Ed.Nº 12 – Os Videogames, Parte 4: Sony e Nintendo

Na lógica,

Em 1994, o CD estava sendo consolidado no Mundo. Os discos de vinil e as fitas K-7 já não eram mais um consumo para conseguir ouvir músicas. O CD tinha muito mais capacidade e o melhor, o áudio é digital.
Nos videogames cartuchos de silício com pouco espaço para armazenamento já estava totalmente ultrapassado. Se os anos 90 foi a época que traria invenções e avanços para descomplicar a vida dos moradores das grandes metrópolis e claro mudanças até no modo de vestir, falar e de viver, só nos resta crer que jogos em CD era a última moda e quem não seguia essa moda que mudasse para outro planeta.

Foi aí que uma gigante no ramo dos eletroeletrônicos decidiu procurar outra gigante no ramo dos videogames. A Big N, ou apenas Nintendo.

O Diretor da Sony apareceu no escritório da Nintendo com uma idéia inovadora. Sabíamos que o Super Nes foi um sucesso no início da década de 90, mesmo aparecendo depois do Mega Drive. Todos aqueles jogos e empresas que se juntaram para produzir jogos fabulosos para o sistema de 16-bits, mostraram que a Nintendo soube fazer a lição de casa nos anos 90. E isso chamou muita atenção da Sony.

Então, a Sony chegou para o presidente da Nintendo com a idéia de fabricar um Super Nintendo com CD. Uma forma de transformar as maiores criações da Nintendo em criações digitais, e claro, a facilidade  que o CD podia ser vendido. A Sony mostrou que benefícios maravilhosos a Nintendo poderia ter se migrasse rapidamente para o universo do CD. Leve seus cogumelos para o CD e torne-os mais famosos. Talvez não seria um Super Nes em CD, poderia ser outro projeto mas, a idéia principal foi: Sony e Nintendo juntas em um projeto promissor nos anos de 1994.

Aprenda gafanhoto, quando japonês diz não é não!

No ano de 1994, o CD era uma novidade, muitos já tinham músicas em CD mas jogos em CD isso só os computadores.
O pensamento de colocar algum jogo em CD num videogame, isso era algo que estava vagarozamente sendo estudado pelas empresas de videogame da época. E foi por isso que a Sony decidiu investir nesse mercado.
Na década de 80 existiam três empresas. Atari, Nintendo e SEGA.
Com a fraqueza da Atari, na década de 90, as empresas Nintendo e SEGA se fortaleceram e dominaram o mercado. Dizer: “olha eu tenho um Atari”, e dizer: “olha eu tenho um Mega Drive ou Super Nintendo” isso sim chamava a atenção.
Mas os anos eram outros, e em meados dos anos 90, exatamente em 1993 só ouvia-se dois nomes de videogame. Mega Drive e Super Nintendo e dois nomes de empresas, SEGA e Nintendo.
De 93 para 94 o Mundo estava em uma transformação sem freios, e em 94 o CD já fazia parte do universo musical e do universo dos jogos de computador mas não do universo dos videogames, e com isso a Sony e a Nintendo conversaram e tentaram entrar em um acordo fabuloso.
A pergunta da Sony: “Vamos criar um videogame em conjunto que utilize o CD como mídia para seus jogos”.
A resposta da Nintendo: “Não”.

Vamos colocar em pratos limpos.

Muitos na época ficaram chocados com a resposta da Nintendo: “O quê? Você não quer CD e quer continuar com cartuchos de silício?”. Foi um choque para muitos gamers da época que queriam e esperavam por novidades no mundo dos videogames.

