Ed.Nº 100 – Mirror’s Edge (PC, 2009)

MVXEd100Faaala gamers do Brasil! Na centésima edição do Blog MarvoxBrasil, escalaremos os mais altos arranha-céus ao lado de Faith nesta análise sobre o jogo Mirror’s Edge. E tem ainda Mirror’s Edge 2D e alguns indícios curiosos sobre a produção da continuação. Vamos entender um pouco do que se trata o jogo original, e porque vale a pena jogar. Acompanhe:

MECapa

Em novembro de 2008, o PS3 e Xbox 360 recebiam Mirror’s Edge, no ano seguinte foi a vez do PC. Todo o desenvolvimento ficou à cargo da softhouse EA Digital Illusion CE, conhecida como DICE. Para a época, foi uma produção bastante visionária por trazer um gameplay fora da regra padrão, já que a personagem principal pode – correr, pular e segurar em qualquer lugar para conseguir transpor obstáculos, uma inovação que dividiu críticas de todas as formas. Pela primeira vez, o jogo colocava a visão em primeira pessoa sem a necessidade de atirar para todos os lados. Existe a questão dos combates, que no primeiro plano não é o que o jogo pede, já que para conseguir armas é preciso desarmar os inimigos. A personagem possui habilidades e técnicas de uma praticante de parkour e precisa movimentar-se muito, então carregar armas é a situação menos pedida durante toda a trajetória do jogo escrito por Rhianna Pratchett, que ajudou com o enredo de BioShock Infinite, foi líder da equipe de roteiristas de Tomb Raider 2013 e continuará como líder no enredo do futuro Rise of the Tomb Raider.

Nos primeiros momentos do jogo, aparece uma garota chamada Celeste toda vestida com trajes leves e tênis esportivo que chega e diz: “Olá Faith, bem-vinda de volta. Não pensei que voltaria a vê-la tão cedo.” Faith tem 24 anos, ganha a vida como uma corredora – o que é chamado no jogo de Runners – praticante de parkour e que possui grandes habilidades para escalar arranha-céus além de colocar o jogador em contato com um universo cheio de praticantes da mesma modalidade esportiva que em parte lutam para não viver um cotidiano comum, ninguém aqui quer vestir terno e gravata, andar de carro ou transporte público, o negócio é explorar e transformar toda a cidade em um enorme conjunto de plataformas.

No comando está Mercury que costuma compartilhar informações através de comunicadores presos nos ouvidos do grupo, o problema é quando alguém desse grupo decide repassar certas informações confidenciais para o governo da cidade consumida pelo regime totalitarista, e que impede qualquer comunicação por telefone ou e-mail, aí tudo complica porque as tropas de choque começam a perseguir os praticantes de parkour, e alguns deles chegam até a desaparecer. Quando o alvo que tanto desejam não é encontrado, tentam destruir a vida de Faith que já carrega um peso triste. No passado, a população da cidade resolveu sair às ruas em forma de protesto com manifestações para todos os lados na chamada “Revolta de Novembro”. No meio dessas manifestações, um policial dispara um tiro mortal que acerta a mãe de Faith. Mercury “adotou” Faith e a ensinou tudo sobre o parkour. Existe um grupo que consegue formar novos praticantes de parkour, transformando todos em uma espécie de “pombos-correios” já que devido a agilidade e desenvoltura deles, conseguem enviar e receber mensagens ultrapassando as leis que proibiam o uso de qualquer dispositivo móvel. Faith ao voltar para seu esconderijo encontra um pedaço de papel com a palavra “Icarus”, um projeto covarde que tenta de todo jeito acabar com os Runners da forma mais cruel possível, fazendo um praticante de parkour matar outro. O objetivo é descobrir detalhes do que é o Projeto Icarus, quem são os Runners envolvidos nisso e de quebra alguns flashes da vida da protagonista e sua irmã Kate.

