Ed.Nº 9 – Os Videogames, Parte 1 [1982-1988]

Olá pessoal, eu sou Marvox. Eu costumo escrever e postar noticias e textos que acho interessantes. Hoje falarei de mim e da década de 80. Talvez me chamem de saudosista mas o que posso dizer, é a década em que eu nasci e com isso cresci no meio de muita coisa divertida e interessante. Hoje tenho 27 anos, e meu gosto por videogame só aumentou. Hoje mesmo com jogos ultra-poderosos e realistas eu dedico meu tempo livre em buscar aquele jogo que eu nunca joguei  quando eu era um garoto. Sempre tem algum título que não jogamos por falta de oportunidade. E é isso que eu faço, gosto de dissecar os jogos até chegar no final.

Em 1982,

Os videogames estavam apenas começando. As TVs não tinham o cabo A/V, também chamado de Áudio e Vídeo, com as cores vermelho(stereo)/Amarelo(Vídeo) e Branco(Mono). Para ligar os videogames nas antigas televisões existia um cabo R/F. Para ligar diretamente na entrada de antena de TV, VHF ou UHF. Então era normal os jogos apresentarem às vezes interferências quando na casa era ligado um liquidificador ou dado o start para o fogão elétrico. O primeiro vídeogame que ví na vida foi um Atari 2600 fabricado pela CCE. Tinha um emblema da CCE, ele era preto com botões compridos e prateados e dois controles em forma de manche e um botão vermelho apenas. Jogava diversos jogos e trocava de fita sempre que dava o fim do jogo, causado pela perda de “vidas”. Os cartuchos de Atari 2600 tinham desenhos engraçados como o cartucho do game Frogger, o sapo que atravessava o brejo para chegar até o outro lado. Os jogos só tinham o barulho do som na hora de pular, atirar, explodir, as músicas somente faziam o papel de abertura do jogo e o papel de game over. Quando a música ficava mais sombria. Os jogos que eu tinha eram:

Air-Sea Battle – Controlava um canhão e atirava contra aviões e helicópteros, o jogo fica mais rápido à medida que você avança de nível.

Pitfall – Eu apelidava de “pula-pula”. Controlava um bonequinho de camiseta verde e calça preta e atravessava lagos, saltava sobre a cabeça de jacarés, agarrava cipós, coletava barras de ouro e pulava até cobras e fogueiras.

Joust – Eu apelidava como “o jogo da galinha que pula”. Controlava um avestruz e seu guerreiro 0nde em uma pequena arena apareciam vários outros guerreiros e seus avestruzes. Ao pisar nos inimigos, os mesmos transformavam-se em ovo e saiam flutuando pela tela, tinha que ser rápido e pegar os ovos antes que transformassem em avestruzes novamente, a diferença estava na cor, o inimigo mudava de cor e a dificuldade aumentava.

Freeway – Eu apelidava como “o jogo da galinha que atravessa a rua”. Um uma rua movimentada com carros passando de todas as velocidades possíveis, controle uma galinha e faça ela atravessar o trânsito e chegar até o outro lado da rua por vezes indeterminadas.

Frogger – Uma versão mais refinada de Freeway, aqui você controla um sapo em seu ambiente natural, o brejo. Leve o sapo até o outro lado do brejo, pelo menos nesse jogo você precisa levar o sapo algumas vezes para passar de fase.

Frostbite – Controlava um esquimó e o objetivo era pular em cima das pastilhas de gelo, cada pastilha montava uma parte do iglú. No final o iglú era montado e você tinha que voltar para cima e entrar no Iglú, Pronto, seus pontos são contados e você passa de fase. Tinha vezes que aparecia um urso polar, aí que ficava difícil.

Seaquest – Eu apelidava de “o jogo do submarino” e o objetivo é controlar o submarino coletando os náufragos que estão debaixo da água, com tiros você acertava peixes, submarinos inimigos que atiravam contra você. Quando tiver coletado o número suficiente de náufragos, tinha que subir até a superfície, ou seja, submergir e assim ganhar pontos e passar de fase.

