Ed.Nº 107 – Volta às aulas com Jimmy Hopkins

FaaaAnalisela gamers do Brasil! Estamos em março, finalmente mais um mês começou e veja só, pós GDC 2015. Que maravilha!

Vários desenvolvimentos, novas ideias e a indústria dos games pisando fundo no acelerador. E agora está chovendo kit de desenvolvimento gratuito, que beleza!

Depois da Epic Games tornar gratuito o uso da Unreal Engine 4, o mesmo aconteceu com o Unity 5 e a Valve não ficou de fora e liberou a Source 2, é free. Por isso, façam como o Soup Dragons que nunca tiveram medo da liberdade. Assim como prevejo estúdios independentes saírem correndo por todos os lados, dando mortais e andar até sob a água sem se importar com os olhares alheios que nem o Roger do The Who. Fantástico!

Tudo na vida é uma escola, e uma escola pode ser tudo na vida. E neste momento, eu dou um salve para quem está jogando Life is Strange, eu também estou jogando, e que jogo hein! Lembrando que Life is Strange foi produzido pela Dontnod (é o 2º jogo deles) que é um estúdio independente também, apesar de ter aí o respaldo da Square Enix. Se você ainda não jogou, aproveite e coloque em sua lista de prioridades. Estou gostando deste amadurecimento da Dontnod e ela já anunciou outro título chamado Vampyr.

Vale dar aquela procurada pela web para saber maiores informações sobre esse jogo, que vai demorar para sair. Outro salve, é para aqueles que gostam da inesquecível LucasArts porque fevereiro foi o mês em que Star Wars: Dark Forces completou 20 anos e foi um jogo muito expressivo em meados de 95 para 96, foi praticamente a primeira experiência que envolveu Star Wars com o gênero FPS e de cara deu certo.

E neste momento, vamos para a edição 107 do Blog MarvoxBrasil que traz o universo escolar do jogo Bully.

A primeira vez que joguei foi em 2008 no Nintendo Wii. Aqui você vai saber quem desenvolveu, de onde surgiu a ideia do jogo, o que fazer para não se perder, e porque mesmo com o passar dos anos Bully continua arrancando exclamações e curiosidades, sem contar que a Rockstar está fazendo a dança da cadeira para lançar uma continuação. A análise foi feita com a versão para PC que joguei recentemente. Acompanhem:

Bully Scholarship Edition Ed 107

A adolescência é a trincheira da vida

MVXTheCatcherCenteioProduções que trazem o ambiente estudantil como palco principal é algo que costuma aparecer raramente, e não dá para entender o motivo de não explorarem mais essa temática nos games, será que é porque existe um choque muito grande de realidade? E Bully consegue exercer muito bem esse papel.

Você se lembra quando entrou no colegial? Quais foram seus medos e as suas frustrações da adolescência? E quanto aos grupos e os amigos que conviveram com você, consegue lembrar deles?

E se eu contar que na década de 50, um autor decidiu escrever sobre tudo o que passou nesse momento da vida e que muito desse universo do livro serviu como fonte de inspiração para a criação do jogo Bully. Eu falo do livro – O Apanhador no Campo de Centeio, do autor J.D. Salinger.

Os cabeças da Rockstar haviam lido esse livro quando decidiram transportar o enredo e juntar a vivência em escolas dos Estados Unidos e da Europa, disso tudo nasceu em 2006 o jogo Bully, que ficou exclusivo para o PS2 até que a mesma Rockstar, decidiu fazer um remake no intuito de tornar o enredo do jogo em um formato mais palpável e com o dobro de conteúdo da versão original.

O remake Bully: Scholarship Edition, este já em 2008, foi lançado para o Xbox 360, Nintendo Wii e o PC.

Em Bully você é Jimmy Hopkins, um jovem de 15 anos que acabara de ser matriculado na Academia Bullworth, um colégio localizado na cidade de Bullworth. Jimmy é um garoto que carrega problemas familiares, de um lado a mãe irá casar pela 5ª vez e a Academia Bullworth é a 7ª escola que Jimmy irá frequentar. O garoto possui um histórico escolar terrível mas não porque ele quer.

