Ed.Nº 16 – Os Videogames, Parte 8: Nintendo ao Cubo

Nossa saga pelo primeiro ano do século 21 continua com mais curiosidades para tentarmos entender e encontrar algumas respostas sobre o incerto futuro dos games e videogames. Tudo é incerto no mundo dos negócios, empresas entram e saem à todo momento, lucram ou afundam-se em prejuízo, e aquelas empresas que quando notam a possibilidade de quebrar resolvem juntar-se para dividir os mercados e os lucros. É a fusão empresarial, atitude que durante o século 21, após o trágico fato de 11 de setembro.
No momento, a SEGA desistiu de fabricar aparelhos para focar-se apenas na criação e produção de jogos. A Sony e a Microsoft captando consumidores de variados estilos e idade. E no fim dessa via férrea do entretenimento virtual aparece a Nintendo que não soube acompanhar o fluxo da tecnologia. Preferiu o uso de cartucho de silício ao invés da facilidade do CD e DVD. Não ficou por dentro das conexões com o mundo através da internet. Enfim, não seguiu o videogame para um lado mais intuitivo e sim por um lado obscuro e fora da realidade.

O Passado Só Continua Se Não Buscarmos a Evolução

Gamers do ano 2001 utilizam CDs e/ou DVDs para o lazer, é uma atitude na maioria dos países que respiram tecnologia. O videogame pela lente óptica de Sony e Microsoft deixou de ser um aparelho para uso infantil. Aqueles que vivenciaram a década de 80 e 90 cresceram e já estão muito maduros. E os que apenas acompanharam os anos 90 perceberam que as atitudes mudaram e assim segue a humanidade.
Mas a Nintendo não via dessa forma. E continuava com a ideologia Famicom, ou seja, videogame para a família. Mas será que a família continuava jogando como antigamente?
A resposta pode ser respondida como, depende da família.
A partir de 1993 com a chegada do jogo DOOM ao universo dos computadores com sistema MS-DOS, o enredo dos games tomou uma proporção tão expandida que sabemos o interesse dos jogadores, atitudes realistas e claro, sentimentos de todos os tipos, raiva, ódio, coragem, emoção, medo, sustos. É como um filme onde a melhor qualidade é o jogador tomar partido nas consequências da história que envolve o game.
Porém, a Nintendo com seu sistema de 64-bits provou para todos os gamers da época de que é possível sim, grandes detalhes gráficos dentro de um cartucho de silício. Comparado com o Playstation 1, dá para entender mas e a quantidade e diversidade de jogos? Isso a Nintendo também conseguiu com inovações que não tínhamos visto no Super Nintendo. Só o que a Nintendo não conseguiu é provar para os consumidores que no novo século está pronta para mudar de estratégia.

O Forninho da Nintendo

A Nintendo percebeu que não tinha porque continuar à investir no Nintendo 64 e fechou a produção de jogos em 2000. Para 2001 a Big N estaria preparando algo que poderia colocá-la de volta ao mercado e claro, tomar partido da maior fatia, assim como antes faziam.
Novas épocas, desastres recentes e empresas saindo da mesmice. A Rareware criadora inicialmente dos sapos Battletoad nos anos 80 e 90, criadora os símios Donkey Kong Country, sucesso no Super Nintendo e criadora do 007 Goldeneye, Perfect Dark e Conker’s Bad Fur Day, os três últimos respectivamente lançados para Nintendo 64, resolveu cortar relações com a Nintendo e assim partiu para a gigante Microsoft. O único personagem que a Nintendo teve o direito foi Donkey Kong.
Mesmo assim ainda existiam muitas outras produtoras de games sensacionais. E então vamos colocar a máo na massa e começar a planejar o sucessor do Nintendo 64, o Dolphin.
Dolphin foi um nome que despertou curiosidades, até porque em uma revista da época, o design realmente abria os olhos e foi bem diferente do design que todos puderam encontrar nas lojas.
A Nintendo decidiu entrar na sexta geração, um pouco tarde há de se supor, mas ainda tem pessoas que acreditam nos feitos dessa fabricante de videogames e jogos.
Dolphin foi lançado no mundo no segundo semestre de 2001 e seu nome foi rebatizado para GameCube.

Parece Mais um Forninho dos Que um Videogame.

