Especial de Halloween: À Procura da Grande Abóbora

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O Halloween ou Dia das Bruxas é uma comemoração tipicamente internacional, porém, nós brasileiros somos alvejados por demonstrações dessa cultura o tempo todo nos filmes, seriados e desenhos animados. E olha só quem está aqui embaixo, é a galera do Charlie Brown pedindo doces, mas o Linus não está entre eles. Mais uma vez ficou lá na plantação de abóbora esperando pela “grande abóbora”. Poxa Charlie Brown, você só ganhou pedras! Pois é, muitas vezes é o que acontece ao ver sempre um anúncio de um jogo novo de terror, como se batêssemos de porta em porta das softhouses e mentalmente dizemos “gostosuras ou travessuras”. Eu gosto bastante de jogos de terror, survival horror, terror psicológico, todos eles possuem uma particularidade que me agrada. Mesmo que alguns não consigam deixar explícito o susto e o medo, mas nas entrelinhas tentam tornar tudo meio macabro. Vamos então abrir as portas do outro mundo e começar o Especial de Halloween do Blog MarvoxBrasil.

Para os leitores que não conhecem a história do Charlie Brown e a Grande Abóbora, segue abaixo um trechinho.

Escola do Terror: Mansão e ficção científica

O termo survival horror apareceu por acaso, antigamente os criadores não tinham assim uma fissura em querer criar um jogo e dizer, “esse título é um survival horror” para tentar meter medo no jogador. A maioria dos jogos que apareceram entre as décadas de 80 e 90 eram caracterizados como Action-Adventure ou simplesmente Adventure com pitadas de terror. Existia um pensamento: “como vou fazer um jogador ter medo do que se passa durante o jogo?” Aplicar algo que dava medo parecia ser muito difícil. Dois jogos tentaram fazer isso, um deles é Sweet Home exclusivo do Atari 2600 e, Haunted House desenvolvido pela Capcom e ficou isolado no Famicom (o NES japonês). Hoje em dia existe a possibilidade de jogar Haunted House com tradução em inglês feita por fãs, é um jogo do estilo exploração e que foi pensado para ser um terror psicológico. A maioria dos jogos que começaram a tentar abalar a mente do jogador ficaram restritos no território oriental. E mesmo assim, aqueles que vieram para o ocidente ainda nos anos 80, resumiam-se em histórias de vampiros, Frankensteins e até lobisomens, era a forma que os criadores pensavam na época, salvo alguns jogos que buscaram melhorar essa imagem simples e apresentaram temas um pouco mais pesados ao ponto de ficarem muito famosos, como: Castlevania, Kenseiden, Splatterhouse e até Ghost House.

De repente, no mesmo ano de Haunted House uma nova ideia também surgiu ao mexer com ficção científica e inseriram aliens em um jogo, Project FireStart. Tudo bem que ainda não era o alien que conhecíamos dos filmes, mas foi o primeiro jogo inspirado no filme e que infelizmente ficou guardado nas profundezas da lista de jogos do Commodore 64. Era um jogo que para a época trazia um personagem todo vulnerável e mais humano com munição limitada, e buscou trazer um sentimento de isolamento mesmo, onde a qualquer momento alguma coisa apareceria para pegar você.

Não demorou muito para algumas receitas cair no gosto de outros criadores. Haunted House, incentivou o elemento suspense e ainda dentro de uma mansão! O que desencadeou um novo pensamento – “um jogo de terror, precisa ser em uma mansão abandonada é isso que assusta todo mundo”. Nos anos 90, o terror ganhou um novo rumo. Mais solitário e mais obscuro, claro que estou falando dele – Alone in the Dark. É um jogo que começou nos PCs na época do MS-DOS, e com o passar dos anos acabou por virar uma escola. O protagonista não precisava ser um soldado, nem um caçador, ele pode ser um explorador. Mais humano, mais realista e com a oportunidade que existiu de ferramentas diferentes de criação, foi possível já em 1992 trazer um jogo em 3D, e a imersão foi muito maior perante o jogador. Era possível escolher entre uma mulher (Emily Hartwood ) e um homem (Edward Carnby) para iniciar a sua jornada dentro da mansão, existiam puzzles e ainda era possível encontrar zumbis.

Liquidificador do Medo

O resultado entre Haunted House e Alone in the Dark só foi possível no quase fim dos anos 90, causando uma exploração maior que acabou por trazer Resident Evil e Silent Hill. Entre 1995 até 1999 encontra-se a safra dos jogos mais trabalhados em questão do elemento terror, dava para ver claramente que a mente dos criadores havia explodido, ao fazer os jogadores passar por possessões, guerras biológicas com a chegada de Clock Tower, Dino Crisis e Parasite Eve. Sempre mantendo o foco na solidão, você está sozinho e nada irá te ajudar. E, já que estamos falando em experimentos novos. Por quê não trazer histórias baseadas em fatos reais? E então, temos também Fatal Frame. Por praticamente 7 anos, entre 95 até 2001, os criadores tentaram de tudo para aumentar o grau de pânico no jogador, chegaram até a introduzir atores reais que é o caso de Phantasmagoria, o tamanho do jogo por si só era monstruoso, no PC eram 7 CDs e no Sega Saturn eram 8, mesmo assim foi um jogo bastante marcante para uma época em constante evolução interativa. E nesse meio podemos colocar DOOM, que trouxe satanismo e diversos rostos de dor e sofrimento por todos os cantos que o jogador passava.

