Ed.Nº 97 – Brasil dos Games: Aritana e a Pena da Harpia (PC, 2014)

Ed97-MVXFaaala gamers do Brasil! A edição 97 transportará os leitores para o universo indígena de um jogo de plataforma que foi criado pelo estúdio Duaik, localizado em São Paulo. O Blog MarvoxBrasil, teve a oportunidade de entrar nessa jornada em busca da salvação do Cacique que está sob o domínio do Espírito da Floresta. O leitor vai saber de tudo um pouco desta aventura em Aritana e a Pena da Harpia, disponível para o PC e com o apoio da loja Splitplay, a primeira loja virtual dedicada inteiramente aos indie games produzidos no Brasil. Acompanhe mais uma análise na série Brasil dos Games!

Aritana e a Pena da Harpia

O índio nos quadrinhos e vídeo games

Acredita-se que a figura indígena esteja presente no universo das histórias em quadrinhos há mais de 70 anos, um dos relatos mais antigos é o surgimento do Havita, criado pela Disney em 1937. Nos anos 70, a Turma da Mônica ganhou também seu personagem que retrata o índio brasileiro, o Papa-Capim, assim como no universo do Menino Maluquinho, apareceu o índio Tininim da Turma do Pererê desenhado pelo Ziraldo. Quanto aos vídeo games, um dos primeiros indícios de uma figura indígena começou a aparecer em 1993, em uma sequência de lançamentos entre as empresas Capcom e Sega. A Capcom apresentou o robô Tomahawk Man, em Mega Man 6, enquanto T. Hawk fazia sua estreia em Super Street Fighter II: The New Challengers. Por outro lado a Sega ao lançar o jogo Virtua Fighter tinha o lutador Wolf Hawkfield. Outras empresas também começaram a investir em personagens indígenas ainda dentro do universo dos jogos de luta. A Namco colocou Michelle Chang em Tekken 2 e Julia Chang em Tekken 3. Mortal Kombat também não ficou atrás e Nightwolf foi apresentado para os gamers a partir da terceira versão. Era uma época de grande investimento em jogos de luta, a Rare, uma empresa que nunca tinha investido no gênero luta trouxe o personagem Thunder em Killer Instinct. Até este ponto, todos os jogos citados, tirando Mega Man, são jogos de luta. Até que uma softhouse chamada Iguana criou a série Turok, jogo que ficou muito conhecido no console Nintendo 64. Uma fórmula parecida também deu vida ao personagem Tommy, no jogo Prey. Em 2014, a novidade é o índio Aritana.

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Espírito da Floresta

Tudo começa com todos os membros de uma tribo reunidos na frente de uma oca. O cacique Tabata está muito doente, um Espírito da Floresta apossou-se do corpo dele, e todo remédio que o Pajé Raoni o fazia beber, o cacique rejeitava. Com toda essa tristeza, o Pajé decide preparar um ritual para afastar de vez esse Espírito, só que faltava o ingrediente mais importante, a pena da harpia. O Pajé diz que esta pena só é possível encontrar no topo da montanha mais alta. Enquanto o pajé conversava com a tribo, Aritana pegou o cajado do Pajé e pensou: “Já que o problema é esse, vou lá subir a montanha e buscar essa pena”. O jogador passará por toda uma floresta tropical, cavernas, até chegar na montanha. Em vários momentos do jogo, Aritana será perseguido por uma criatura chamada Mapinguari.

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Surfando na Floresta Tropical

Em Aritana, a jogabilidade está muito mais voltada para o lado da primeira geração de Donkey Kong Country, quer dizer, não será difícil ganhar afinidade com todas as mecânicas existentes no jogo, mesmo que o jogador tenha tanta facilidade com o gênero plataforma, a criação brasileira proporcionará um ganho muito maior de experiência, chegando a ser quase impossível evitar o fator replay. É um jogo com identidade própria, os cenários são muito bem detalhados, com chuva, ventanias e o aprendizado de novas habilidades que obriga o jogador a relembrar e utilizá-las para conseguir progredir dentro da aventura.

A mecânica principal do jogo é o domínio do cajado, é possível realizar combos que são remetidos aos ataques dos animais da floresta, por exemplo, o combo da onça que é gerado ao eliminar 3 inimigos em linha reta, muitos outros combos são habilitados à medida que o cajado ganha mais poder. Por outro lado, a engrenagem básica está na coleta de objetos espalhados pelo cenário. Ao coletar 100 guaranás o jogador ganha mais uma vida. Existem artefatos escondidos também e neste ponto, entra o sentido da exploração do jogador para encontrar esses objetos sagrados que podem estar escondidos atrás de paredes ou em lugares que na primeira olhada, pode parecer impossível de chegar.