Sim, tem razão. Dizem também que, a Nintendo não foi muito feliz ao desenhar o formato do novo aparelho. Na geometria dos videogames sempre nos deparamos com aparelhos retangulares. Mas aparelhos quadrados? O GameCube foi o primeiro à dar a mão ou o hardware à palmatória.
O Gamecube tem é na cor roxo, quadrado. A Nintendo aposentou a idéia do silício, dando ao novo videogame a possibilidade de rodar jogos em MiniDVD, um disco óptico de oito centímetros. A capacidade de armazenamento em um MiniDVD é de 1,5GB um pouco mais que os GDs do Dreamcast. O motivo de usar uma mídia tão incomum para vender seus jogos é a dificuldade de fazer cópias e assim facilitar a pirataria. Um privilégio do MiniDVD foi a rapidez do videogame em processar os loadings, diferente do que víamos no Playstation e Xbox. Com os jogos, a gravação do progresso do jogador era feito com o memory card.
O interessante e certo é que tudo no GameCube é chamativo, possui cores que saltam aos olhos. O videogame é na cor roxo, ainda no aparelho temos dois botões: Power, Reset e Open.
A Nintendo segurou um ingrediente muito chamativo no Nintendo 64, e continuou com a idéia de inserir quatro controles.
No controle, um formato que lembra muito o controle do Nintendo 64 de um parâmetro mais futurista e com menos esquemas para segurar.
Temos o direcional analógico, o direcional digital. O botão Start/Pause dividem a função no mesmo botão. O botão C que antes era dividido em quatro pequenos botões virou um botão analógico amarelo. Logo temos o botão B vermelho, A que é o principal em verde água, e os botões Y e X em cinza. Acima como sempre os botões L e R e dessa vez, na frente do botão R temos o botão Z em azul. Agora, a função Rumble está embutida e não é necessário comprar pilhas.

Jogos ao Cubo

O GameCube proporcionou uma experiência diferente para quem já estava inserido na sexta geração com um Playstation 2 ou Xbox plugados na televisão. É a Nintendo da sexta geração, e os gamers esperam grandes criações.
O primeiro jogo a sair nas lojas deveria ser algum jogo do Mário. Mas não foi. No lugar do bigodudo de roupa vermelha, a Nintendo deu uma oportunidade de Luigi ser a estréia no videogame e até então seria uma segunda estréia. Lembramos do Luigi em Mario is Missing para Super Nintendo. Mas dessa vez Luigi está redesenhado e caçando fantasmas. O game Luigi’s Mansion, é um jogo de pura diversão onde Luigi caça fantasmas com um aspirador de pó e uma lanterna.
Logo vieram Wave Race: Blue Storm e Super Monkey Ball. O sucesso do GameCube se deu pelo lançamento de Pikmin e Super Smash Bros Melee.
Finalmente o milagre chegou e um videogame da Nintendo receberia Resident Evil, o que ajudou as vendas do aparelho.
Seguindo uma leva de jogos bons estão, Metroid Prime (a primeira aventura em 3D e no estilo FPS do game Metroid.
The Legend of Zelda: Wind Waker, e mais tarde Mario Sunshine. Ainda temos Baten Kaitos, Metal Gear Solid The Twin Snakes, Eternal Darkness(prometido para Nintendo 64), e ainda jogos do Sonic. Quem diria que isso um dia poderia acontecer! O mais tentador é que a SEGA tornou-se uma grande parceira para jogos no GameCube, isso é fantástico. E pensar que por duas décadas brigaram pelo mercado dos videogames.
O GameCube obteve um sucesso tímido, porém, conseguiu ficar em segundo lugar nas vendas fora da América do Norte, como, Europa, Japão e Brasil. Já nos Estados Unidos, acabou em terceiro lugar atrás do X da Microsoft. Porém o sistema que dominou a sexta geração foi sem dúvida o Playstation 2, isso se deve à custos, variedade de jogos e a intenção se atingir uma diversidade de públicos.

Curiosidades Que Só Quem Viveu Sabe

Dizem as más línguas que o GameCube seria um Nintendo 64 versão 2 e por isso muitos títulos prometidos para o 64-bits e que não foram cumpridos acabaram tornando-se games de GameCube, como é o caso de Eternal Darkness.

Dizem as boas línguas que a Nintendo pensou bem quando decidiu não lançar alguns jogos do GameCube na época do Nintendo 64. Se tal tentativa fosse feita o game não teria o mesmo impacto. Pouca tecnologia e limitações. Nessa a Nintendo foi inteligente, fazer o melhor com condições melhores.

A Nintendo travou firme a sua idéia de MiniDVD e a dificuldade na pirataria. Se fez sucesso ou não, só a Nintendo pode dizer, o que dá para ver é a dificuldade de encontrar jogos de GameCube à venda nas lojas.