Tentar repaginar sucessos é algo extremamente difícil! Tanto é que, após toda essa chuva de criatividade, entre 2003 e 2010 não foram dos melhores nessa questão. As softhouses que tinham mais suporte conseguiram seguir em frente e trouxeram brilhantes continuações ou jogos novos que marcaram muitas gerações. Uma dessas empresas é a Monolith que já tinha feito sua entrada triunfal com a franquia Blood no fim dos anos 90. Em 2005, a mesma Monolith trouxe duas novas apostas – F.E.A.R e Condemned: Criminal Origins. Este último na época, foi distribuído pela Sega. Os anos seguiram na base do conta-gotas, em 2007 já começavam a aparecer novas tentativas para mudar as estruturas do Survival Horror, foi o momento de trazer a série Penumbra que teve como inovação o fato de ser um jogo de terror com mundo aberto. Outras empresas decidiram partir para um terror mais político, como é o caso de BioShock e Singularity. Em 2008 então, nem se fala, Dead Space apareceu para causar na mente dos jogadores trazendo toda a claustrofobia e solidão de bases espaciais e com direito a gravidade zero jamais vista nos jogos anteriores com seu fator único – não basta atirar nas criaturas, é preciso desmembrá-las.

Pequenas softhouses, grandes sustos

Na atual década em que estamos será que o terror ainda está nas mãos das grandes desenvolvedoras? Talvez, essa pergunta já tenha sido respondida com o surgimento da Frictional Games em 2006, quando Penumbra apareceu a empresa ainda era pequena, de repente em 2010 soltou Amnesia: The Dark Descent, como se pudesse reensinar as grandes empresas a fazer um jogo de terror e, em 2015 pretende trazer o título SOMA. Left 4 Dead também ajudou a incrementar o elemento terror, e mesmo trazendo zumbis, vale lembrar que os movimentos dos zumbis são capturados de pessoas reais. A Red Barrels veio em 2013 com Outlast mudando todo o conceito do que é terror, você usa uma câmera e vai filmando parte a parte de uma enorme mansão cujo interior, existem psicopatas sedentos por um pedaço do seu corpo. É um jogo do tipo “pega pega no escuro”. E o que te ajuda? Além da iluminação da câmera para saber onde pisar, é saber escapar escondendo-se embaixo de camas ou dentro de armários, já que o seu personagem não bate. Após esses momentos de perseguição, é possível ouvir o personagem ofegante e a boca salivando pelo medo e rapidamente você não sabe se quem está ofegante é você ou o seu personagem. O mais recente exemplo de superação é Alien: Isolation não dá para simplesmente estar sozinho, tem que ter um alien na sua cola o tempo todo. E que tal entrar no terror pelos olhos de uma criança de 2 anos, é o que acontece em Among The Sleep. E até a Argentina entrou nessa com o jogo Asylum, que ainda está em produção.

A próxima aposta estratégica que pretende garantir sucesso dentre as grandes e pequenas softhouses, é a busca por colaboração com escritores de livros e diretores de filmes do gênero terror para ajudar a melhorar a questão da “realidade/profundidade in-game”. Temos aí, Guillermo Del Toro, que além de ter ajudado Kojima em P.T (novo jogo relacionado a Silent Hill) também guarda embaixo da manga o título Insane que estava nos planos de lançamento da THQ antes do infeliz fechamento da desenvolvedora, e o diretor não desistiu dessa criação. Ao pensar em temas como “o survival horror está em baixa” é meio exagerado, porque a pessoa teria que ter jogado tudo isso para tentar dizer algo assim. É importante ficarmos atentos ao que irá aparecer no PC, Xbox One e PS4 porque ao longo de 2015, novas apostas serão inseridas para mexer com a mente de nós que gostamos de jogar.

Dia das Bruxas Retrô

 Zumbis, hospitais imundos, florestas escuras, bases espaciais vazias e cheios de ecos e sombras, é muito legal quando conseguimos entrar no clima do jogo que quer fazer você sentir medo e mesmo assim queremos continuar até ver como é que tudo vai acabar. E os leitores do Blog MarvoxBrasil, quais tipos de elementos vocês gosta em um jogo de terror? Responde aí nos comentários, não precisa logar, é só escrever e deixar registrado a sua opinião, se quiser deixar seu nome pode deixar, se quiser comentar como anônimo, fique à vontade.

E para não deixar a peteca de abóbora cair, vamos curtir uma listinha com alguns jogos de diferentes gerações, todos de consoles e alguns de Arcade, que possuem algum elemento de terror, seja na curiosidade ou porque o jogo é mesmo medonho. Acredito que tem jogo aí que a galera vai reconhecer e fica aí a dica para quem quiser jogar algo que ainda não tenha jogado. Afinal, o terror não existe apenas porque o jogo possui gráficos ultra modernos onde você consegue ver até a alma satânica do inimigo, só de pensar que Ghouls ‘n Ghosts já era macabro desde a tela de abertura. Para conferir, clique nas imagens para abrir o slideshow que contém todas as informações dos jogos que aparecem em cada foto. Divirtam-se, até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 3 de novembro de 2014, em Especiais e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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