e talvez um dia eu tente superar… enquanto esse dia não chega eu fico jogando rpg e plataforma… kkkkkk
    Muito bom o review, Marvox!

    Curtir

  1. Pingback: Ed.Nº 138 – Singularity (2010) | Blog MarvoxBrasil

  2. Pingback: Ed.Nº 137 – Rage (2011) | Blog MarvoxBrasil

  3. Pingback: Overgrind #7: É aniversário que não acaba mais | Blog MarvoxBrasil

  4. Pingback: Start Again – 10 Conquistas do Wolfenstein: The Old Blood [2ª Conquista] | Blog MarvoxBrasil

  5. Pingback: Start Again – 10 Conquistas do Wolfenstein: The Old Blood [1ª Conquista] | Blog MarvoxBrasil

  6. Pingback: Overgrind #01 | Blog MarvoxBrasil

Para comentar não é preciso se identificar. Mas, se quiser, pode comentar utilizando seu login do Facebook, Twitter, G+ ou Wordpress. Grande abraço!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: