Ed.Nº 51 – Tributo ao F.P.S, Parte 13 – Quarantine

A edição nº 51 saiu, e já que este é o número da boa idéia, escolhi um game bem exótico para continuarmos nossa caminhada dentro do universo dos games em primeira pessoa.

Agora estamos em 1994 e vamos relembrar do game que na minha opinião foi o casulo para a criação de Carmageddon. Claro que Carmageddon só veio em 1997, mas então se você acha que Carmageddon é um jogo violento demais, pode contar que você nunca jogou Quarantine.

O Blog MarvoxBrasil buscou e dissecou Quarantine completamente para você. Eu particularmente nunca ví em uma revista de games ou PC da época algo sobre este jogo, uma pena, porque quem curte games pós-apocalípticos estilo Borderlands, Left 4 Dead, Rage, e tantos outros, deve testar sua adrenalina em Quarantine.

Imagine você, dirigir um táxi em uma cidade do Século XXI e no seu carro entrarão as figuras mais medonhas dizendo: “me leve para tal lugar”. Eu digo para vocês que, na época em que eu joguei Quarantine pela primeira vez, me dava muito medo quando apareciam os clientes querendo uma carona.

Tinha vezes que eu nem parava o táxi, saía andando na ideia de detonar os carros inimigos só para não ter que reparar no rosto de cada passageiro. E ainda para ajudar o clima do jogo é todo sinistro. Para que vocês entendam como o clima certo é tão importante para todos os games.

Confiram agora, imagens, comentários e curiosidades sobre o game Quarantine, e no final, tem surpresa para os gamers do Blog MarvoxBrasil. Espero que vocês gostem.

Título – Quarantine
Dev – Imagexcel
Publ – GameTek
Plataforma – PC / 3DO / Playstation
Ano: 1994

O Taxista que não se chamava Antônio Alves:

Tudo começa com Evan Taylor, líder da banda de rock canadense Blibber and the Rat Crusher, que tocava nas épocas dos bate-cabeças e baladinhas punk do Canadá. Além de cantor, o cara é programador profissional e designer de games indies, ou seja, jogos menos populares.

O cara foi visitar um amigo no centro de Toronto. Lá ele conheceu Ed Zolnieryk que já trabalhava na fabricante de games Imagexcel, no interior do Canadá. Naquela época em 1994, não existia internet. Os computadores comunicavam-se através de BBS, direcionando o PC diretamente para as portas de comunicação e assim um PC se “conectava” a outro.

E nesse MSN pré-histórico Evan criou um canal chamado Warlords of the Balance. Naquele momento, como em uma espécie de fórum, começou a falar sobre a falta de criatividade dos games já naquela época. Depois do lançamento de DOOM em 1993, muitas fabricantes de games baseavam-se na obra da Id Software.

Os jogos não passavam de mods em que os programadores apenas trocavam o protagonista, os inimigos, os objetos, mas no fim, tudo era parecido demais com DOOM. Foi aí que Evan perguntou para Ed se ele não podia emprestar uma cópia da engine DOOM para que Evan pudesse brincar um pouco, até aí sem pensar em lançar algo novo no mercado de games. Depois de alguns meses, Evan deixou de lado sua vontade por programação e resolveu trabalhar em uma companhia de táxi.

Evan estava sem grana nenhuma na época e precisava de um trabalho de meio período para sobreviver. Durante seus momentos de folga ficava imaginando situações inusitadas. Praticamente o jogo nasceu dessas fantasias que ele tinha dentro do táxi em que trabalhava. Depois de um tempo, decidiu extrair da sua mente fértil uma de suas idéias e procurou por desenvolvedores de games gratuitos que adoravam brincar com programação de computadores.

E assim surge Quarantine, no meio de tantas recriações em cima da idéia do game DOOM de 1993, Quarantine foi considerado na época um dos pouquíssimos games que chegou a destacar-se e virar um sucesso. tudo bem que a textura é parecida, mas colocar combates dentro de veículos isto foi a novidade de 1994. Evan hoje, pode ser encontrado na página do Myspace da própria banda Blibber and the Rat Crusher.

Apertem os cintos e faça um seguro de vida

Bem-vindos à KEMO, a cidade conhecida por criar hovercars (uma mistura entre hovercrafts e carros, bem no estilo F-Zero). Os carros não têm pneus, nem rodas, eles flutuam em baixa altitude. O jogo corre no século 21 em uma cidade considerada um paraíso até 2022.