Sneak n’ Peak – Jogar esconde-esconde no Atari 2600 era muito engraçado. Se jogasse de dois então, um tapava os olhos enquanto o outro se escondia, mas claro que os mais espertinhos olhavam entre os dedos das mãos. Pura inocência. De vez em quando o jogo dava umas travadas e não dava para entrar atrás do sofá ou quando entrava debaixo do tapete não dava para sair. Jogos hilários e raros do Atari 2600.

Enduro – Jogos de corrida eram muito cansativos no Atari, e Enduro prova isso, corra, mas corra muito, o velocímetro é a sua pontuação então você nunca deixa de acumular pontos, a única coisa que vai mudando é a cor do cenário, começa de dia e vai escurecendo, depois anoitece e vai amanhecendo de novo. É um jogo cansativo mesmo.

Snoopy and the Red Baron – Esse jogo do Snoopy em que ele é um piloto da própria casinha de cachorro é o melhor. Tinha uma ação agitada e os barulhos que o jogo produzia na época parecia os de moto vindo lá do fim da rua. Praticamente todos os barulhinhos do Atari, eram parecidos só mudava a música inicial e as músicas de game over. Nesse jogo Snoopy deve derrubar os aviões vermelhos, mas fique esperto pois os aviões podem sumir no céu e deixar cair objetos que dão ótimas pontuações durante o jogo.

Earthquest – Um RPG bem crú no Atari, muitas passagens coloridas, quebra-cabeças para descobrir como chegar até o outro lado e objetos para coletar. Era engraçado de se jogar.

EM 1988,

Os videogames estavam explodindo por todos os lugares. Na TV durante os comerciais passavam propagandas de videogames da época. As revistas também estavam à todo vapor mostrandoo que existia de bom e de melhor no Japão e Estados Unidos. Eu também comecei a ter vontade de ganhar o meu primeiro videogame, sim o Atari 2600 não era meu, era do meu pai e também não pertencia a minha geração, eu queria um Master System 2 com Alex Kidd in Miracle World na memória. As propagandas que a TecToy produzia na época eram muito chamativas e davam muita vontade de sair correndo e comprar. Na propaganda do Master System dizia assim: “É um jogo, mas poderia ser verdade”. Era hilário porque na propaganda mostrava cenas do jogo. Realmente foi algo que não vemos mais na TV, propaganda de jogos de videogame. Não existem mais, pelo menos no Brasil ninguém mais se interessa em produzí-las. Mas aí, demorou para eu ganhar, até que no meu aniversário de 6 ou 7 anos eu ganhei o Master System 2. Foi um momento muito legal, meu primeiro videogame. A alegria era tanta que eu tinha até esquecido que tinha um jogo na memória. Um dia qualquer eu liguei e o jogo apareceu, coisa de criança. Na época do Master System eu não acompanhava revistas de videogame, mas existia uma gamelocadora. Isso era algo muito famoso na época ao invés de comprar vários jogos a gente se preocupava em alugar os jogos que não tínhamos. Então, pouco importava se tinha 2 ou 4 jogos porque se houvesse uma locadora perto de casa, ninguém ficava descontente. Os videogames de 8-bits (Master System e NES) exibiam jogos muito legais, mas que tudo aquilo era uma guerra de mercado, isso eu jamais poderia imaginar.  Eu acompanhei mais o lado da SEGA nos 8-bits do que da Nintendo. Os Jogos de Master System sempre foram bem mais coloridos e coerentes que os jogos do NES. O NES parecia mais um Atari remodelado com jogos que tocavam músicas. Já o Master System não, eram jogos bem elaborados e que funcionavam perfeitamente. No Master System eu cheguei a ter os jogos:

Alex Kidd in Miracle World, AlexKidd: The Lost Stars, Alex Kidd in Shinobi World, Super Monaco GP, After Burner, Battle Out Run, R.C Grand Prix, Mônica no Castelo do Dragão, Ninja Gaiden, Double Dragon, Michael Jackson’s Moonwalker, Asterix & Obelix and the Secret Mission, Spider-Man vs Kingpin, Turma da Mônica em: O Resgate, Tom & Jerry: The Movie, Geraldinho, Sonic The Headgehog, Pato Donald: The Lucky Dime Caper, Mickey Mouse: Castle Of Illusion, Jogos Olímpicos, Sonic The Hedgehog 2

