Ed.Nº 103 – Tony Hawk’s Pro Skater HD (PC, 2012)

Edbcp103Uma tentativa de te puxar pela nostalgia… Ou pelo bolso. Quem foi gamer na década de 90 fica dispensado de apresentações. Para quem não: Tony Hawk’s Pro Skater foi uma série de skate dominante em todos os consoles caseiros da época sendo considerado um dos melhores jogos de esporte daquela geração. Apesar de manobras pouco convencionais ou realistas e missões que poderiam ser consideradas impossíveis no esporte verdadeiro, a série foi evoluindo com muito sucesso, aprimorando mecânicas e se tornando cada vez mais divertida… Até sua decadência, que chegou no início da geração X360/PS3. Entre 2006 e 2007. Confira a análise agora, na Edição 103 do Blog MarvoxBrasil.

Ed103TonyHawk

Pensando no antigo e fiel público da série, a Activision – junto a produtora Robomodo – lançou o jogo Tony Hawk’s Pro Skater HD. A intenção era trazer aquele velho sucesso dos anos 90 e início dos anos 2000 aos gráficos em alta definição. Uma mistura de antigo e moderno. Uma tentativa de agradar a quem já era fã da série para que uma geração mais nova pudesse despertar interesse pelo jogo. Entretanto, algumas escolhas quanto a produção do jogo parecem duvidosas.

Um jogo pouco abrangente

Apesar de o primeiro “Tony Hawk” (como foi coloquialmente conhecido) ter sido um marco nos jogos do esporte. É possível dizer que ele é o mais obsoleto de todos. Claro que sua qualidade e importância para os jogos de esporte não pode jamais ser posta em dúvida. No entanto, a evolução natural da série fez com os jogos posteriores, leia-se Tony Hawk’s 2, 3, e 4, para não ir muito além – fossem um salto absurdo em qualidade e aprimoramento de mecânicas. Tendo isso em mente, o jogador precisa saber que, ao jogar Tony Hawk’s Pro Skater HD, ele estará, em contato direto, apenas, com as edições 1 e 2 do jogo. Ainda assim com a falta de algumas mecânicas de extrema importância do segundo jogo da série, como o modo de criador de skater, que não existe. É possível apenas jogar com skatistas famosos, pré-determinados pelo jogo e muitos dos quais sequer estavam nos jogos antigos – Bob Burnquist, o brasileiro mais famoso do skate e figurinha carimbada nos jogos, não está mais presente – apenas um exemplo.

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A fase mais famosa e emblemática: The Warehouse.

Escolhas duvidosas

As missões tem aquele jeitão das primeiras edições. O skatista passa dois minutos dentro de um mapa fechado, tendo que completar objetivos de pontuação, encontrar as letras “S-K-A-T-E” que estão espalhadas pela fase. A fita secreta (que agora é um DVD), entre outros. Não acredito que esse seja um ponto negativo. As missões continuam divertidas de se completar, mesmo sem a liberdade dos últimos jogos, que são praticamente jogos de mundo aberto. Isso não seria um problema… Não fossem as fases, muito mal escolhidas. Algumas, claro são clássicas e estão presentes: Warehouse (THPS1), The Hangar (THPS2), The Scholl II (THPS2), e Venice Beach (THPS2). São os exemplos de ótimos estágios que estão presentes no jogo. Entretanto, há duas fases de Downhill. Pra quem não lembra, as fases de Downhill foram exterminadas da série já a partir da segunda edição.  Elas são chatas, em linha reta, te obrigam a andar quase sempre pra frente e dificultam o skatista a voltar e andar livremente pelo mapa para pegar objetos que passaram por ele. Não há outra palavra pra classificar o uso de tais estágios senão: desperdício.

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Apenas sete fases, das quais duas são de Downhill. Um desperdício.

A trilha sonora. Parte fundamental do jogo contém músicas clássicas da série que te dão um belo soco bem no meio da nostalgia. É preciso dizer que, faltam coisas aí. Já que o jogo trata de um apanhado de THPS 1 e 2, muitas músicas boas ficaram de fora. É claro que, não se sabe se houve problemas legais para a execução delas no jogo. Essas lacunas foram preenchidas com músicas inéditas, por sinal bem escolhidas.

Jogabilidade ruim

Um grande aspecto positivo sempre foi a jogabilidade. As manobras sempre foram fáceis de aprender e executar. Os comandos são basicamente os mesmos de sempre. Entretando a necessidade de tornar o jogo “contemporâneo” estragou a jogabilidade. Me refiro ao uso da física nos pulos, execuções  de manobras e colisões.  Essa física mal empregada deixou o jogo mais lento, faz com que seu skatista leve tombos, algumas vezes, injustos e complica o cumprimento dos objetivos. Isso faz o jogador encarar inúmeros bugs. “Entrar” nas paredes, cair em penhascos invisíveis e travar o skatista no canto da tela é até comum.

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Apesar dos defeitos o fator nostalgia pode te fazer jogar até o fim.

Outro problema fica por conta da falta de “recompensas” dentro jogo. Muitos devem se lembrar, quando o jogo era finalizado com um determinado skatista, era desbloqueado um vídeo de aproximadamente 3 minutos mostrando manobras ao som de um bom punk rock ou hardcore. Isso fazia com que o jogador tivesse a curiosidade de terminar com o máximo de personagens possíveis. Pois em Tony Hawk’s Pro Skater HD, ao terminar o jogo a sua recompensa é um belo e abrangente nada. Nem um vídeo, nem um muito obrigado, sequer a tela com o rolar dos créditos.

Considerações finais

Se a ideia era fazer uma homenagem à série, é possível dizer que o agrado foi feito, mas não de maneira eficaz. Pequenos defeitos e escolhas deixaram o jogo arrastado, ao contrário do dinamismo que sempre teve nas épocas de ouro. A impressão que ficou é que as produtoras envolvidas foram oportunistas, sabendo que o público de Tony Hawk é grande, – e sim ele ainda é grande, basta acompanhar os fóruns de discussão da própria Steam para comprovar. De toda forma, por se tratar de um jogo barato, ainda se trata de um jogo recomendável, principalmente para quem quer massagear seu lado nostálgico, mas sem levar o jogo muito a sério.

Publicado em 17 de dezembro de 2014, em Análises, PC, PS3, XBOX 360 e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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