A partir desta data, KEMO começa a ser invadida por criminosos de todos os tipos. Drogados, assassinos, vândalos, alucinados, psicóticos. Ao chegar o ano de 2029, uma multinacional chamada Omnicorp prometeu limpar a cidade, varrer os criminosos e fazer tudo voltar como era antes.

Todos os moradores aceitaram a oferta e a Omnicorp começa exaustivamente a construção de um muro gigantesco ao redor de KEMO. No fim foi tudo mentira, a corporação não limpou a cidade, simplesmente colocaram todos dentro de uma redoma de vidro, sem visão para o horizonte (Cracolândia??).

Para todos os lados que as pessoas olhavam via-se muros e mais muros. No fim, Kemo virou uma prisão dela mesma. Todos os cidadãos de bem e os criminosos ficaram presos em um só lugar. A revolta se instalou na cidade, rebeliões começaram a aparecer, transformando Kemo em uma cidade sem lei.

Nisso a Omnicorp com receio de retaliação começou a testar um líquido criado em laboratório chamado “Hydergine 344” que segundo os cientistas, acalmava as pessoas. Mas como fazer as pessoas tomar este líquido? Simples, jogaram todo o líquido na rede de água da cidade.

As pessoas tomaram sem saber de nada. O problema aconteceu com os desavisados e o líquido na verdade destruiu o cérebro das pessoas e as tornaram alucinadas e cheio de insanidades. Mais da metade da população viraram assassinos retardados da noite para o dia.

É aí que aparece Drake Edgewater (o próprio Evan Taylor que criou o jogo), um  taxista do século 21, e um dos poucos sóbrios que restou em Kemo. Drake está desesperado para sair da cidade e ultrapassar os muros de Kemo, vivo. Sua arma é o seu próprio ganha-pão, o táxi estilo 1952 reformado e armado com uma variedade de armas letais, que com a ajuda do suor do seu trabalho poderá fazer vários upgrades no carro para assim sobreviver ao clima apocalíptico de Quarantine.

Como sobreviver ao jogo?

Aqueles que nunca jogaram Quarantine e hoje fizer, vão dizer “ah isso é uma mistura de Carmageddon com Twisted Metal“. A idéia do game não é ser tachado de corrida. A visão é em primeira pessoa onde você enxerga o carro por dentro.

Você vê o volante e o painel cheio de truques. Temos armas, turbo, o táxi até chega a pular bem no estilo Mach-5 do Speed Racer. Você começa estacionado próximo da calçada sem grana nenhuma. Então ao apertar para a frente nas setas do teclado o táxi começa a “andar”, coloquei aspas porque na verdade o carro flutua.

Todos os carros e motos em Kemo flutuam, como as máquinas do jogo F-Zero quando estão correndo. Isso seria uma ajuda enorme ao meio-ambiente já que não precisaríamos queimar petróleo para fazer os pneus, mas enfim. Você tem um mapa e com certeza você usará a tecla “M” um milhão de vezes para saber por onde ir.

Você pode passear pelas ruas, desvia de alguns barbeiros que não sabem dirigir e não estão nem aí se você está na frente deles. Até avistar uma pessoa acenando com o braço para o alto gritando: “TÁXI” ou “HEY”. Você para o carro perto e o passageiro embarca.

Não dá para ver direito o rosto dos clientes na rua, mas quando você posiciona o carro perto do cliente, aparece uma outra tela com o personagem que estava na rua. Existem vários tipos. Tem punks, palhaços com metade da cara pintada estilo (Duas Caras do Batman), tem gordinhos com óculos 3D, magrinhos só de cueca ou calcinha, já deu para entender.

Com frases engraçadas como: “acho que eu tô afim de dar uma voltinha de táxi, você apareceu na hora certa, poderia me levar até tal lugar?”, outros são mais secos e dizem: “apenas dirija, eu quero dar o fora daqui”. O que você tem que saber é que a cidade de Kemo tem seis territórios. Cada um deles é bloqueado com um password (senha secreta).

Para encontrar essa senha você precisa fazer papel duplo pela cidade, ser o cordial taxista que busca clientes e os leva onde queiram, ao mesmo tempo em que você acaba ganhando confiança desses passageiros para assim fazer serviços sujos como implantar uma bomba em algum lugar, pode ser um hospital, uma escola, ou um prédio da própria Omnicorp e feito isso com sucesso, você ganhará a tão sonhada senha secreta, eu sugiro anotar num papel.

Tudo bem, e o que eu faço com a senha?