O Controle do GameCube foi uma idéia que segue o mesmo padrão do Dual Shock, ou seja, dois analógicos. Mas isso não é problema, já que o Dual Shock apareceu graças ao Direcional Analógico do controle do Nintendo 64. A idéia é dela, não foi cópia.

O GameCube é o primeiro videogame da Nintendo em que Luigi é o primeiro jogo a ser vendido.

O GameCube só pecou em uma coisa. Não ter acesso à internet.

Vários acessórios foram criados para o GameCube, podemos citar: Controles coloridos(idéia do N64), o controle sem fio Wavebird, GameBoy Player(idéia do Super Game Boy) é um periférico para jogar GameBoy no GameCube, como acontecia no Super Nintendo também. Microfone para os jogos Mario Party 6 e 7 por exemplo, possuem o sistema de reconhecimento de voz. E os bongôs do Donkey Kong, para jogar Donkey Kong Jngle Beat e Bongo Blast.

Jogos em MiniDVD apesar da capacidade de 1,5GB são mais rápidos para carregar, ou seja, telas de loadings menos demoradas.

Desta vez a Nintendo não criou nenhuma portinhola para periféricos esquisitos, como aconteceram no NEs, SNES e até no N64. Precisou de três gerações para a Nintendo perceber o quanto era inútil tudo aquilo.

Mario Sunshine é uma aventura em que Mário usa uma máquina que esguicha água. Até dizem que é uma versão Mário 64 versão 2. Mas tem que jogar para perceber que não tem nada parecido, a não ser inimigos que vimos em versões passadas.

Resident Evil 4 foi um prêmio para o GameCube, o jogo saiu muito bonito graças à potência da placa de vídeo da ATI que o videogame dispõe.

Perto da aposentadoria do GameCube a Nintendo resolve lançar um modelo que aceita rodar filmes em DVD comum. Poderia ter pensado nisso antes.

A Gradiente deixou de distribuir oficialmente o GamerCube nas lojas, o motivo, preço alto. O GameCube chegava a custar até R$ 1.200,00, um absurdo de caro. Em 2003 o GameCube veio apenas por importação para o Brasil.

A Nintendo pelo visto gosta de tentar o que ninguém tenta. Os MiniDVDs são muito incomuns e adotou para a venda dos games. A mesma coisa aconteceu com o MiniCD, que quando virgem chegava a custar um preço que não compensava comprar, por ser uma mídia incomum.

A Nintendo abriu muito seu mercado ao se distranciar tanto do público que cresceu jogando 8, 16, 32 bits e que gostaria de jogar games que fizessem sentido para a atual maturidade em que eles se encontram. Desse modo ficou a Sony e acolheu todo esse público que a Nintendo um dia, parece que esqueceu.

Alguns analistas do Reino Unido comentam que a Nintendo está colhendo aquilo que plantou, por não ter assinado o contrato para um trabalho em conjunto com a Sony e por ainda em 1994 preferir vender jogos em cartuchos de silício.

A Sony ainda tem planos grandiosos para o mercado de jogos. A Microsoft vai continuar inovando agora que entrou no mercado de games e a Nintendo busca a reestruturação do mercado para novamente pertencer à mesma fatia de antes ou chegar perto da que estava.

O mercado de games entre 2001 e 2009 mudou de maneira intensa e brutal, a sociedade continua com suas mudanças de estilo e costume. Os computadores crescem de maneira orbital, em função das novas placas de vídeo que entram no mercado, intensificando a briga entre ATI e NVidia.

Jogos de computador nos videogames ou jogos de videogames no computador ou até mesmo os games se desprendem de um rótulo e tornam-se possíveis tanto em videogames quanto em computadores, sendo assim, jogos de videogame e de computador.

Quem sabe um dia possamos ver a frase, jogos de videogame e computador ao mesmo tempo, sendo possível que jogos de videogame possam ser jogados no computador. Isso seria ótimo para levar o jogo na casa de um amigo ou parente que não tenha o videogame e assim possibilitar o acesso ao jogo. Seria um jogo híbrido. Como os futuros e alguns já lançados carros híbridos que funcionam com combustível e energia elétrica. Isso sim seria um avanço.

O GameCube durou até 2006 dando espaço para uma nova estratégia da Nintendo no mercado. Logo iremos falar disso.

E fiquem ligados, na próxima edição falaremos sobre o trio parada dura dos videogames. O final da nossa odisséia pelo universo dos videogames. Até lá!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 8 de agosto de 2009, em Especiais e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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