Segundo a Nintendo, o motivo para tal resposta curta e seca foi porque no contrato da Sony, a empresa alegava à Nintendo que, ao assinar o contrato a Sony passaria a ter direitos iguais sobre as criações da Nintendo. O que pareceu ser um pouco ditador. A Sony entraria com a tecnologia de CD e Hardware e a Nintendo com seus jogos. Para entenderem melhor digamos que em um trabalho de grupo somente um faz e o resto tira as notas. O que é um tanto desonesto. E em contratos corporativos sempre acabam existindo alguma cláusula que poderia causar dores de cabeça. Por exemplo, se em alguma briga ou desentendimento entre as duas empresas, a Sony poderia muito bem ficar com a maior parte do projeto deixando a Nintendo apenas como uma criadora e distribuidora de jogos. Talvez veríamos Mário sendo vendido para outros consoles e perda de direitos autorais e tudo mais.
Até a Nintendo poderia ter saído do mercado de games e perderia alguns benefícios perante os personagens da Nintendo. Mario é o carro-chefe da Nintendo e claro, jamais dividiria com ninguém. Bom, tudo isso são apenas hipóteses, mas no universo corporativo devemos pensar com a razão e a Nintendo teve uma razão para não aceitar.
Muitos analistas de mercado acreditam que a Nintendo fez uma grande bobagem em ser tão cabeça-dura de não ter aceitado entrar com o pé direito no novo Mundo que estava por abrir. Um mundo de jogos em CD. Em vez disso preferiu continuar com ultrapassados(para a época já estava) cartuchos de silício.
Naquela altura milhares de revistas já comentavam do CD e do CD-ROM, que é possível estocar 650MB de espaço, podiam ser gravados 80 minutos de música, e claro, áudio digital e imagem mais detalhada.
Os analistas dizem que a Nintendo a partir desse momento estaria fadada ao atraso tecnológico.

Próxima parada, Estação De Jogos!

Após a Sony ter ouvido um: “Não!”, prometeu a si mesma que iria tocar o projeto sozinha. Seria a primeira vez que a Sony, gigante dos eletroeletrônicos, entraria para o mercado dos videogames.
Em 1994 a Sony apresenta ao Mundo o primogênito, aquele que mostraria à todos que jogos em CD são muito melhores. E claro, faria a Nintendo babar com aquilo que poderia ter conseguido.

Senhoras e Senhores, apresento-lhes, o Playstation.

E assim é dada a largada para o início da Era dos 32-bits. Uma época em que jogos com maior poder de detalhes foi possível também nos videogames. Sim porque eram já comuns em computadores com VGAs de 12, 16 e 32 MB mas para videogames, isso foi a maior novidade do ano.
O Playstation era quadrado e possibilitava encaixar dois controles. Os jogos eram vendidos em CD. O Playstation não chegou a ter nenhum periférico que conheciamos nos anos 80 e 90, nada de pistolas, luvas, óculos. Era simplesmente um videogame, porém, com muito poder e jogos excelentes. O videogame, no aparelho tinha dois botões em forma de círculo escrito, Eject e Power e mais um pequeno botão circular escrito Reset. O controle também era diferente, em design e quantidade de botões. Além do direcional comum, haviam os botões Start e Select e os botões de ação: Bola, Quadrado, Xis, Triângulo, e mais dois botões em cima na parte superior do controle que são: L 1, L 2 e R 1, R 2. Mais botões, mais diversão. Não posso esquecer do Memory Card. Com os CDs a famosa bateria interna para guardar seu progresso em jogos, presente em muitos jogos do Super Nintendo tinha acabado. Com o Memory Card o jogador podia guardar todos os saves que quisesse e ainda levar na casa de um amigo para continuar o jogo de onde parou. Claro que havia uma limitação de espaço para gurdar os saves mas era mais uma novidade que ajudou o Playstation a agradar mais os gamers.
A Sony colocou fim em jogos coloridos e 2D e passou a lançar dezenas de jogos com visual em 3D, sendo realmente tridimensionais no modo de jogar ou não.
Com o Playstation, títulos de Grand Theft Auto(GTA) e Driver foram possíveis, além de criações com histórias de terror que agradou muitos gamers, como é o caso de Resident Evil, Silent Hill e Parasite Eve. Além disso a Sony também decidiu criar um mascote, o Crash Bandicoot.
Os RPGs foram o forte do Playstation com as versões cinematográficas de Final Fantasy, além de jogos de espionagem como Syphon Filter e claro, renascido do NES, Metal Gear Solid totalmente moderno e reformulado.
A Sony realmente fez um estudo minucioso, quer dizer, pegou todos os detalhes do que poderia agradar os gamers que, se passaram a infância na década de 80, o início da adolescência no início dos anos 90, em 1994 em diante seriam adolescentes que já poderiam dirigir. Isso nos Estados Unidos que a maioridade é atingida com 16 anos. Com 16 anos garotos querem histórias que o façam ter medo, que os façam atingir seus limites. E isso o Playstation da Sony foi muito feliz.
Só não foi feliz em não prestar atenção em uma coisa. A pirataria. Nos Estados Unidos e Japão, a guerra contra a pirataria é muito forte. Porém, quando o videogame aterrisou ou navegou para o Brasil tivemos um quadro totalmente diferente.
Jogos piratas choviam nas lojas e centros das metrópoles. Eram pacotes de 3 jogos por 5 reais, 10 jogos por 5 reais, compre 10 e ganhe mais um grátis. O resultado disso tudo, dor de cabeça e prejuízo para muitos gamers.
Quem não teve um Playstation com defeito no canhão de leitura que atire o primeiro controle. Os jogos piratas eram gravados em mídias precárias que aqueciam o leitor óptico do Playstation e causavam a queima ou a cegueira no leitor. E isso deve ter feito muita gente de 12 a 16  anos chorar de raiva.