No jogo, Jimmy por ser um adolescente menor de idade não pode dirigir um carro, mas pode andar de skate, bicicleta, pilotar karts e no máximo pilotar uma lambreta de baixa cilindrada. Podemos dizer que o jogo é um enorme parque de diversões e uma aula de psicologia comportamental porque, fala sobre um garoto que mesmo carregando problemas familiares, precisa aprender a se virar, trabalhar, terminar os estudos e aprender a aceitar as diferenças entre pessoas do mesmo ambiente escolar (assim como profissional), saber escolher entre o lado certo e o errado e, o que o personagem mais quer e isso fica claro durante as conversas entre Jimmy e os demais NPCs do jogo é, que todos na escola se deem bem. E isso o próprio jogador ao prestar atenção nos textos consegue captar de cara essa ideia.

É um jogo do gênero action-adventure, com visão em terceira pessoa e por todo o cenário sandbox / open world existem localidades que são abertas em meio ao progresso do enredo. Durante o caminhar do jogo, temos missões que fazem a história prosseguir e outras missões que complementam trechos do enredo. A maioria das missões propõe ao Jimmy ajudar as pessoas seja dentro da escola ou em torno da cidade, o que pode trazer benefícios ou malefícios, favorecer ou desfavorecer as suas ações.

E isso fica claro quando o jogador começa a participar de toda a vida virtual existente no jogo ao fazer Jimmy ganhar novos amigos ao mesmo tempo que aparecem inimigos também. Desse jeito parece que o jogo é difícil, mas não, a duração do jogo chega a ser de 15 a 25 horas, tudo depende da realização das missões principais e das missões aleatórias. Se ainda decidir fazer apenas as missões principais, tudo bem, esse tempo cai mais ainda. Mas espere, o jogo se passa numa escola, temos aulas para assistir também.

Caindo de cara nos livros e ganhando com isso

O tempo todo parece que ninguém gosta do personagem, todos querem pegá-lo, é por isso que neste momento entram as aulas que servem para aprimorar e que são muito importantes para que o personagem fique cada vez mais preparado, ganhe mais confiança, saiba se defender e fora que garantem diversas facilidades que são carregadas até o fim do jogo. Assistir as aulas e completar as matérias, aumenta também a porcentagem de aproveitamento do jogo.

Ao todo, a grade escolar possui 8 matérias divididas em 5 partes. Por dia é possível assistir duas matérias (manhã = 1 / tarde = 1) sempre marcadas com o sino laranja no mapa. Vamos conhecer cada uma delas e os benefícios que trazem para melhorar a diversão no jogo. Para isso estão divididas como – aquelas que garantem certas facilidades, e outras que faz o Jimmy ganhar objetos para uso aleatório.

Matérias importantes que garantem facilidades:

Química – Garante suprimento vitalício de munições para os objetos que o Jimmy carrega;

Inglês – Jimmy consegue conversar de forma mais convincente com os NPCs;

Educação Artística – A barra de energia normal do Jimmy é verde, mas conforme o personagem progride nessa matéria garante uma barra de energia extra;

Educação Física – Essa matéria possui dois momentos, aula de boxe e queimada. Terminar essa matéria melhora a resistência e a coordenação motora, o que resulta em acertos mais certeiros ao utilizar o Slingshot;

Oficina – Esta é uma matéria que o ajudará a chegar mais rápido em cada missão assim como qualquer parte do mapa, porque durante a oficina podemos montar bicicletas, e isso fica guardado na garagem da escola ou em outras garagens espalhadas pela cidade;

Geografia – Completar esta matéria ajuda a enxergar a localização de objetos preciosos espalhados no mapa.

Matérias que adicionam objetos no guarda-roupas do Jimmy:

Biologia – Durante a aula Jimmy deve dissecar um animal diferente, de sapos à pombos, e com isso o personagem ganha algumas roupas diferentes como uma fantasia de alienígena. A mesma coisa acontece com a aula de música, garantindo apenas novos figurinos no guarda-roupa;

Fotografia – Faz Jimmy ganhar uma máquina fotográfica, além de aparecer o livro do ano para Jimmy tirar foto dos amigos;

Matemática – Completar os exercícios faz Jimmy ganhar novas roupas.