Você vai levar essa senha até o prédio principal da Omnicorp, que fica na cidade do território que você está e digitar com o teclado. Se a senha estiver correta, parabéns você descerá para o túnel subterrâneo. Esta é a única parte de paz do jogo, onde não tem inimigos, nem gente tentando destruir seu carro. Você apenas vê muros e mais muros de tijolos.

Mas peraê Marvox, e o que eu faço com a grana que eu ganho?

Você vai ter que saber gastar nas lojas de armas, e caso precise, nas oficinas que restauram a energia vital do seu táxi, igual fazíamos em Rock n’ Roll Racing. Para facilitar a vida do jogador, deixo as senhas para inserir em cada território. Eu nem precisaria fazer isso, porque na internet tá cheio de sites, mas digo uma coisa, elas estão erradas, com uma ou outra letra faltando, uma palavra a mais. Enfim, eu quebrei a cabeça em algumas senhas e são estas:

1- KEMO CITY – SENHA: OMNICORP is all knowing
2- THE PARK – SENHA: Keep the opressor opressing
3- OLD KEMO – SENHA: The meek shall inherit zilch
4- THE PROJECTS – SENHA: have you had your hydergine today
5- THE WHARF – SENHA: Kemo City a nice place to visit

  • Apesar de deixar o password pronto para vocês, tentem jogar pra valer e viver o jogo porque é uma experiência muito legal. Divirtam-se!! Confira abaixo as imagens:

Confira agora, várias curiosidades envolta do game Quarantine:

– No Japão Quarantine foi lançado para Playstation com o nome de Hard Rock Cab. Na capa ainda o taxista saiu com o cabelo louro e ao lado aparece uma mulher. Será que ela representa todos os punks existentes no game? Veja a imagem abaixo:

– Um ano depois, 1995, Quarantine ganhou uma sequência, mas o nome original foi deixado de lado e nas lojas ficou como “Road Warrior Quarantine II”. O jogo ficou horrível, fugiu completamente da jogabilidade original e era possível disputar rachas dentro da cidade. Para piorar, é muito difícil encontrar Quarantine 2 no Google.

Se você digitar Road Warrior, sairá nas pesquisas o filme Mad Max 1 de 1979, já que o nome Road Warrior foi usado como subtítulo da primeira aventura de Mel Gibson nas estradas norte-americanas como o patrulheiro que não tinha nada à perder. Vejam a caixa de Road Warrior Quarantine 2:

– Sabe o que dá para fazer em Quarantine citado nesta matéria? Comprar uma Uzi e atirar de dentro do carro nos inimigos. Isso depois veremos alguns anos mais tarde em GTA 3(PS e PC). No game da Rockstar, enquanto dirigíamos, era só colocar no modo em primeira pessoa para termos a visão interna do carro e apertar as teclas configuradas para vermos Claude esticar a mão para fora enquanto segura a Uzi. Incrível como os games clássicos influenciam de alguma forma outros games.

– E para finalizar, vejam uma foto da formação original da banda Blibber and the Rat Crusher em que Evan Taylor, é o vocalista. Muito diferente do que vemos no game Quarantine, com cabelo bem mais curto. A qualidade da foto não é das melhores mas, é só para vocês conhecerem:

RESPONDA A NOVA ENQUÉTE DA EDIÇÃO Nº51

A diversão é válida para os gamers que nunca jogaram, para aqueles que só jogaram a versão demo, enfim, curiosos e fãs, baixem e joguem. Um abraço à todos e até a próxima edição!

Resultado da pesquisa da Edição Nº 50.

RESULTADO DA ENQUETE: E a pergunta foi: Você gosta do tema velho-oeste nos jogos? E o resultado foi: 

Valeu mesmo pela participação, pelos comentários, e também pelo pessoal que mesmo não comentando acredito que gostem das matérias, então continuem participando. E vamos para o game propriamente dito.

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 15 de setembro de 2010, em Análises, Especiais, PC Retrô e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Cariha, eu nunca consegui rodar esse jogo (na época não conhecia DOSBOX), e acabei esquecendo. Interessante a história, eu não imaginava que seria algo assim. Acho que muita gente torce o nariz por achar que é clone de Carmaggedon, mas não é.

    Queria poder dizer que vou jogar em breve, mas tou com tanta coisa pra terminar que esse via pro final da lista de prioridades, ahuiahiauhai.

    PS: adoro a capa americana dele, com o para brisas cheio de sangue, hehehe

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