A empresa que torceu o nariz para o Brasil.

Nos anos 80 e 90, as fabricantes SEGA, Nintendo e Atari tinham suas representantes aqui mesmo no Brasil.
A SEGA era representada pela TecToy;
A Nintendo era representada pela Playtronic, mais tarde seria representada pela Gradiente;
E a Atari era representada pela CCE.

Todas as fabricantes, tinham uma representante para distribuir de modo legal e honesto, os produtos que eram fabricados nos Estados Unidos e Japão. Tudo era produzido ou embalado na famosa Zona Franca de Manaus, quem tinha jogos originais de Mega Drive, Super Nes, Master System e NES podia ler na caixa do produto, seja aparelho ou cartucho os dizeres: “Produzido na Zona Franca de Manaus”. Isso era um colírio para os olhos porque você tinha a noção, que aquele produto foi realmente feito aqui e que aqui haveria uma assistência técnica quando for necessário.
Perguntaram para a Sony se fosse possível o lançamento oficial do videogame Playstation no Brasil e a resposta? “Não!” O mesmo não que transformou a Sony em rival da Nintendo, e agora distanciava o Playstation de ser vendido à preço justo e com a oportunidade de uma assistência técnica especializada.

“Vai na esquina que é mais barato!”

Com a Sony negando a distribuição do Playstation no Brasil, restou mesmo aos gamers comprarem os milhares de jogos piratas que era vendidos nas lojas. E se o canhão queimasse, tudo bem, sem problemas, porque: “Eu conheço um cara que conserta”. Essa era a frase dita sempre que a conversa era sobre o canhão queimado do Playstation. A pirataria foi tão forte no Playstation que havia momentos em que os CDs começaram até a não funcionar mais. E as famosas lendas urbanas. O videogame só lê o CD se virar de ponta cabeça, ou se ao encaixar o CD e der uma rodada com a mão para o CD girar dentro do aparelho e fechar a porta do drive o jogo funciona. São tantas lendas que tudo poderia ser resolvido se os CDs fossem originais.

O Playstation e seus rivais.