Depois pela gamelocadora eu acabei conhecendo esses aqui:

Alex Kidd in High-Tech World, Vigilante, Shinobi, Paper Boy, Super Futebol, Mickey Mouse 2: Land of Illusion, Psycho Fox, Phantasy Star, Rastan, Basketball Nightmare, Teddy Boy, Jogos de Verão, Wanted, Ghouls ‘n Ghosts, Golden Axe, Psychic World, Rampage, Asterix The Great Rescue, E-SWAT, WonderBoy, Cloud Master, Zillion 2: Tri-Formation.

O legal do Master System era os seus dois periféricos vendidos separadamente, a Pistola Light Phaser e os Óculos-3D. Eu cheguei a ter a Pistola porém não comprei nenhum jogo. E o Óculos 3D nunca ví de perto.

Coisas do Master System Que Só Aprendi Depois!

– Master System só era conhecido assim aqui no Brasil, nos Estados Unidos o nome dele era Mark-III. Nome horrível para se dizer, imagine uma criança dizer “Eu tenho um Mark três” a Tec Toy foi feliz nessa.

– Jogos de Verão é mesma coisa que Califórnia Games, se bem que eu prefiro mil vezes Jogos de Verão.

– Alex Kidd foi uma franquia que não trouxe grandes fortunas para a SEGA. Precisou criar um porco espinho azul para assim a SEGA vender bem.

– Sonic não nasceu no Master System e sim no Mega Drive. Porém, as versões 1 e 2 de Sonic para Master System, não passaram de conversões da versão original do Mega Drive só que remodeladas e que se saíram muito bem por sinal.

– Teddy Boy é protagonizado por Alex Kidd antes dele ser famoso. Igual a Jumperman antes de virar Mario.

– Alex Kidd comia hamburguer e assim foi conhecido no Brasil. Mas na versão japonesa, Alex Kidd comia um bolinho de arroz que mais parecia um capacete branco.

– Alex Kidd in High-Tech World foi uma tentativa de montar um R`PG do Alex Kidd, mas todos que terminaram o jogo sabem que é uma jogada de marketing para jogar os lançamentos da SEGA na época. Alex dizia “esses jogos da SEGA são demais!”

– Alex Kidd in High-Tech World, você tinha que se desdobrar para sair da mansão só para no final jogar Battle Out Run! Ninguém merece.

– Mônica no Master System – Uma tacada de mestre da TecToy em criar um jogo da Mônica para Master System, porém, com algumas informações, descobre-se que Mônica é na verdade um remake de uma franquia famosa no Japão e Estados Unidos, WonderBoy. Mônica no Castelo do Dragão e WonderBoy in Monterland são as mesma coisa, só muda o personagem principal e seus itens, ponto positivo, o jogo da Mônica é todo em português. Mais tarde a TecToy novamente converte WonderBoy 3- Dragon’s Trap para Turma da Mônica em: O Resgate.

– Phantasy Star – foi o primeiro RPG existente no Brasil que foi traduzido pela TecToy na época dos anos 80. Momento histórico.

– Summer Games – pelo nome eu traduziria como Jogos de Verão, certo? Errado! No Brasil já existia Jogos de Verão que foi traduzido de Califórnia Games. Então o jeito foi traduzir Summer Games para Jogos Olímpicos. Fazer o quê!?

– Teddy Boy e Geraldinho são as mesma coisa.

– A pior conversão para Master System foi do game Mortal Kombat, ninguém merece jogar Mortal Kombat com gráficos de 8-bits, aí pegou pesado.

– Golden Axe pode ser considerado o jogo mais lerdo do Master System, tem hora que a espada até pára por um segundo até dar o último golpe no inimigo. Conversão horrível.