Todas as matérias são bastante interativas, tanto no controle quanto no teclado+mouse, e garantem boas doses de diversão, fora que testa o seu raciocínio e melhora o conhecimento em certos detalhes.

Bullworth: a cidade dos anos 80 com vida pós anos 2000

Bully possui 6 capítulos, o Capítulo 1 é uma parte do jogo em que tudo fica limitado apenas dentro da escola justamente para o jogador conhecer todos os arredores.

Quando o Capítulo 2 começa, os portões da Bullworth Academy ficam abertos e isso faz com que você tenha a oportunidade de pegar uma bicicleta e sair para conhecer a cidade. Neste momento existe um impacto porque a cidade traz um clima muito anos 80, ainda mais com estereótipos como os greasers que é um grupo que usa sempre jaquetas de couro, ao mesmo tempo em que existem objetos e detalhes por todo o cenário que representam o ano em que o jogo foi lançado 2006/2007.

Mas isso chega a ser o menor dos problemas, o melhor mesmo é completar as missões enquanto explora a cidade, aparece a oportunidade de Jimmy conseguir um trampo entregando jornais ou, aparando a grama para garantir aquele dinheiro para comprar novas roupas, cortar o cabelo do jeito que quiser, chamar alguma menina para sair e curtir as atrações do parque de diversões da cidade. No parque, com uma boa dose de sorte e paciência ao passar pelas diversas atrações é possível juntar tickets suficientes para trocá-los, por exemplo, por uma bela lambreta. Pela cidade é possível participar das competições como, os circuitos de corridas com bicicletas e até kart.

O sucesso nessas competições garantem troféus, novos objetos e ao vencer todos os circuitos de kart, Jimmy ganha um só para ele. O que aumenta ainda mais a sua velocidade para chegar até um ponto específico ou qualquer lugar que precise ir no mapa, por mais longe que seja. Depois disso fica impossível se atrasar para as aulas.

Durante o gameplay em torno do jogo, a Rockstar inseriu algumas situações dentro das missões e fora delas que são homenagens a certos jogos que possivelmente fizeram a cabeça dos criadores, e muitos deles com certeza você já deve ter jogado, por exemplo, temos referências ao PaperBoy, F-Zero e Punch-Out!!

Durante os 6 capítulos, entre as dependências da escola e as localidades da cidade, sempre existe muito o que fazer e explorar. Quanto às missões, nesse ponto a duração dos momentos de ação é algo muito rápido, no sentido de você receber o objetivo e quando perceber já cumpriu e ainda se pergunta “poxa já acabou, estava tão legal.”

Os estilos das missões variam muito, temos momentos em que Jimmy precisa defender um grupo, ajudar por exemplo um professor que precisa largar o vício pelo álcool, temos situações furtivas em que Jimmy precisa invadir um hospício para resgatar um colega de escola e sem contar uma certa manifestação que o personagem faz para que a escola aceite uma aluna do bairro periférico da cidade de Bullworth que havia sido expulsa, são algumas das quase 80 missões, entre as principais e as missões secundárias.

Bully e Scholarship Edition

Entre a versão original de 2006 e o remake que surgiu em 2008, não chega a mudar o seguimento do enredo. Entretanto, a versão Scholarship Edition possui um conteúdo um pouco maior, com mais missões, interações com novos personagens e os NPCs também possuem novas expressões e atitudes, as matérias da escola em que no original eram apenas 6, no remake são 10.

Foi inserido também a possibilidade de jogar em modo multiplayer para duas pessoas. E fora o conteúdo visual que chega a mudar de certa forma. No PS2 utilizaram o motor gráfico RenderWare. No Xbox 360 – GameBryo, Wii – Mud Duck e no PC – Havok. No caso do PS3, não houve uma versão propriamente feita para o console, nesse ponto é possível comprar o jogo pela PSN e jogar a versão do PS2.