A base da jogabilidade está em dois sistemas importantes e que o jogador precisa dominar para conseguir progredir: Runner Vision e Reaction Time. No Runner Vision, Faith por ser uma corredora consegue enxergar rapidamente diversos campos de fuga, como se fosse mesmo um gato quando se sente em perigo – canos, rampas, portas, parapeitos, tudo que estiver destacado com a cor vermelha é um sinal para conseguir se salvar. No caso do Reaction Time, é uma mistura de bullet-time onde tudo fica mais lento e nisso abre um momento oportuno para que a personagem diante de algum perigo consiga dominar a situação, por exemplo, enquanto estiver correndo e algum inimigo armado aparecer na sua frente, através da lentidão do tempo, Faith conseguirá desarmar o inimigo e ataca-lo em um curto espaço de tempo. Essa é a parte mais legal, fazer a personagem escorregar e passar por entre as pernas dos policiais e inimigos e desarmá-los sem dó. Não é fácil dominar o Reaction Time, porque Faith é muito frágil, ao tomar vários contra ataques, a personagem morre. Por isso que nem sempre bater de frente com o inimigo é a melhor saída, se ela consegue segurar em vários lugares, vale a pena prestar atenção no cenário e encontrar o melhor caminho para escapar, dando a volta por cima de toda uma situação que parecia perigosa. Mirror’s Edge pode parecer um jogo bem simples ao relacionar ele como plataforma com visão em primeira pessoa, existe uma profundidade no enredo que fala sobre o quanto deixamos de lado tantas coisas relacionadas ao direito de ir e vir, preferindo mais uma vida confortável, e no fim parece que tudo está bem, quando na verdade não está. Talvez seja um jogo mais próximo da realidade mental contemporânea do que muitos jogos que tentam mexer com esse tipo de realidade.

A versão de PC possui um diferencial à parte que envolve a PhysX criada pela Nvidia para trazer uma física mais realista, por exemplo, quando Faith está em cima de uma tábua, a mesma faz aquela ação parecendo um trampolim devido o peso da personagem sobre o objeto ou quando um vidro estilhaça é possível visualizar vários cacos pelo chão e demais outros detalhes que ficam mais perceptíveis com a função ativada. Essa funcionalidade, na época, chegava às vezes a frustrar os jogadores porque ao ativar a PhysX, o jogo apresentava um slow-down nos momentos em que a ação aumentava. Hoje em dia isso não é mais preocupação, já que depois de tantas atualizações a PhysX porta-se muito bem tanto para as placas de vídeo da Nvidia e também ATI Radeon. Podem jogar despreocupados com todas as funções ativadas. É um jogo leve e não requer muito do PC para rodar.

Mirror’s Edge consegue ser divertido por diversos pontos, o clima do jogo tende a envolver qualquer jogador, tem momentos que é possível esquecer por completo que existe uma história e apenas ficar curtindo o jogo divertindo-se de forma descompromissada, quem não gosta de entrar em combate com armas de tiro consegue nocautear os inimigos ou simplesmente encontre um campo de fuga e corra o mais rápido que puder. Os cenários conseguem trazer um conjunto de plataformas que transforma tudo em um puzzle em tempo real, e mesmo que você não queira quebrar a cabeça para decifrar o caminho, já terá encontrado um ou vários pontos para conseguir passar. É o esquema de fazer pensar sem que você queira pensar. Durante a Campanha com o desenrolar da história até o final, vários mapas são destravados para o jogador participar do “Attack Mode”, um leaderboard online é montado para competições entre jogadores e ver quem atravessa os obstáculos contra seus próprios fantasmas ou dos adversários no menor tempo possível, como acontece com o Time Trial em Mario Kart. Seja com mouse+teclado ou controle, os comandos são fáceis e precisos. Chega uma hora que dá vontade de plugar um controle e tudo vira uma competição pessoal entre a agilidade do teclado e do controle, isso é bem legal.

Quando Owen O’Brien desenvolveu o jogo, a ideia era mesmo fazer Mirror’s Edge ter uma aparência única, o que deixou bem diferente visualmente dos jogos que apareceram entre 2008-2009. É aquele tipo de experiência em que não importa onde o jogo rode, é fácil saber que aquele é Mirror’s Edge. Por todo o desenvolvimento o jogo utilizou a Unreal Engine 3 de uma forma reprogramada especificamente para trazer esse nível de detalhe. Na época a EA estava para estrear a mais que conhecida engine Frostbite, que foi experimentada primeiro em Battlefield Bad Company. Como Mirror’s Edge já estava pronto, não deu para mudar toda a programação. No entanto, parece que o jogo foi criado na base do formol, os anos passam e o título não envelhece.