– A única versão de WonderBoy que ficou conhecida no Brasil é a primeira em que o garotinho de cabelo louro anda de skate e coleta frutas de todos os tipos.

– A TecToy fazia bonito ao distribuir oficialmente o Master System no Brasil, tudo era traduzido, desde o encarte das caixas até os manuais de regra do jogo. Além disso existia o Hot-Line, onde quem tinha o Master System podia ligar e pedir dicas de como passar de fase. Era sensacional.

– Jogar Rastan muito tempo pode dar pesadelos, as músicas exibiam notas musicais que grudavam na cabeça por pelo menos 1 semana.

– Há quem nunca tenha acabado Ghouls n’ Ghosts, já que algumas pessoas na época achavam o cúmulo o game voltar desde o início apenas para pegar a armadura dourada e a última arma capaz de derrotar o último chefão.

Ainda em 1988,

As pessoas conheciam videogame mas não conheciam computadores de mesa desses que temos hoje em dia, até chegar na minha casa o MSX produzido pela Gradiente na época. Era um computador preto com um drive de disquete separado plugado pelo fio achatado e que rodava disquetes de 5 e 1/4. Flexíveis e muito fáceis de serem danificados. O MSX foi trazido para ser um computador de mesa, nele tinha receitas de sopas, dava para digitar palavras e fazer rodar alguns programas. Mas quando um cartucho de memória era acoplado em um de seus bocais, era possível rodar esses disquetes e neles exibir um monte de jogos. O MSX não tinha monitor, era ligado direto na TV no mesmo esquema que os antigos videogames, no cabo da antena. Eu tinha uma SHARP de 20 polegadas, era muito, seria um monitor de 20 polegadas, por que não?

Os jogos de MSX eram produzidos por diversas pessoas e até empresas hoje famosas tipo, a Konami, a maioria dos jogos que rodava no MSX eram obras da Konami, quem olhasse para os jogos da Konami antes poderiam achar que eram esboços. Porém o MSX era como um meio termo entre o NES e o Atari 2600. Jogos simples porém, alguns apresentavam histórias e até finais.

Hoje vejo na internet que existem adeptos e conservadores do sistema MSX-Gradiente, legal, porque eu tenho grandes lembranças desse sistema. Lembranças jogáveis. Pena que alguns jogos eu não lembre o nome, eu era muito criança na época e não me apegava a nomes. Vejam só os que eu lembro:

Keystone Kaper, Car Jamboree, Mappy, The Goonies, Knight Valley, Enchanted Castle.

Agora os que eu não lembro o nome mas lembro o jeito do jogo, quem souber me ajude por favor.

Jogo 1 – Ladrão que roubava quadros dentro de um apartamento, ao completar o roubo, o elevador é liberado e assim o ladrão pega o elevador para subir para o próximo level. PS: Não é Elevator Action. (Descoberto: The Heist)

Jogo 2 – É uma espécie de tiro ao alvo, no alvo aparecem pessoas de todos os tipos, pessoas comuns, crianças, homens mulheres, e você tem que ficar atento na tela, porque na mão dos personagens pode surgir uma arma e é aí que você tem que atirar. (Descoberto: The Academy Police)

Jogo 3 – Você controla um menino que tem que deixar bombas pelo caminho em um castelo e assim coletar chaves para abrir as portas e assim passar de fase (não é Bomberman, acho que o nome era The Castle). (Descoberto: Knither Special)

Jogo 4 – Controlava uma nave e as fases são tudo com nome do alfabeto grego. Alfa, Beta, Gama, Zeta e por aí vai. (Descoberto: Star Force)

No próximo post falarei do NES e os jogos que conheci na época e marcaram a minha infância. Será muito engraçada a minha história. Até lá!

Sobre Marvox

Formado em Comunicação Social: Propaganda e Marketing, fundador e autor do Blog MarvoxBrasil. Criador da série Start Again no Youtube. Desde 2015 faz parte da equipe do Canal Jornada Gamer. Minha maior paixão, saber que consigo ajudar pessoas a terminar mais jogos. Essa conquista não tem preço!

Publicado em 23 de julho de 2009, em Especiais e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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