Contudo, tanto a versão original quanto o remake, o jogo chega a ser rico em vários detalhes tanto na diversão quanto visual e, principalmente sonoro. Você tem todo um ambiente escolar que faz você ter a oportunidade de assistir aulas, enquanto contracena com outros alunos, tanto maiores quanto menores, e cada aluno possui uma fisionomia própria para diferenciar um rosto do outro, isso facilita na medida que certos personagens cruzam o caminho de Jimmy.

O mapa do jogo é grande ao mesmo tempo em que é muito bem aproveitado, sem dar aquele vazio para você não ter o que fazer, a não ser que você já tenha chegado no Capítulo 6. Durante todo o ano letivo do jogo você passa por datas comemorativas como Halloween e Natal, mudanças climáticas pelo passar das estações do ano, tem todo aquele envolvimento estudantil. E se você já terminou seus estudos, vai sentir-se de volta com 15 anos ou simplesmente fará você se divertir muito.

Bully 2, haverá mesmo uma continuação?

O jogo consegue ter um conteúdo que assimila muito bem a ação com a trilha sonora composta por Shawn Lee, que também trabalhou na trilha de Sleeping Dogs. E isso nos leva à possibilidade da continuação tão aguardada com Bully 2. Não estamos montando rumores nem queremos especular, a intenção nesta parte é apenas juntar os fatos e isso é saudável se fizermos isso baseado em uma boa pesquisa de situações.

Na Europa, o jogo é conhecido como Canis Canem Edit, ainda em 2009 – Shawn Lee comentou que está trabalhando na trilha sonora do próximo Bully. É possível ler sobre essa resposta diretamente no site TGL – The Gaming Liberty, vale dar uma olhada no nível dos comentários, as pessoas gostam mesmo do jogo. Mas ok, essa informação é um tanto antiga. Leiam aqui.

No final de 2011 o site GamaSutra entrevistou rapidamente Dan Houser, executivo da Rockstar e na entrevista, Houser disse que eles iriam começar a trabalhar em Bully 2 mas que primeiro pretendiam terminar o desenvolvimento de Max Payne 3. A entrevista pode ser conferida no site Eurogamer. Leiam aqui.

Mas em 2012, a Rockstar Vancouver fechou, Bully nasceu neste estúdio, mesmo assim recentemente a Rockstar atualizou os direitos da marca Canis Canem Edit. Sendo que a última informação mesmo está exposto no site Polygon onde o próprio criador Dan Houser diz coisas como “tenho paixão pelo jogo…. quero fazer uma continuação…” ao mesmo tempo em que ele expressa uma certa preocupação devido o espaço muito longo entre o jogo original e uma incerta continuação, ao arredondarmos temos aí quase 10 anos. Bom, entre Max Payne 2 e 3 foram 7 anos de espera. Por último, leiam aqui.

A Rockstar nasceu na Escócia quando ainda era chamada de DMA Design, e atualmente, possui 7 estúdios onde a maioria está localizado na Europa, um desses estúdios, Rockstar Lincoln é responsável apenas pela localização dos jogos em território europeu. Há de se entender que, quando Bully foi lançado houve um certo desconcerto popular principalmente perante os mais conservadores, de uma forma até bastante semelhante quando o livro O Apanhador no Campo de Centeio foi publicado na década de 50.

Mesmo assim, é um jogo que possui um peso temporal e de alguma forma mudou muito a concepção dos conteúdos que trazem públicos jovens dentro dos enredos dos jogos. É como se os criadores tivessem um certo receio de inserir esse tipo de protagonista para o jogador controlar. Sobretudo, no livro 1001 Videogames para jogar antes de morrer, Bully está lá na página 660. Existe algo sendo feito, e enquanto os criadores se preocupam em arrumar meios para desenvolver a continuação, aproveitem para jogar Bully ou o remake Scholarship Edition.

Agora se você já jogou, leia O Apanhador no Campo de Centeio pensando como se o livro fosse um jogo de videogame, meu conselho é ler o livro em inglês, mesmo que você tenha que deixar um dicionário por perto.

Confira a nossa galeria de imagens com várias situações de Bully: Scholarship Edition da versão para o PC. Até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 5 de março de 2015, em Análises, Consoles Retrôs, PC, XBOX 360 e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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