O vídeo abaixo exibe diversas cenas do jogo embalado na música tema, Still Alive da cantora sueca Lisa Miskovsky. Não confundir este Still Alive com a música do jogo Portal, o título é o mesmo, mas a letra é diferente. Se preferir, pode assistir o videoclipe feito na época e que aparece a cantora, aqui.

Mirror’s Edge 2D

ME2D

E para entrar mais ainda no clima de Mirror’s Edge, se você já jogou e zerou diversas vezes a versão de console ou PC, a dica vai para experimentar a versão em 2D criado pela Borne Games na época como forma de divulgar o jogo na web. O mais legal é que o próprio desenvolvedor disponibiliza a versão original para jogar direto no site. É só clicar aqui e logo você estará jogando a versão 2D direto aí no seu navegador.

A Continuação de Mirror’s Edge

Não é de hoje que estamos à espera da continuação, Mirror’s Edge 2 sempre acaba por aparecer de algum modo tanto na web quanto na E3, como foi o caso deste ano em que foi apresentado um trailer com algumas cenas que vai trazer Faith de volta. Um fato curioso é que nem a escritora Rhianna ou sequer alguém da antiga equipe está envolvido na continuação. As informações sobre o enredo apontam para a canadense Anita Sarkeesian, conhecida em âmbito internacional no Youtube por vídeos como estes, relacionados a forma de pensar do público masculino e feminino diante dos jogos de videogame. O foco da história será concentrado mais no passado de Faith e no motivo dela ter se tornado uma praticante do parkour.

Problemas judiciais perseguiram o jogo Mirror’s Edge desde 2009 após a softhouse Edge Games mover uma ação contra a EA por uso indevido da palavra “Edge”. A Edge Games tinha registrado 5 nomes que envolvia a palavra “Edge” no meio, e a briga só terminou em abril de 2013 quando a corte dos Estados Unidos liberou o uso da palavra “Edge”, o que fez com que a EA conseguisse continuar com a produção assim como mexer com a marca Mirror’s Edge 2. A previsão é que o jogo chegue em abril de 2016, desta vez a continuação tentará utilizar a engine Frostbite 3 que começou a operar em 2013, para trazer um visual na mesma intensidade de Battlefield Hardline, isso se até 2016 a EA não inventar a 4ª versão da Frostbite, por enquanto é possível ver algumas cenas da continuação no vídeo abaixo.

Ao jogar Mirror’s Edge pela primeira vez em 2009, tinha acabado de atualizar a placa de vídeo e instalei o jogo no PC. Lembro que a cor do jogo me chamou bastante a atenção, tanto a parte externa da cidade com seus prédios em branco quanto o interior dos prédios com tons azul, verde, são bem chamativos. O jogo chega a proporcionar uma sessão de cromoterapia, fazendo você esquecer qualquer coisa que exista em sua volta e sua mente fica completamente refrescada e costumo jogar até hoje quando pinta aquela saudade. Não é um jogo demorado, e ao terminar dá vontade de jogar tudo de novo para tentar até fazer melhor todas as manobras e acrobacias que o jogo permite. Conseguir jogar Mirror’s Edge e dominar toda a ginga da personagem Faith, amplia a curva de aprendizagem e ajuda a melhorar a experiência de jogo para os próximos títulos que vão aparecer no ano que vem e que prevê tornar essa regra de “movimento livre” um padrão cada vez maior. Dois exemplos bem recentes são os títulos – Dying Light (Janeiro/2015) e Sunset Overdrive (já disponível no Xbox One). Por ser um jogo de 2009, é fácil encontra-lo nas lojas virtuais por preços bastante chamativos, sem contar nos momentos de promoções em datas comemorativas, como o Natal, se você gosta de desafio e diversão vale a pena anotar a dica e visualizar algumas imagens de momentos do primeiro jogo. Até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 17 de novembro de 2014, em Análises, PC, PS3, XBOX 360 e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Pois é, “ME” é um jogo que hoje o preço dele compensa, não é longo, e acaba sendo uma experiência bastante agradável de jogar e de ver porque o visual é fantástico, o que conta bastante é a diversão que ele passa. Valeu mano!

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  2. Muito bom mano, não esperava que o jogo tivesse um enredo complexo. A primeira impressão é que ele é até simplista. Me interessou.

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  1. Pingback: Overgrind #5: Contagem regressiva para a metade do ano | Blog MarvoxBrasil

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