Com o CD tornando-se um objeto cada vez comum na vida de um gamer a Sony conseguiu juntar um grande número de empresas interessadas e muito criativas para produzir os jogos mais marcantes da metade da década de 90. Com isso em 1995 a SEGA também quis dar adeus ao sistema 16-bits com o seu Mega Drive. E lançou o Sega Saturn. O videogame chegou a fazer um grande sucesso no início. Todos queriam ver Sonic no universo poligonal. A SEGA conseguiu ficar no mercado de forma estável e bem posicionada ao lado da Sony que vendia muito bem.
Além disso uma outra produtora decidiu criar um videogame também, e da Neo Geo sairam o Neo Geo CD e o 3DO. Esses dois pegaram um público muito segmentado já que os jogos eram conversões, desta vez fiéis, aos jogos de arcade, ou como costumamos chamar, fliperama. Com o Neo Geo CD os gamers presenciaram a transformação de Fatal Fury em The King of Fighters e mais versões de Samurai Shodown.
O 3DO não caiu muito no agrado dos gamers mais tradicionais. Era um videogame muito caro, seus jogos eram importados e não trazia bom custo benefício.
O Sega Saturn aconteceu a mesma coisa, a pirataria engoliu o videogame em fracas vendas e de 1995 a 1997 o Sega Saturn não passou de um Mega Drive com CD.
Realmente a era 32-bits foi dominada pelo Playstation por ser uma plataforma de jogos de vários estilos e não seguindo parâmetros lineares para agradar os fãs. Isso impulsionou muito as vendas do Playstation em todos os sentidos.

E o Óscar vai para…?

Vamos recapitular, em 1994 o Playstation iniciou a Era dos 32-bits. Logo depois em 1995 vieram o Sega Saturn, Neo Geo CD e 3DO. E em último lugar o Super Nintendo, com seu cartucho de silício.
Tudo bem que grandes títulos saíram para Super Nintendo de 1995 e 1996 como Donkey Kong Country 2 e 3, um novo Super Mario World 2 e demais jogos. Mas não era o bastante. Uma empresa não se alimenta de poucos títulos ainda mais se for uma empresa de games que isso é o que faz as engrenagens girar.
Realmente o Super Nintendo reinou nos 16-bits mas o Playstation da Sony era o sucesso dos 32-bits. E isso deixou a Nintendo para trás por quatro longos anos.

Curiosidades Que Só quem Viveu Sabe!

Até 1993, jogar games em cartuchos era a melhor mania do momento. Não importava o título mas, se você tivesse o cartucho que entrava no meu videogame, então a diversão era garantida.

A partir de 1994 se você dissesse que tinha um videogame com cartucho você era um gamer atrasado. A moda estava em ter um videogame em CD.

No Brasil os gamers de Playstation tiveram mais jogos piratas em casa do que produtos apreendidos e guardados no galpão da Polícia Federal.

Se juntássemos o número de canhões queimados e trocados, poderíamos reciclar e remontar outros Playstation a ponto de vender para pessoas mais carentes e que não tenham dinheiro para comprar um novo.

Enquanto isso em 1995, Crash Bandicoot, Resident Evil, era mostrado ao mundo, por outro lado o Super Nintendo estava lançando Donkey Kong Country 2: Diddy’s  Kong Quest e Super Mario World 2: Yoshi’s Island.

Enquanto isso em 1996, Lara Croft apresentava-se para os gamers em seu primeiro Tomb Raider, por outro lado o Super Nintendo estava lançando Donkey Kong Country 3: Dixie Kong’s Double Trouble.

O game Driver no Playstation mostrou ao Mundo que jogos de perseguição é muito legal e vale a pena comprar.

A transformação de Metal Gear Solid no Playstation transformou o jogo em uma franquia milionária. No NES você nem ouvia falar em Metal Gear. Incrível né?

Tomb Raider saiu para Playstation e com isso mostrou que colocar uma mulher bancando o Indiana Jones atraía e muito os jovens adolescentes.

O Playstation foi feliz ao receber Street Fighter 3 inovando a cara da franquia que até então estava jogando as versões 2 e Alpha. Uma conversão fiel da versão original criada para o fliperama.

Mega Man também apareceu no Playstation com o Mega Man 7 e 8 e depois seguiu para o Mega Man Legends.

A Capcom teve uma participação enorme nas criações de títulos para o Playstation, com as versões de Resident Evil, Mega Man, Street Fighter e tantos outros.

Gran Turismo mostrou que jogos de corrida não são nada sem a física realista.

Metal Gear Solid mostrou que fazer barulho só atrai inimigos e antecipa o aparecimento da tela de Game Over.

E ficamos por aqui, na próxima edição falaremos mais sobre as mudanças desde 1994. Fiquem ligados e acompanhem porque será muito legal!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 31 de julho de 2009, em Especiais e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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