O cajado que Aritana segura possui 2 poderes acionados com um simples aperto de botão, seja no teclado ou no controle. É só prestar atenção no brilho que sai do corpo do seu personagem, o brilho roxo é a energia da força e o brilho verde é a energia da agilidade. O próprio jogador vai decifrar quando é o melhor momento para usar as duas habilidades. Quando a aventura começa, Aritana possui apenas 3 corações que são ilustrados na forma de folhas. Entre uma fase e outra, é possível curtir uma fase de bônus onde existe um enorme coração verde. Ao coletar 2 desses corações gigantes você monta um novo coração para Aritana, e assim o jogador ficará mais resistente (ou vai durar mais) ao longo das fases, e assim poderá utilizar por um tempo maior uma habilidade mágica secundária que faz o jogo ficar em câmera lenta ou dá uma agilidade muito maior para realizar pulos com maiores distância.

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O custo da generosidade

Aritana e a Pena da Harpia não é um jogo daqueles em que existem tutoriais por todos os lados para ensinar como jogar, e isso é o mais legal, porque ele não subestima o potencial do jogador. É o tipo do jogo de plataforma que na mão de um jogador habilidoso, vai conseguir fácil terminá-lo com algo em torno de 60 vidas, mas essa safra de vidas que o jogador coleta vai muito além do pensamento de que é um jogo fácil, porque até conseguir dominar os pulos e os acertos nos inimigos será possível entender o motivo de coletar tantas chances para seguir em frente.

O cajado mostra ser uma arma cheio de poderes, no começo, Aritana bate apenas na vertical, realiza alguns golpes embaixo das pernas, mas conforme o jogador avança pelos cenários, perceberá a quantidade de possibilidades que poderão ser realizadas em cada novo poder desbloqueado. Isso é muito interessante, porque em alguns momentos, o cajado irá contracenar com o ambiente da fase, principalmente quando os inimigos começam a vir do alto, ou no momento em que acontecem mudanças climáticas, como uma rajada de vento que pode arrastar o personagem para fora do cenário, e sua maior opção é fincar o cajado no chão para que Aritana consiga apoiar-se e ficar preso no lugar, afinal, ninguém que esteja em cima de uma árvore deseja ser arremessado para longe.

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Aritana e o Mapinguari

A figura colocada aqui não seria bem o vilão da história, é um obstáculo que vai perseguir o jogador em vários momentos, e os encontros são muito tentadores. O Mapinguari parece um Pé-Grande, mas com uma enorme boca na região do estômago e que abre na vertical. As batalhas são cheias de truques e táticas que farão qualquer jogador sentir-se muito vitorioso ao sair com sucesso em cada encontro. Existem histórias de monstros da Amazônia, assim como existem as histórias de monstros mitológicos, e o Mapinguari é uma criatura coberta de um longo pêlo vermelho. No folclóre brasileiro, a criatura é descrita como um verdadeiro demônio do mal.

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Para os gamers que queiram jogar algo que desafie por inteiro as habilidades vividas em títulos do gênero plataforma, vale a pena reservar um bom tempo para jogar Aritana e a Pena da Harpia, é uma criação que trata da cultura indígena brasileira, faz o jogador passear pela Floresta Amazônica e em cada desafio contém momentos nostálgicos dos clássicos jogos de videogame que existiram e marcaram a época dos 16-bits, em uma mecânica nova e aventura marcante. É possível adquirir o jogo através da loja Splitplay, se o leitor ainda não possui uma conta lá, acesse, monte o seu perfil e comece a explorar o universo dos jogos produzidos no Brasil, faça dela uma nova opção para conhecer e curtir mais jogos. A edição 97 do Blog MarvoxBrasil fica por aqui, até a próxima!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 3 de setembro de 2014, em Análises, PC e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Sim, a impressão não está errada. Na primeira vez que joguei, ao reparar nos movimentos me lembrou muito DKC 3, a mecânica de pular nos inimigos de modo que você faça uma sequência de ataques certeiros me lembrou o momento de uma das fases do DKC 3 no 1º ou 2º mundo em que você precisa do Kiddy para rolar quicando na água, matar os besouros e entrar no barril de bônus. Isso é legal, porque DKC nunca foi um jogo fácil. E o Aritana consegue puxar partes dessa mecânica enquanto possui uma identidade bem própria. É o tipo do jogo que em um primeiro momento, acaba curtindo e fazendo dele um jogo para deixar junto com os mais legais para se jogar a qualquer hora.

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  2. Eu acabei vendo um pouco do jogo na BGS esta semana e tive uma “impressão de DKC”, agora vendo que vc também mencionou o jogo de alguma forma, percebo que a impressão não é tão errada assim.
    Devia ter experimentado o jogo, acabei só assistindo mesmo. O pouco que vi somado ao review me deixou curioso. Vi que não roda só em Windows, acho que vou arriscar algum dia.
    Muito bacana o texto, Marvox!

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  3. Me indicaram esse jogo a muito tempo, achei ele muito bonito e bem feito. Mais para frente quando eu der uma desovada na minha lista de jogos, pretendo pegar a versão de Steam. Valeu Marvox, abraço!

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